Londres 2011

Crônica audiovisual sem cronologia nenhuma. Sobre morar em Londres. Imagens capturadas porque eu estava afim, sem nenhuma preocupação técnica e visual. Encontrei esses fragmentos jogados no drive do meu computador antigo – computador que, na verdade, é da minha irmã e eu sequestrei para me dar apoio em Londres. Juntei porque o que é bonito é para ser mostrado e essa cidade, esses meses e essas pessoas são, para mim, bonitas por demais. Mesmo no meio da confusão.

To my lovely mates Andres Bedoya, Angelina Marteli, Alex Kubli, Diana Agudelo, Diana Betancur, Hyunah Song, Mathilde Dumolin, Maira Veneziani, Sergio Bedoya, Swiz Sandy, Tamires Muniz and to my sister Carol Novais.

Está frio

Invernos sempre me lembram você. Não pela época, mas pelo frio que eu nunca sentia quando você se admitia meu. A temperatura diminuía nos termômetros e, enquanto todo mundo corria para colocar um casaco e um par de meia nos pés, eu corria para lhe telefonar. Ninguém nunca conseguiu esquentar meus pés com o corpo como você esquentava com as palavras. Definição de amor, para mim, é isso: pés quentes. E o meu sempre foi gelado sem você.

Eu sinto sua falta de um tanto que só eu sei. Não é falta de idéia de você, é falta de você inteiro. Falta da sua risada alta, dos seus cílios enormes, daquela blusa de gola rasgada que não perdia seu cheiro nem quando passava semanas comigo. Nunca mais ninguém me fez feliz. Já me fizeram companhia, tiraram meu tédio, minha carência, mas, felicidade, ninguém me trouxe. E olha que tentaram, me desejaram, me paparicaram. E olha que eu tentei, viajei, conheci a sogra. Nada. Ninguém é você.

E não tem dessa de “relaxa, isso passa”. Amor nunca passa. Amor é eterno. Pode-se até amar outro mais do que amou aquele, mas o amor tá ali, entre os dois, para sempre. E nosso amor ainda me esquenta, mas fico de pés frios sem você. Se não acredito em amor que passa para quem ama outro mais, o que dizer de mim que nunca mais amei ninguém como te amei? Solitária.

E eu não tenho vergonha de dizer isso tudo. Não tenho vergonha de amar, te amar. Amo e pronto. Não é vexame nenhum amar a pessoa do sorriso mais bonito do mundo. Não é vexame amar alguém que só soube te fazer feliz e fez parte dos melhores dias da sua vida. Não é vexame nenhum amar assim quem ainda te olha com o mesmo olhar de amor dos tempos do maior amor do mundo. Não é vexame amar quem vai ser seu para sempre, mesmo não sendo.

Ainda estou aqui do mesmo jeito, daquele meu jeito, com aquele meu olhar. Ainda sinto as mesmas coisas, tenho os mesmos medos, sonho os mesmos sonhos. Ainda te quero irremediavelmente e adoro brigadeiro. Ainda acredito em nós dois. Não porque te amo, mas porque algumas pessoas simplesmente nasceram para ficarem juntas e tá na nossa cara que esse é o nosso caso.

Bom inverno para nós dois. Me liga.

Então é Natal

Natal passado nós passamos juntos. Eu, você e o tempo gelado que fazia no meu apartamento em Londres. Aquecedor meio estragado, a francesa que morava comigo visitando a avó em Lisieux e meu primeiro Natal longe dos meus pais. Tudo perfeito para ser uma desgraça, mas é impressionante como você consegue colocar graça em tudo! Salva por um gaúcho, quatro anos mais velho, formado em arquitetura e apaixonado por pintura. Salvo pela pele mais quente que já me tocou, pelo cheiro mais gostoso que eu já senti e pelo amor que estava só começando a se instalar no meu peito.

Se alguém me contasse que dava para ser feliz na véspera de Natal comendo comida delivery e tomando vinho de rosca, eu ia achar que a pessoa, no mínimo, estava de gozação com a minha cara. Mas foi uma das noites mais prazerosas da minha vida e eu decidi que meu próximo Natal seria com você, e o próximo, e o próximo, e o próximo… Decidi ao acordar com o pé quentinho no dia seguinte por você ter se ocupado a noite inteira em aquecê-lo com o seu, decidi no meio da sala, mal vestida e cheia de casacos jogados por cima, enquanto sua respiração esquentava a minha nuca. E tive certeza da minha decisão depois que você decidiu que dia 25 de dezembro ficaria marcado para sempre em minha vida, não por ser Natal, mas por causa de nós dois e por tudo que você tinha nos preparado para aquele dia.

