Muito bom isso de sentir o agora

Eu gosto assim. Desse jeito de agora. Com minha bochecha direita encostada no seu peito esquerdo. Eu gosto do cheirinho que tem a sua nuca, mesmo quando o banho já está quase vencendo. Eu gosto assim, exatamente assim. Com sua mão esquerda na minha cintura, enquanto a minha mão esquerda mexe na sua orelha direita.

É raro esse sentimento de perceber que estamos exatamente onde gostaríamos de estar. Em geral, ficamos confortáveis com os espaços e situações que ocupamos na nossa rotina. Podem não ser os melhores do mundo, mas a vida segue e a gente não raciocina sobre aquilo. Mas momentos como este, agora, não são corriqueiros. “Caralho, era exatamente aqui que eu queria estar” é algo que eu só sinto quando estou aqui, no seu peito esquerdo. Ou quando consigo reunir mais de 15 amigos no mesmo evento, é verdade.

É… Acho que comparar a alegria que toma conta da parte mais quentinha do meu coração quando sinto a sua pele grudada na minha com a felicidade que bate quando reúno a minha galera pode ser a coisa mais romântica que eu já defini na vida. Mesmo que não haja romance nenhum nisto aqui. Mesmo que seja só nós dois, deitados olhando para o teto, sem pensar que é amor, mas sabendo que é uma delícia independentemente do que seja.

Faz bem te ter aqui. Debaixo da mesma coberta que eu, com seu braço esquerdo em volta de mim todinha, enquanto o meu braço direito fica para trás para impedir que a gente se sufoque. Eu prefiro assim. Com meu nariz encostando na sua nuca e sentindo o seu cheiro de sempre. Mesmo que dure apenas cinco minutos. Nem que seja pela última vez.

Na dúvida, ame. Apenas não se deixe afogar.

na duvida ame

Quando eu te vi pela primeira vez, eu tive certeza que estava diante do homem mais bonito do mundo. Certeza absoluta. Por isso, tive medo quando você se mostrou tão interessado em sair comigo pela primeira vez. Um homem tão bonito assim não poderia estar realmente atraído por mim. Então eu fugi.

No entanto, o destino sabe muito bem onde nos reencontrar quando tentamos desviar dele e, repentinamente, você reapareceu. Meses depois. Mais lindo do que nunca. E, dessa vez, eu resolvi dar uma chance para nós dois. Um encontro, afinal, que mal faz?

Você era ainda melhor do que eu pensava. Sua empolgação em defender as suas ideias, o seu olhar carinhoso ao me observar, seu modo de se vestir tão diferente do meu. E logo ali, na primeira cerveja, eu me apaixonei. Intensamente, bizarramente, inesperadamente.

Fui dormir torcendo para que a gente se visse outra vez. Logo. O mais rápido possível. Assim, imagine a minha felicidade quando, no dia seguinte, você disse que, por você, a gente já se via naquela noite. Um sorriso imenso se tatuou no meu rosto. Porém, preferi esperar mais um dia. Ir com calma.

Uma noite depois, já estávamos juntos outra vez. O que se passava dentro de mim era tão impetuoso, tão assustadoramente real que, a cada segundo ao seu lado, eu sentia mais medo por carregar tão forte sentimento no meu peito. Das outras vezes em que havia me sentido assim, meu coração se estraçalhou tão seriamente que nunca me recuperei cem por cento.

Não demorou muito para você dizer que me amava. Levado pelos vários copos de cerveja, pensei. A minha vontade era de te beijar até acabar o ar dos meus pulmões e colar a minha pele na sua de uma forma que a gente não se soltasse nunca mais. No entanto, meus traumas me fizeram responder que era melhor a gente ir mais devagar. E hoje sei que, naquele dia, eu te matei um pouquinho por dentro.

O tempo foi passando e eu fui tendo cada vez mais certeza: eu não poderia mais viver sem você. Te imaginei ao meu lado em todos os momentos futuros da minha vida, me imaginei ao seu lado em todos os desafios que você precisasse enfrentar. Ia ser eu e você para sempre. Eu só não tinha coragem de demonstrar isso. Sabia que, uma vez aberto o meu coração, não tinha volta e você poderia fazer o que quisesse com a minha alma. Era melhor me certificar que, pela primeira vez na vida, eu pisava em terra firme.

