Fora do Ninho: agora eu tenho canal no Youtube sobre minha vida em São Paulo

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A vida aqui em Sampa tá uma loucura. Tanto que nem tempo para escrever meus textos pessoas tenho tido tempo. É só matéria, notinha, vídeo… Daqui a pouco eu volto a abrir meu coração por aqui, não se preocupem.

Pelo menos tenho uma novidade! Comecei um canal no Youtube. Com apoio do site que eu trabalho, a Elástica, eu tenho produzido alguns vídeos sobre sair da casa dos pais e arrumar o próprio canto. Para acompanhar, é só entrar no blog que eu mantenho por lá.

O meu último vídeo foi sobre vizinhos. Foi o mais a cara do PVSC que eu publiquei, por isso queria compartilhá-lo com vocês. Tem mensagem importante nele!

Gostou? Se inscreve no canal que eu vou tentar atualizá-lo sempre. <3

Até em breve.

Perdi o medo do futuro

medo

Hoje, enquanto caminhava para o supermercado, fui criticando as calçadas da cidade de São Paulo e percebi, que apesar delas serem tortas, quebradas, terríveis e terem me feito passar uma semana de muletas após torcer o pé, eu estou perdidamente apaixonada por minha vida nesta cidade. Posso, inclusive, afirmar que tenho sido extremamente feliz.

Desse pensamento, parti para outro. Essa “minha vida neste cidade”, atualmente, se resume a procurar um apê fixo – está tudo incrivelmente caro ou insanamente pequeno – e um emprego, já que meu curso na Abril acabou e eu ainda não tenho um novo destino. Ou seja, o cenário atual da minha vida não parece nada promissor.

O fato é que, apesar dos pesares, pela primeira vez na vida, eu não estou com medo. Percebi isso, ainda ali, entre as calçadas desreguladas e mal cuidadas da minha nada barata atual vizinhança. Aquele sentimento desesperador de que tudo vai dar errado, não me acompanha mais. Finalmente, eu estou tranquila quanto ao meu futuro. Ufa!

Quando eu estava entrando na pré-adolescência, minha mãe me mudou de colégio e eu tive a certeza de que aquele era o fim da minha vida. Sai do meu conforto, do dia a dia com meus amigos de anos, do lugar onde eu conhecida todo mundo e tirava total em todas as provas, para a escola com mais playboy por metro quadrado de Belo Horizonte.

Na nova escola, eu acabei fazendo amigos, mesmo sem querer. Muitos amigos. No entanto, passei três anos com medo das provas de matemática e mais três tendo pesadelos com os exames de física. Foram seis anos sofrendo a cada semestre, a cada nota abaixo da média, a cada vez que meus pais precisavam assinar meus boletins.

Chegado o terceiro ano do Ensino Médio, veio o terrível vestibular. Foi uma época pavorosa. Engordei 8kg de tanta ansiedade. Ja que eu tinha me decido por um curso que não agradava o meu pai, o mínimo que eu precisava fazer era entrar na faculdade que ele queria, a UFMG. A minha vida podia não ter acabado quando me mudaram de escola, mas, dessa vez, ela chegaria ao fim caso meu nome não aparecesse entre os selecionados, de 2010, da Federal.

Eu imaginava o quanto meu pai ficaria decepcionado caso eu não conseguisse. Não ia pagar uma faculdade particular, não ia me dar mais um tostão que não fosse para o cursinho. Adeus cinema, adeus amigos, adeus reparos no computador. E, mesmo se ele pagasse, como eu poderia aceitar qualquer dinheiro vindo dele depois de desaponta-lo tanto? No fim, deu tudo certo, e nós nunca vamos saber se esse meu drama tinha fundamento.

Como as aulas de jornalismo só começavam em agosto, terminada a escola, passei um semestre tentando tirar carteira de motorista. Foram quatro tentativas. Mandei bem na primeira vez, e não passei. Nas outras três, deixei o medo me dominar e dirigi chacoalhando mais que o bumbum da Carla Perez durante os anos 1990. Eu não sabia dirigir, eu estava jogando fora o dinheiro do meu pai, eu era um desastre. Eu passei.

