Ser adulto é dificílimo, mas não pelos motivos que eu pensava

Eu achava que a parte mais difícil de ser adulto era conseguir pagar os boletos em dia. Quem me dera! Fechar o mês do azul pode até ser complicado, mas nada é tão sofrido quanto dar conta das nossas crises emocionais por conta própria.

Tive um início de 2016 bem merda, porém o resto do ano compensou por cada lágrima de desespero. Em 2017 está rolando o contrário. O ano começou leve e, ultimamente, tem entregado só pedrada. Contudo, com um agravante: está todo mundo mal.

Outro dia uma amiga chegou lá em casa para me dar colo e, quando viu, estava chorando. “Desculpa, é que também não está fácil para mim”. Tem sido assim em qualquer encontro com as pessoas que gosto.

Um refletindo sobre pedir demissão, a outra infeliz no namoro, um infeliz no namoro e pensando em pedir demissão. Isso fora quem levou um pé na bunda, começou a ter crises de pânico ou está pensando em voltar para a cidade natal.

Confesso que não me lembro da última vez em que passei uma semana inteira feliz. Choro no banho, antes de dormir, escondida no banheiro da editora e, até mesmo, na minha mesa de trabalho quando tudo fica mais pesado. “Tô resfriada”, digo tentando disfarçar. Nariz vermelho virou meu padrão.

Estou tentando ativamente sair dessa. É verdade. Voltei para a terapia, me dou o direito de comer delícias sempre que estou com apetite, converso com as pessoas envolvidas – quando possível – em busca de soluções. Eu faço a minha parte, entretanto parece que a vida resolveu me aplicar provas para testar até onde a minha força vai.

A última aconteceu ontem. Acordei para baixo e resolvi que a melhor maneira de resolver isso era sair para uma caminhada. Minha vontade era mesmo de fazer brigadeiro e ficar escondida debaixo das cobertas, mas fui mais forte. Tirei a poeira do meu tênis de ginástica e segui para o Minhocão – um dos meus lugares favoritos na cidade.

Pareceu funcionar. Escutando funk, subi a rampa animada. No entanto, antes mesmo de chegar ao próximo acesso ao elevado, um cara passou de bike e puxou meu celular. E foi assim que, pela segunda vez em quatro meses, vi meu telefone ir embora de bicicleta. Com o agravante de, desta vez, eu ainda estar pagando por ele.

Devia ter sucumbido às cobertas desde o princípio, pois foi lá que passei o meu resto do domingo. Sem fome, sem vontade me mover. Se eu tivesse 15 anos, teria recebido o colo da minha mãe e lá ficaria até o desejo de desaparecer do mapa passar. Agora, o que ouvi foi: “Escolheu morar em um lugar perigoso, agora aguenta”.

Não existe colo depois dos 23. Existe uma pilha de louça esperando para ser lavada, existe meditar antes de dormir e acordar secando as lágrimas para ir trabalhar como se nada de errado estivesse acontecendo dentro de você. Existem os amigos. Às vezes. De resto, sobra mesmo é muita solidão.

“Você precisa encontrar a felicidade internamente”, muitos gostam de dizer. Eu sei. Mas isso é difícil enquanto a nossa energia interior está baixa. É duro quando só depende de você fortalecê-la – e tudo ao redor insiste em lhe por para baixo.

Ser feliz é uma luta diária e, na vida adulta, solitária. Atualmente, assim que consigo me levantar de novo, passa um moleque de bicicleta e leva todas as forças que juntei desde o último tombo. Eu sei, as coisas vão melhorar. Como sempre. Para todos nós. Porém, fica a pergunta ansiosamente desesperada: quando?

“13 reasons why” é pesada, mas necessária

*contém spoilers

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Eu não sou especialista. Não estudei psicologia, nem tenho a menor noção de psiquiatria. Então o texto que se segue são apenas impressões de uma garota que já sentiu sentimentos parecidos com os de Hannah Baker, mas, definitivamente, nunca pensou em se matar.

Minha primeira reação ao começar a assistir 13 reasons why foi “cara, que menina mandona”. Peguei bode da Hannah dando ordens e culpando seus colegas por ter se matado. Porém, ainda no primeiro episódio, o quadro mudou de figura.

Hannah deu seu primeiro beijo e, no dia seguinte, já era chamada de vadia pela escola. Foi só um beijo. Ela e o cara haviam tido uma paquera legal, o dia foi divertido e terminou com um beijo rápido no parquinho. Mas a vontade de se encaixar fez com que o menino espalhasse boatos sobre aquela tarde – e isso desencadeou em uma série de outras mentiras que trouxeram consequências graves para a vida da garota.