Com as comemorações de fim de ano, precisamos nos afastar por um tempo. Ambos já tínhamos feito planos para aquela época antes de nos conhecermos. Eu fui para a minha cidade, você foi para a praia. O que era para ter sido apenas duas semanas de saudade, transformou o nosso amor em desespero. Para os dois. A minha insegurança, à essa altura, havia te contagiado e você perdeu as forças que, com muito esforço, tentava manter para ter confiança de que tudo daria certo. Ficamos ambos vulneráveis. Fracos.

Era paixão demais, fazendo os receios e a distância transformaram os nossos diálogos em enormes falhas comunicativas. Eu não te entendia e você interpretava tudo o que eu dizia de outra maneira. Cansada de sofrer e com medo de os nossos bate bocas nunca terminarem, resolvi dar um fim a nossa história. “Você tem certeza isso?”, você me perguntava sem parar. Não. Nenhuma. Mas respondi que sim.

Os dias seguintes se passaram com a mesma velocidade com que uma missa se arrasta. Você mandando mensagens: saudades. Eu tentando ao máximo não me sentir afetada pelas suas palavras: vai passar. Então descobri que você já estava com outra pessoa. Na praia, as paixões se incendeiam rápido, não é mesmo? Ela era uma menina tão cheia de inocência e vulgaridade que se meteu em lugares do seu Facebook que me pertenciam. Fiquei possessa.

Fui ao perfil dela e encontrei, sem nenhuma dificuldade, as suas palavras. Te amo, você dizia. Te amo. Meu coração explodiu. Enquanto meu sangue se espalhava sobre todo o meu corpo, minha cabeça dizia “Eu sempre soube que isso ia acontecer. Não devia ter caído nessa. Como posso ter sido tão estúpida?” repetidas vezes, sem parar. Me culpei intensamente por um problema seu, não meu. Uma fraqueza sua.

No entanto, o que você não sabia era seu poder de me deixar assim. Eu nunca deixei claro o quanto eu te amava. Sempre tentei te manter o mais longe possível dos meus sentimentos. Por mais carinhosa que eu fosse, você não conseguia perceber o amor que eu sentia. Foi necessário ver meu coração destroçado por sua causa para compreender toda a imensidão que havia dentro de mim.

Foi preciso me destruir por dentro para você perceber o meu amor. Por isso te perdoei. Demorou alguns dias, até eu limpar todo o sangue que havia sobre mim. Contudo, quando você se mostrou tremendamente arrependido e simultaneamente machucado com aquela situação, decidi relevar. Com isso tudo, percebi que o medo não nos protege de nada, só da felicidade, e me empenhei em retomar a nossa história. Catei os pedaços do meu coração e te entreguei todos eles para que pudéssemos ser felizes.

Não aconteceu. Nós nos machucamos de um jeito tão visceral que os meses seguintes só serviram para nos destruir ainda mais. Dessa vez, eu tentei ser mais paciente. Era sua vez de estar inseguro. Suportei seu desprezo, aceitei todos os sinais de afeto. Me entreguei completamente, de um jeito que não me entregava assim desde os meus 14 anos, quando me apaixonei pela primeira vez.

Defini: eu era sua e você era meu. Nada ia nos separar. Eu aguentaria todos os seus maus momentos até que você voltasse a ser o cara que não tinha medo de me amar. Tentei ser forte. Perdi a fome. Fui dormir todas as noites chorando. E não me importei. O fato de você me amar e de eu sentir o mesmo com a mesma intensidade bastava.

Nós, muito em breve, voltaríamos a ser feliz. Eu tinha certeza disso. Seria uma felicidade tão grandiosa que o céu nunca mais ficaria escuro durante o dia e as noites seriam cada vez mais estreladas. Uma felicidade tão imensa que qualquer um que a presenciasse seria feliz para sempre também. Uma felicidade nossa, só nossa, que mudaria o mundo.

No entanto, assim como eu aprecio a alegria, você é encantado pela melancolia. Não consegui vencer o seu amargor pela vida e percebi que continuar nessa batalha não te faria mais contente, apenas me deixaria mais infeliz. Isso seria uma derrota para nós dois. Foi, então, que decidi ir embora. Por mais que eu quisesse ficar. Para sempre. A vida toda. Precisei partir. De uma vez por todas. Para o bem de nós dois.

Agora estou aqui completamente sem você. O meu coração nunca tinha ficado tão pequeno. É a primeira vez que amo com cem por cento de reciprocidade, porém de uma forma tão destrutiva. Nós ainda nos pertencemos, eu tenho certeza disso. Só não vamos mais ficar junto. E o motivo não poderia ser mais surreal: somos extremamente apaixonados um pelo o outro. Um sentimento tão absurdo que não soubemos como cuidar dele sem nos afogar.

