Eu vou te amar para sempre, Orkut

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Entrei ontem correndo no Orkut para dar print nos meus depoimentos e, depois, custei a ter coragem de sair. Fiquei parada olhando para aqueles depoimentos secretos, os quais eu não podia aceitar porque continham desabafo do ex, fofoca da amiga, endereço da colega de sala da escola. Eles, agora, nunca mais serão aceitos. Nunca mesmo. Definitivamente.

Passeei, então, pelas comunidades de amigos – aquelas que não ficarão eternizadas no genial Arquivo de Comunidades que a página virou. Quanta bobagem a gente escrevia! E como a gente era feliz! Brincadeiras sem sentido, coleções de frases célebres, desesperos pré-românticos e uma lista de confissões pós-alcóolicas (enquanto aprendíamos a beber). Não tinha Facebook, não tinha Whatsapp e as conversas de grupo do MSN já tinham perdido a graça. Tudo era compartilhado ali, naqueles tópicos tão bem organizados que os grupos do Facebook nunca conseguiram superar. Agora está tudo registrado em lugar nenhum. O melhor arquivo sobre a adolescência de milhões de brasileiros nascidos nos anos 1990, agora, não existe mais.

Enquanto salvava os depoimentos, me senti a menina mais amada do mundo. O Orkut estimulava as declarações de amor e meus amigos se aproveitavam disso com a maior paixão do mundo. De textos enormes à frases super curtas que até hoje fazem todo o sentido necessário para ser feliz, eu era presenteada semanalmente – algumas vezes diariamente – com todo tipo de demonstração de afeto. Vai ver é por isso eu tenho me sentido abandonada às vezes: Whatsapp não faz carinho.

Entrei no Orkut quando ainda precisava de convite e só podíamos ter um álbum com 12 fotos. Vi ele crescendo aos poucos, enquanto ele me acompanhava crescendo bem depressa. O primeiro caso, o primeiro beijo, o primeiro porre, o primeiro grande amor – e o último também. As grandes amizades que até hoje me acompanham – de BH e do Paraná -, outras que surgiram e sumiram por ali, antes mesmo dos brasileiros começarem a migrar para o Facebook. O encontro com a grande ídola, e com os amigos colecionados por conta dela. A primeira viagem internacional, as primeiras fotos de qualidade, os primeiros textos sentimentalóides…

Tanta coisa, mas tanta, tanta coisa, que eu fiquei com medo de perder tudo assim que fechasse a aba do Orkut pela última vez. Foi como me despedir de um grande amigo, que eu visitava só de vez em quando para relembrar os bons momentos, mas que ainda amo do fundo do meu coração. E despedidas nunca são fáceis, ainda mais de alguém que nos fez tão feliz.

Por fim fechei a maldita aba. Não como um ato final, como se me despedisse de tudo, mas com a sabedoria de que a vida tem que continuar, mesmo que as plataformas, formas e amoras mudem. As memórias ficam e a saudade nos lembra da nossa enorme capacidade de ser feliz.

Vai em paz, querido Orkut. Viverás eternamente em nossos corações.

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