À essa altura, eu já tinha entrado na faculdade. Nesse tempo, tive medo de não conseguir ir de intercâmbio, medo de não decidir qual área do jornalismo eu queria seguir, medo de me apaixonar e jamais conseguir curar meu coração depois de mais uma decepção, medo de nunca mais me apaixonar, medo de não conseguir estágio, medo de me afastar dos meus amigos da escola até parar de ter notícias deles, medo de pedir dinheiro para o meu pai. Medo de tudo, muito medo. Sobrevivi. Quase tudo deu certo, e o que não deu, deu certo também.

No fim da faculdade, tive medo de não conseguir emprego. Conseguido o emprego, tive medo de não entrar no Curso Abril. Terminado o Curso Abril, já não tenho mais medo de nada. A vida jamais esteve tão boa. O futuro nunca me pareceu tão incrível, mesmo ainda não tendo forma. Estou mais segura do que nunca. Segura das minhas decisões, segura de que vou conseguir tudo o que eu quero. E, se não for assim, eu descubro outro querer. Eu encontro outros caminhos. Só sei que, de São Paulo, ninguém me tira. Só se for para ir mais longe.

Para 2015: resoluções e soluções

para2015

Eu não ia fazer grandes planos para 2015, já que o maior plano da minha vida está começando a se realizar e finalmente estou saindo da casa dos meus pais para traçar o meu próprio caminho. Mas a lista veio vindo por conta própria, sem pedir licença. Decidi, então, registrá-la. São poucas coisas, mas grandiosas.

– Ser menos ansiosa.
Já melhorei bastante nesse aspecto ao longo da vida, mas essa ainda é a maior causa das minhas angústias. Quero viver até a última gota e, por isso, passo muito tempo pensando sobre o futuro e checando ao longo do processo para que tudo seja perfeito. As coisas não são perfeitas, nem precisam ser. Aos poucos a vida é linda.

– Aprender francês.
A poesia de Amélie Poulain e Édith Piaf me fizeram apaixonar pela língua francesa. Depois vieram outros filmes, outros cantores, amigos franceses e suíços que me deixaram ainda mais encantada pela sonoridade e pelos sentimentos que o francês carrega. Quero compreender as músicas que cantarolo, quero apreender detalhes perdidos pela tradução dos filmes, quero incrementar a conversa com uma de minhas melhores amigas. O básico já ajudaria bastante.

– Dar menos atenção aos grupos WhatsApp.
Perco muito tempo respondendo todos os meus amigos, e mais tempo ainda não respondendo propositadamente por ter sido ignorada anteriormente. Preciso valorizar mais as relações diretas e menos a coletividade. A solidão é enorme quando há muita gente em volta.

– Dar mais atenção aos meus pais.
Estou saindo de casa e nossa relação não será mais desgastada pelo dia a dia. Excelente oportunidade para escutá-los mais. Não só o que eles dizem, mas o que gostariam de dizer.

– Me estabelecer em São Paulo.
Meu caminho é para a frente.

– Escrever mais.

Valendo!

Sobrevivi a 2014, agora ninguém me segura

2014

2014 foi definitivamente um fim de ciclo na minha vida. Um ano louco, lotado, intenso, mas um cadinho solitário. Teve Carnaval inesquecível, finalização de TCC, lançamento de livro coletivo, apresentação de TCC, formatura, re-Buenos Aires, anivertura e seleção para o Curso Abril de Jornalismo (CAJ). Fez falta o recorrente bar de sexta-feira e o antigo ombro amigo de terça. Eu devia ter tido mais paciência para ficar só comigo mesma – os sentimentos teriam sido mais fáceis – mas o silêncio ensurdecedor do futuro estava mais forte do que nunca. Preferi ir ao cinema, ou reclamar no meu diário.

Em novembro, eu pensei que não teria forças para chegar até dezembro. O resultado mais esperado de toda a minha vida ia sair em breve e poderia não ser a guinada transformadora do meu destino. Quando ele saiu, positivo, consegui enxergar a grandeza do meu 2014. Foi um ano cansativo, mas necessário.

Da minha lista de (pelo menos) 67 promessas, cumpri algumas. Li os 12 livros, aprendi mais que 5 receitas, vi extremamente mais que 24 filmes, experimentei 5 dos 10 sabores de sorvetes, conheci 2 cidades novas ao invés de 3, não enviei nenhuma das 6 cartas, fiz apenas um novo amigo… Gostaria de ter observado mais o céu, mas colei estrelas no teto do meu quarto para me lembrar constantemente que o universo está repleto de magia e que eu nunca devo desistir de experenciá-las.