Preferi subir em meu barco e partir antes que não houvesse mais nenhum traço de contentamento em meu corpo. Espero que agora seja mais fácil para você subir em seu barco também, pois única coisa que me faria mais feliz do que viver ao seu lado, seria você finalmente encontrar algum tipo de felicidade. Boa sorte.

Saudades. Te amo.

* imagem do filme “Mr. Nobody”. 

Para 2015: resoluções e soluções

para2015

Eu não ia fazer grandes planos para 2015, já que o maior plano da minha vida está começando a se realizar e finalmente estou saindo da casa dos meus pais para traçar o meu próprio caminho. Mas a lista veio vindo por conta própria, sem pedir licença. Decidi, então, registrá-la. São poucas coisas, mas grandiosas.

– Ser menos ansiosa.
Já melhorei bastante nesse aspecto ao longo da vida, mas essa ainda é a maior causa das minhas angústias. Quero viver até a última gota e, por isso, passo muito tempo pensando sobre o futuro e checando ao longo do processo para que tudo seja perfeito. As coisas não são perfeitas, nem precisam ser. Aos poucos a vida é linda.

– Aprender francês.
A poesia de Amélie Poulain e Édith Piaf me fizeram apaixonar pela língua francesa. Depois vieram outros filmes, outros cantores, amigos franceses e suíços que me deixaram ainda mais encantada pela sonoridade e pelos sentimentos que o francês carrega. Quero compreender as músicas que cantarolo, quero apreender detalhes perdidos pela tradução dos filmes, quero incrementar a conversa com uma de minhas melhores amigas. O básico já ajudaria bastante.

– Dar menos atenção aos grupos WhatsApp.
Perco muito tempo respondendo todos os meus amigos, e mais tempo ainda não respondendo propositadamente por ter sido ignorada anteriormente. Preciso valorizar mais as relações diretas e menos a coletividade. A solidão é enorme quando há muita gente em volta.

– Dar mais atenção aos meus pais.
Estou saindo de casa e nossa relação não será mais desgastada pelo dia a dia. Excelente oportunidade para escutá-los mais. Não só o que eles dizem, mas o que gostariam de dizer.

– Me estabelecer em São Paulo.
Meu caminho é para a frente.

– Escrever mais.

Valendo!

Sobrevivi a 2014, agora ninguém me segura

2014

2014 foi definitivamente um fim de ciclo na minha vida. Um ano louco, lotado, intenso, mas um cadinho solitário. Teve Carnaval inesquecível, finalização de TCC, lançamento de livro coletivo, apresentação de TCC, formatura, re-Buenos Aires, anivertura e seleção para o Curso Abril de Jornalismo (CAJ). Fez falta o recorrente bar de sexta-feira e o antigo ombro amigo de terça. Eu devia ter tido mais paciência para ficar só comigo mesma – os sentimentos teriam sido mais fáceis – mas o silêncio ensurdecedor do futuro estava mais forte do que nunca. Preferi ir ao cinema, ou reclamar no meu diário.

Em novembro, eu pensei que não teria forças para chegar até dezembro. O resultado mais esperado de toda a minha vida ia sair em breve e poderia não ser a guinada transformadora do meu destino. Quando ele saiu, positivo, consegui enxergar a grandeza do meu 2014. Foi um ano cansativo, mas necessário.

Da minha lista de (pelo menos) 67 promessas, cumpri algumas. Li os 12 livros, aprendi mais que 5 receitas, vi extremamente mais que 24 filmes, experimentei 5 dos 10 sabores de sorvetes, conheci 2 cidades novas ao invés de 3, não enviei nenhuma das 6 cartas, fiz apenas um novo amigo… Gostaria de ter observado mais o céu, mas colei estrelas no teto do meu quarto para me lembrar constantemente que o universo está repleto de magia e que eu nunca devo desistir de experenciá-las.

Magia como os infinitos dias de Carnaval vividos com muito glitter no côncavo do olho, muitos copos de catuaba, risadas incansáveis e eternos abraços de gratidão. Magia como a generosidade das palavras recebidas na apresentação de TCC, como a intensa alegria no lançamento do livro do BH nas Ruas, como as lágrimas contentes disfarçadas pela beca na colação. Magia de momentos que, como esses, me fizeram me sentir completa.