E é isso que está me fazendo lhe odiar neste exato instante. É isso que está entalado no meu peito, isso que está deixando os nervos da minha nuca acabarem com o meu conforto geral, isso que se prendeu em mim desde você veio para o Brasil primeiro e parou de dar notícias. Isso de lhe querer tanto, de precisar tanto de você, acabou comigo completamente. E, agora, com a chegada do Natal, isso de lhe amar tanto está declarando o meu fim. E eu quero gritar, e encher o seu mural do Facebook de mensagens desesperadas, e conseguir parar de olhar para as nossas fotos. Mas eu não consigo, eu não consigo deixar você, eu não consigo não querer você, nem por um segundo, nem enquanto eu durmo.

Talvez se você se explicasse, se mandasse pelo menos um ‘cheguei em casa e estou bem sem você, por favor, não me procure’, se você me desse alguma satisfação ou dissesse uma palavrinha qualquer, eu conseguiria seguir em frente. Talvez eu esquecesse a sua voz, os seus dedos, a sua boca. Talvez eu me esquecesse de tudo e mataria meu amor aos pouquinhos. Talvez.

Tenta? Se, algum dia, você já se importou comigo, se, algum dia, alguma palavra que você me disse foi verdadeira, me responde essa mensagem e me liberta de você? Pelo menos tenta.

Nunca gostei tanto do frio

*Esse texto não é baseado em nada além da minha imaginação e em três exigências de um maluco aí…

Esse frio me faz lembrar aquele inverno. Aquele em que todo mundo foi pra Tiradentes e nós resolvemos ficar só pra aproveitar que todo mundo não tava. E que aproveitada! Nunca senti frio com tanto calor novamente. Nunca uma panela de brigadeiro com frutas foi tão gostosa. Nunca gostei tanto de assistir A Dona da História (e você sabe o quanto eu gosto e assisto a esse filme).

E mesmo as minhas saudades me fazendo sentir seu perfume gostoso nitidamente no ar, meu cheiro favorito na nossa história é o de Doritos Original. Que cheiro! Inundava a casa e sujava o sofá. E inundávamos a casa e sujávamos o sofá…

Sete dias, um apartamento e nós dois. O que mais eu poderia pedir? O que mais eu insisto em pedir? Sinto saudades de tudo. De cada segundo, de cada suspiro, de cada cookie com calda.

Até da sua mania de dinossauros dancing to eletro-pop like a robot from 1984 eu tenho saudades. Você repetia essa frase toda hora que estava muito feliz e fazia a dancinha para comemorar. Até fizemos aquele vídeo! Nunca gastei tanto tempo em um stop motion. Nunca gostei tanto de um stop motion.

Nem me lembro mais do que veio antes ou depois. Não tanto quando me lembro daqueles dias. E, quanto mais frio fica, mais nítida a semana fica. Acho eu é meu corpo exigindo a sua volta.

Nunca gostei tanto de uma semana. Nunca gostei tanto de alguém.

Sobre o frio

Eu tenho sentido menos falta e reclamado menos, mas é que agora tá friozinho… Tá friozinho e me deu vontade de ser esquentada, me deu vontade de ficar juntinho, me deu vontade de ter vontade de alguém. Já estamos em maio e ninguém interessante apareceu. Ninguém só para gastar o tempo, dar risada e fazer carinhos. Ninguém só pra sentir esperança e atiçar a minha imaginação. Ninguém.

Já estou há tanto tempo cem por cento solteira que estou começando a me esquecer de como é estar junto. Só me lembro que é gostoso, bem gostoso. É gostoso e quentinho. E eu estou precisando tanto de um quentinho… Ninguém quer me fazer companhia, não? Só até o frio passar!

Fazemos assim. Nos conhecemos, nos esquentamos, nos aproveitamos e depois viramos grandes amigos. Aí ficamos só com as lembranças e com as saudades, pode ser?
Então é isso, novato, estou te esperando. Só pra gastar o tempo, só pra ficar quentinha…