Magia como os infinitos dias de Carnaval vividos com muito glitter no côncavo do olho, muitos copos de catuaba, risadas incansáveis e eternos abraços de gratidão. Magia como a generosidade das palavras recebidas na apresentação de TCC, como a intensa alegria no lançamento do livro do BH nas Ruas, como as lágrimas contentes disfarçadas pela beca na colação. Magia de momentos que, como esses, me fizeram me sentir completa.

Vivi um romance (sem nenhuma gota de amor) de verão e uma paixonite (sem nenhum laço de saudade) de inverno, um caso que tinha tudo para dar em tudo finalmente não deu em nada, relacionamentos compridos que nunca tiveram futuro enfim chegaram ao fim. Ufa. Descobri a enorme força do companheirismo dos meus 4 melhores amigos da faculdade, senti muita falta dos amigos que foram de intercâmbio, e também dos que não foram. Mais. Vivi uma festa eterna durante a Copa, descobri novos lugares na minha amada Buenos Aires, comecei meu primeiro emprego como jornalista graduada, me apaixonei por Itatiaia, comi o melhor dogão, na Praça Espanha de Curitiba, mais uma vez.

Saio de 2014 com o que foi planejado para mim finalizado. Cresci, estudei, cresci, me formei, cresci, trabalhei, cresci. Em 2015, uma nova vida se inicia, uma vida planejada por mim, com muitas expectativas e pouca (ou nenhuma) previsão. Estou indo para São Paulo participar do CAJ e espero não voltar. Pelo menos, não tão cedo. Vou conhecer novos caminhos, trombar em novas pessoas, aprender uma linguagem completamente nova. Estou empolgadíssima. 2014, obrigada por me preparar.

Mulher com câncer terminal realiza sonho e se casa antes de morrer

mulhercomcancer

Nos últimos tempos, várias mulheres com câncer tem realizado o grande sonho de se casar antes de morrer. Desesperadas por estarem em estágio terminal da doença, se vestem de noiva, convidam os queridos mais próximos e, dentro mesmo do hospital, vão ao encontro do amor de suas vidas para selar a união. Já aconteceu em Manaus, em várias cidades dos EUA, e, agora, na China.

Não querendo meter o meu dedo nos sonhos de ninguém, mas já metendo: sério mesmo, mulherada? Entre todas as maravilhas que o mundo tem a lhes oferecer, vocês querem gastar os poucos minutos de vida que lhes resta casando com homens que já são seus companheiros? Dentre tantas opções, o que mais lhes apetece é vestir vestido branco, véu e grinalda e registrar perante a lei a união com aquele com quem já estão unidas há muito tempo? Poxa…

Cada vez que leio uma chamada dessas, ao invés de me emocionar, sinto um cadinho de desesperança. Casamento é legal, é uma festividade interessante, um ritual muito bonito, mas é mesmo – ainda – o grande sonho da maioria das mulheres? O MELHOR dia de suas vidas? (Afinal, existe “o melhor” dia de nossas vidas? Não são vários os dias extremamente especiais?)

O que me assusta não é o tal do grande amor ser tão valorizado, e sim esse desespero que muitas, muitas mulheres tem em poder dizer “eu me casei”. Se fosse o meu caso, o que me faria feliz de verdade seria experimentar comidas que não conhecia, ou viajar para um lugar com paisagens de tirar o fôlego.

Cada um sonha com o que quer, eu sei, mas que mundo mais interessante seria este em que vivemos se as manchetes de casamentos urgentes fossem substituídas por outras mais estimulantes: “americana toca guitarra em festival para 200 mil pessoas e realiza último sonho antes de morrer” ; “baiana em estado terminal lança livro com fotos que tirou ao longo da vida em viagens pelo mundo” ; “paranaense com câncer faz sua última apresentação de ballet: ‘foi uma despedida linda’, comemora”. Que vida mais interessante essas mulheres poderiam ter tido se sonhassem com algo maior do que com arrumar um marido.

Mixtape #20 – Juventude

Gratidão pelo agora !