Vivi um romance (sem nenhuma gota de amor) de verão e uma paixonite (sem nenhum laço de saudade) de inverno, um caso que tinha tudo para dar em tudo finalmente não deu em nada, relacionamentos compridos que nunca tiveram futuro enfim chegaram ao fim. Ufa. Descobri a enorme força do companheirismo dos meus 4 melhores amigos da faculdade, senti muita falta dos amigos que foram de intercâmbio, e também dos que não foram. Mais. Vivi uma festa eterna durante a Copa, descobri novos lugares na minha amada Buenos Aires, comecei meu primeiro emprego como jornalista graduada, me apaixonei por Itatiaia, comi o melhor dogão, na Praça Espanha de Curitiba, mais uma vez.

Saio de 2014 com o que foi planejado para mim finalizado. Cresci, estudei, cresci, me formei, cresci, trabalhei, cresci. Em 2015, uma nova vida se inicia, uma vida planejada por mim, com muitas expectativas e pouca (ou nenhuma) previsão. Estou indo para São Paulo participar do CAJ e espero não voltar. Pelo menos, não tão cedo. Vou conhecer novos caminhos, trombar em novas pessoas, aprender uma linguagem completamente nova. Estou empolgadíssima. 2014, obrigada por me preparar.

Mulher com câncer terminal realiza sonho e se casa antes de morrer

mulhercomcancer

Nos últimos tempos, várias mulheres com câncer tem realizado o grande sonho de se casar antes de morrer. Desesperadas por estarem em estágio terminal da doença, se vestem de noiva, convidam os queridos mais próximos e, dentro mesmo do hospital, vão ao encontro do amor de suas vidas para selar a união. Já aconteceu em Manaus, em várias cidades dos EUA, e, agora, na China.

Não querendo meter o meu dedo nos sonhos de ninguém, mas já metendo: sério mesmo, mulherada? Entre todas as maravilhas que o mundo tem a lhes oferecer, vocês querem gastar os poucos minutos de vida que lhes resta casando com homens que já são seus companheiros? Dentre tantas opções, o que mais lhes apetece é vestir vestido branco, véu e grinalda e registrar perante a lei a união com aquele com quem já estão unidas há muito tempo? Poxa…

Cada vez que leio uma chamada dessas, ao invés de me emocionar, sinto um cadinho de desesperança. Casamento é legal, é uma festividade interessante, um ritual muito bonito, mas é mesmo – ainda – o grande sonho da maioria das mulheres? O MELHOR dia de suas vidas? (Afinal, existe “o melhor” dia de nossas vidas? Não são vários os dias extremamente especiais?)

O que me assusta não é o tal do grande amor ser tão valorizado, e sim esse desespero que muitas, muitas mulheres tem em poder dizer “eu me casei”. Se fosse o meu caso, o que me faria feliz de verdade seria experimentar comidas que não conhecia, ou viajar para um lugar com paisagens de tirar o fôlego.

Cada um sonha com o que quer, eu sei, mas que mundo mais interessante seria este em que vivemos se as manchetes de casamentos urgentes fossem substituídas por outras mais estimulantes: “americana toca guitarra em festival para 200 mil pessoas e realiza último sonho antes de morrer” ; “baiana em estado terminal lança livro com fotos que tirou ao longo da vida em viagens pelo mundo” ; “paranaense com câncer faz sua última apresentação de ballet: ‘foi uma despedida linda’, comemora”. Que vida mais interessante essas mulheres poderiam ter tido se sonhassem com algo maior do que com arrumar um marido.

As três melhores serenatas da história do cinema

Todo mundo se acha sabichão. Um acredita que tem o direito de escolher as 10 melhores séries de TV de todos os tempos, outros se sentem especialistas dignos de selecionarem os 50 melhores restaurantes do mundo todo, tem gente até que se arrisca a publicar uma lista com as cinco melhores posições sexuais para engravidar. Já que é assim, eu também quis compartilhar meu conhecimento. Sou sabichona em comédia romântica e é isso que eu tenho a oferecer a vocês:

As três melhores serenatas da história do cinema

1.
Música “Can’t take my eyes of you”
Intérprete: Heath Ledger
Filme: “10 coisas que eu odeio em você”

10things

Durante a aula de educação física de Kate (Julia Stiles), uma voz misteriosa e maravilhosa surge dos alto-falantes do ginásio. “You are just too good to be true, caaan’t take my eeeeyes of you”. Todos param de jogar o que quer que estivessem jogando e olham ao redor à procura do responsável por esse momento sublime. “You’d be like heaven to touch”. E então surge Patrick (Heath Ledger) – “I wanna hoooold you so much” – descendo completamente seguro de si o cano que suporta os alto-falantes de onde saem a sua voz.

