Uma história meia boca que não é da conta de ninguém

Eu adoro ficar em casa. Ler. Dançar na frente do espelho. Fazer bagunça na cozinha. Bodar. Bodar. Bodar. Adoro. O único problema é que, em alguns momentos da minha vida, eu faço isso demais. Por exemplo, agora que acabei de mudar o meu status de estudante para desempregada. Ficar em casa é tipo minha nova função. A galera enlouquecida com o fim de semestre, e eu extasiada com o poder do cochilo pós leitura pós almoço. Depois de duas semanas nesse ritmo, decidi que é hora de visitar museus, procurar umas pautas, correr pelos campos, abraçar paredes grafitadas. Se não fosse um detalhe: segunda-feira eu tiro o siso. Ou seja, nem a academia pré almoço eu vou poder frequentar e minha vida vai ser sorvete, bodar, bodar, açaí, bodar. Queria, então, um final de semana de despedida. Sexta-feira foi ótimo! Mas sábado… Passei o dia chamando todo mundo que eu conheço pra sair comigo (mentira, chamei só meus grupos de amigos do WhatsApp) e não consegui ninguém. Para piorar minha situação, estava passando “Homem Aranha 2” enquanto meus amigos respondiam que tinham mais o que fazer do que sair comigo – ou simplesmente não respondiam. O filme é tão ruim e ser a única sem ter mais o que fazer é tão horrível que eu fiquei deprimida. Meu ânimo só melhorou quando minha irmã ligou avisando que estava vindo para casa e ia alugar uns DVD’s. Agora o sábado ia valer a pena, eu e meu cunhado íamos ver filmes enquanto minha mãe e minha irmã dormiam depois de comerem a maior parte da pipoca. Só que, em uma casa com três televisões de igual qualidade, minha mãe decidiu assistir à novela das nove justamente na única TV que tem aparelho de DVD. Como eu já li, já dancei na frente do espelho, já baguncei a cozinha, e já bodei, bodei, bodei o sábado inteiro, vim fazer a única coisa que me restava: escrever essa ladainha.

Boa noite.

ps. Se você leu esse texto até o fim é porque está numa situação de tédio pior do que a minha, então fica aqui a dica da única coisa interessante que fiz o dia inteiro: assisti aos vídeos do Rafucko. Esse cara definitivamente transforma qualquer bodada em algo útil para a cabeça.