01- Letters To Cleo – I Want You To Want Me | 02-  Elton Jhon – Tiny Dancer | 03- Banda do Mar – Muitos Chocolates | 04- Cat Stevens – If You Want To Sing Out Sing Out | 05- Regina Spektor – Small Town Moon | 06- Barão Vermelho – Pro Dia Nascer Feliz | 07-  Caetano Veloso – Tropicália | 08- David Bowie – Modern Love | 09- Nina Simone – Ain’t Got No, I Got Life | 10- Tim Maia – Sossego

Eu vou te amar para sempre, Orkut

orkut

Entrei ontem correndo no Orkut para dar print nos meus depoimentos e, depois, custei a ter coragem de sair. Fiquei parada olhando para aqueles depoimentos secretos, os quais eu não podia aceitar porque continham desabafo do ex, fofoca da amiga, endereço da colega de sala da escola. Eles, agora, nunca mais serão aceitos. Nunca mesmo. Definitivamente.

Passeei, então, pelas comunidades de amigos – aquelas que não ficarão eternizadas no genial Arquivo de Comunidades que a página virou. Quanta bobagem a gente escrevia! E como a gente era feliz! Brincadeiras sem sentido, coleções de frases célebres, desesperos pré-românticos e uma lista de confissões pós-alcóolicas (enquanto aprendíamos a beber). Não tinha Facebook, não tinha Whatsapp e as conversas de grupo do MSN já tinham perdido a graça. Tudo era compartilhado ali, naqueles tópicos tão bem organizados que os grupos do Facebook nunca conseguiram superar. Agora está tudo registrado em lugar nenhum. O melhor arquivo sobre a adolescência de milhões de brasileiros nascidos nos anos 1990, agora, não existe mais.

Enquanto salvava os depoimentos, me senti a menina mais amada do mundo. O Orkut estimulava as declarações de amor e meus amigos se aproveitavam disso com a maior paixão do mundo. De textos enormes à frases super curtas que até hoje fazem todo o sentido necessário para ser feliz, eu era presenteada semanalmente – algumas vezes diariamente – com todo tipo de demonstração de afeto. Vai ver é por isso eu tenho me sentido abandonada às vezes: Whatsapp não faz carinho.

Entrei no Orkut quando ainda precisava de convite e só podíamos ter um álbum com 12 fotos. Vi ele crescendo aos poucos, enquanto ele me acompanhava crescendo bem depressa. O primeiro caso, o primeiro beijo, o primeiro porre, o primeiro grande amor – e o último também. As grandes amizades que até hoje me acompanham – de BH e do Paraná -, outras que surgiram e sumiram por ali, antes mesmo dos brasileiros começarem a migrar para o Facebook. O encontro com a grande ídola, e com os amigos colecionados por conta dela. A primeira viagem internacional, as primeiras fotos de qualidade, os primeiros textos sentimentalóides…

Tanta coisa, mas tanta, tanta coisa, que eu fiquei com medo de perder tudo assim que fechasse a aba do Orkut pela última vez. Foi como me despedir de um grande amigo, que eu visitava só de vez em quando para relembrar os bons momentos, mas que ainda amo do fundo do meu coração. E despedidas nunca são fáceis, ainda mais de alguém que nos fez tão feliz.

Por fim fechei a maldita aba. Não como um ato final, como se me despedisse de tudo, mas com a sabedoria de que a vida tem que continuar, mesmo que as plataformas, formas e amoras mudem. As memórias ficam e a saudade nos lembra da nossa enorme capacidade de ser feliz.

Vai em paz, querido Orkut. Viverás eternamente em nossos corações.

orkut

Londres 2011

Crônica audiovisual sem cronologia nenhuma. Sobre morar em Londres. Imagens capturadas porque eu estava afim, sem nenhuma preocupação técnica e visual. Encontrei esses fragmentos jogados no drive do meu computador antigo – computador que, na verdade, é da minha irmã e eu sequestrei para me dar apoio em Londres. Juntei porque o que é bonito é para ser mostrado e essa cidade, esses meses e essas pessoas são, para mim, bonitas por demais. Mesmo no meio da confusão.

To my lovely mates Andres Bedoya, Angelina Marteli, Alex Kubli, Diana Agudelo, Diana Betancur, Hyunah Song, Mathilde Dumolin, Maira Veneziani, Sergio Bedoya, Swiz Sandy, Tamires Muniz and to my sister Carol Novais.