“At long last love has arrived”. Ele é lindo. “And I thank God I’m alive”. Ele usa o cabelo todo bagunçado. “You’re just too good to be true”. Ele é o maior bad boy da escola. “I can’t take my eeeeyes off you”. Ele aponta para Kate – que normalmente finge não estar nenhum pouco interessada nele – com a testa toda enrugada em sinceridade e um sorriso que dá vontade de subir a arquibancada e arrancar um beijo daquela boca linda.

“Pam nã, pam nã, pam ná, pam pam”. A banda da escola entra em ação. Trombones, pratos, flautas e boa vontade se unem na melodia da música originalmente interpretada por Frankie Valli. Enquanto isso, Patrick, que normalmente está muito ocupado tentando manter sua fama de mau, se esparrama pela arquibancada com uma dancinha não menos charmosa que seu sorriso.

E começa o refrão! “I looove you baaaaabyyyyy”. Patrick canta, Kate olha para os lados para ver se é com ela mesmo, Patrick corre pela arquibancada, Kate sorri, Patrick continua cantando, Kate continua sorrindo. Patick senta devagarzinho enquanto solta a frase final. “Let me looooove yoooooooou”.

Dois seguranças da escola aparecem. Ele tenta fugir enquanto é aplaudido por todos. A banda continua tocando. Os seguranças caem, ele corre cheio de graça, um segurança quase o alcança, ele dá um tapinha na bunda do outro, ele é pego. Patrick é levado para a detenção. Kate se apaixona de vez. E eu também.

2.
Música: “Guantanamera”
Intérprete: Rodrigo Santoro
Filme: “A Dona da História”

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Carolina (Débora Falabella) já está deitada de camisola, quando uma voz deliciosa, acompanhada por uma batida magnífica de violão, invade o seu quarto. “Yo soy un hombre sinceeeero, de donde crecen las palmaaas”. Ela se levanta e vai até a varanda – já sabendo de quem se trata – para também ouvir com os olhos. “Y antes de morir me quieeeeeero echar mis versos del aaaalma”.

Lá está seu amado Luís Cláudio (Rodrigo Santoro), todo vestido de branco, com cara de comunista sonhador, invadindo o seu quintal sem autorização. “Guantanamera, guajira guantanamera”. Carolina sorri apaixonada. “Guantanameeeeeera”. Luís Cláudio, aos seus olhos e ouvidos, se multiplica. “Guajira guantanamera”. Lá está Luís Cláudio tocando violão e cantando, lá está Luís Cláudio tocando atabaque, lá está Luís Cláudio tocando maracas.

“Cultivo una rosa blanca”. Surge um quarto Luís Cláudio logo atrás de Carolina. “En junio como en enero”. Ele começa a beijar o seu pescoço. “Cultivo una rosa blanca”. Ele passa a mão pela sua calcinha. “En junio como en enero”. E Luís Cláudio insiste no pescoço de Carolina com a boca mais cheia de vontade já vista no Rio de Janeiro.

A essa altura, Carolina já deve estar completamente molhada, porque, confesso, eu estou. Mas a cena continua. “Para el amigo sinceeeeeeero”. A mão de Luís Cláudio passeia por debaixo da camisola de Carolina. “Que me da su mano franca”. Carolina perde o ar. Eu já estava sem ar há muito tempo. A música segue para o fim. Guantanamera, guantanemera. E resta, a mim e a Carolina, acalmar nossos corações.

{Depois desse filme, eu nunca mais consegui esquecer o Rodrigo Santoro}

3.
Música: “I’ll be there for you”
Intérprete: Ashton Kutcher
Filme: “De repente é amor”

derepenteéamor

Quando Oliver (Ashton Kutcher) resolve aparecer na porta de Emily (Amanda Peet) para, entre tantos encontros e desencontros, finalmente pedir que eles fiquem juntos, meu rosto já está tão cheio de lágrimas que não tenho como analisar, muito menos descrever, essa cena. Só gostaria deixar registrado que no momento em que ele larga a guitarra, abre os braços e aumenta a voz para a frase “I’ll pray to God to give me one more chance, girl”, a minha vontade é de pular de onde quer que eu esteja diretamente para seus braços e ser a Emily pelo resto da minha vida. Sem mais enrolação, sem mais saudades.

{“When you breathe I wanna be the air for you” é outra frase dessa música do Bon Jovi – que eu nunca havia parado para prestar atenção até assistir esse filme pela primeira vez – que ganhou destaque em meu coração}

Conexão

“A Dona da História” é meu filme favorito entre todos os filmes do mundo.

“Dez coisas que eu odeio em você” e “De repente é amor” são os filmes que eu assistia quase todo final de semana com a minha melhor amiga quando eu tinha uns 17 anos.

Eu nunca havia percebido essa conexão musical entre eles. Vai ver é por isso eu gosto tanto dos três!

Mixtape #20 – Juventude

Gratidão pelo agora !

01- Letters To Cleo – I Want You To Want Me | 02-  Elton Jhon – Tiny Dancer | 03- Banda do Mar – Muitos Chocolates | 04- Cat Stevens – If You Want To Sing Out Sing Out | 05- Regina Spektor – Small Town Moon | 06- Barão Vermelho – Pro Dia Nascer Feliz | 07-  Caetano Veloso – Tropicália | 08- David Bowie – Modern Love | 09- Nina Simone – Ain’t Got No, I Got Life | 10- Tim Maia – Sossego

Mixtape #15 – Clara

Todo sentido do mundo sem fazer sentido nenhum. A mixtape e a menina.

01- Barão Vermelho – Porque a Gente é Assim | 02- Juan Magan – Verano Azul| 03- Legião Urbana – Tempo Perdido | 04- Los Hermanos – Conversa de Botas Batidas | 05- Major Lazer ft. The Partysquad- Original Don  | 06- Rent – Take Me or Leave Me | 07 –  Mc Andinho – Arrasou  | 08- NeverShoutNever – Trouble | 09 – Beyoncé – Love On Top | 10 – The Beatles – Sg Peppers Lonely Hearts Club Band

Bichos soltos do amor

bichossoltosdoamor

Tenho um amigo que chama cada amiga por um título especial: rainha, duquesa, musa, diva… Só eu e a Caca que ele nunca conseguiu encaixar na nobreza. Vai ver é porque não usamos salto alto, nem gostamos de pentear o cabelo. Vai ver tem a ver com uma porção de outras coisas e nenhuma delas é essa. Vai saber.

Outra amiga, querendo nos consolar por não termos berço de ouro, disse que somos as bichos soltos do amor. Porra. Bichos soltos do amor? Cadê o glamour nisso? Cabe nem um pouquinho de finesse dentro da gente? Nem um fiozinho? Vai ver que não. Ou melhor, vai ver que demais.

Pensei melhor e percebi alegria nessa definição. Tem coisa mais linda, mais delicada, mais encantada que esse tal de amor? Tem não. E viver de amar o mundo, não é o combustível mais nobre de todos? Vai ver esse trem de bicho solto do amor tem mais a ver com a gente mesmo. Vai ver não. É isso mesmo. Vem daí a nossa riqueza.

De uma sala cheia, a gente quer todos os pensamentos. Queremos conhecer cada alma, nos encantar por cada pessoa. Nós adoramos amar gente nova. E amar gente velha. E amar esquinas. E amar saudades. A gente ama até aquele amor que doeu de tudo, mas nos foi história. Adoramos amar quem nunca nos amou e amar quem vai nos amar para sempre. Amamos ideias, amamos opiniões. Amamos conflitos, amamos edredom, amamos cabelo cacheado. Bebemos um copo cheio de amor todos os dias pela manhã e, quando o copo está seco, até passamos mal. Fechamos a cara. Azedamos o café. Sem amor, a gente não funciona. Sem dar amor, a gente endurece. Do amor viemos, nele vivemos e, por causa dele, jamais morreremos.

A gente se preocupa mais em dançar do que em tapar a calcinha, preferimos dividir um copo de cerveja com um estranho que ficar sem prosear, adoramos experimentar comidas diferentes em cidades diferentes feitas por pessoas diferentes. O batom borra, o perfume perde espaço para o suor, e nosso sorriso só aumenta. A gente gosta de viver até a última gota. Até a última pessoa. Até acenderem a luz.

Ô coisa boa ser assim. Cabelos ao vento e coração cheio de vontade de conhecer e compartilhar. Tiramos a sorte grande por sermos, por natureza e sem precisar de coroação, bichos soltos do amor. Nosso berço é de confetes.