Continuei a série pensando “legal, muito disso realmente acontece na escola, é importante falar, mas por que a galera está tão chocada?”, até que cheguei na parte pesada. Os relatos de Hannah são doídos de acompanhar, porque são reais. Todas as semanas, garotas bêbadas são estupradas nas escolas e universidades, todos os meses, garotas sóbrias também. No entanto, esses acontecimentos – presenciados e vividos – são apenas a gota d’água final em um mar de desgraça e solidão na história da protagonista da série.

Não sei se você se lembra como se sentia quando era adolescente. Nem sei se, por acaso, seus sentimentos se pareciam com os meus. Mas eu era bem sozinha. Estava sempre rodeada de amigos, entretanto era completamente solitária. Não faço ideia se minha mãe se recorda: em muitas noites, eu chorava pedindo para nos mudarmos de cidade, pois eu não era feliz na minha escola e porque as minhas amizades nunca mais seriam como as que tive na infância.

Isso não quer dizer que eu não fui feliz na adolescência. Eu fui. E muito. Tive momentos inesquecíveis, vivi experiências as quais daria tudo para repetir. Mas eu também sofria. A sensação de me sentir deslocada doía mais do que as piadinhas imbecis dos meus colegas playboys. Em casa, era chamada de mal-humorada e dramática. Na escola, a minha fama era de efusiva, porém o “dramática” continuava me acompanhando.

Por essa razão, cada vez que alguém na série dizia “a Hannah era muito drama e eu não estava afim de lidar com aquilo naquele dia”, eu pensava em mim e nos meus amigos. Certamente, a maioria já teve esse sentimento em relação a mim. Se estou um pouquinho triste, resolvo sozinha. Vejo filmes, como brigadeiro, me maquio de palhaça. Entretanto, quando estou na merda, transbordo. Ninguém dá muita bola, só minha mãe. Quando as crises de choro não passam, ela insiste para que eu ligue para a minha terapeuta. Quatro sessões depois, estou novinha em folha.

Por isso, repito: jamais pensei em me matar. Nunca fui diagnosticada com depressão. No entanto, eu já tive momentos em minha vida em que me senti no fundo o poço, sem esperança – e foi justamente nesses momentos que as pessoas queridas mais se afastaram de mim. Lembro-me apenas de uma vez em que minhas amigas interviram e instistiram para que eu procurasse ajuda. E, de novo, quatro sessões de terapia depois, eu já estava forte novamente.

O problema é que algumas pessoas não conseguem recuperar suas forças da mesma forma que eu consigo. Elas chegam ao fundo do poço e por lá ficam. A reação de quem está por perto, normalmente, é não dar bola. “Isso é drama, já passa”. Não passa. Nem sempre passa. Quem está assim não tem forças nem mesmo para pedir ajuda, quanto mais para se salvar por conta própria. E os amigos se afastarem só torna tudo pior.

Apesar de, inicialmente, não ter gostado da atitude de Hannah de culpar os amigos por seu suicídio, no fim, eu compreendi a importância da forma como a narrativa foi construída. A adolescente fictícia não se matou por causa deles, ela se matou porque muita merda aconteceu enquanto ela passava pela fase mais solitária e insegura da sua vida. Ela se matou porque não dava conta de suportar tudo aquilo sozinha.

É por isso que eu acredito na importância de 13 reasons why ter virado série. Assustou muita gente, não assustou? As linhas de atendimento do CVV foram descobertas por muitas pessoas que precisam de ajuda, enquanto uma galera se atentou para a importância de se estender a mão – o ombro, os ouvidos, o colo e os dois braços – para quem precisa.

Repito: não sou especialista, não sei falar sobre as implicações que a série pode trazer para quem está na beira do abismo. O que sei é que muita gente agora vai pensar duas vezes antes de dizer que um amigo “é muito drama” e simplesmente dar as costas. Os sentimentos negativos não tendem a melhorar. É preciso de um empurrãozinho – e, às vezes, mais do que isso – para que quem está no fundo do poço consiga olhar para cima e reúna forças para retornar ao topo.

Para mim, esta é a mensagem de 13 reasons why: seja um estímulo positivo na vida das pessoas, não o contrário; seus amigos precisam de você. Espero que ninguém se esqueça dela quando o hype chegar ao fim.

O meu 2016 começa agora

2016

A vida tem dessas. Depois de ondas enormes de felicidade, é preciso lidar com dolorosos períodos de descontentamento. E foi isso que me aconteceu nesse início de ano.

2015 foi um ano completamente transformador e sem nenhum traço de tédio. Eu me mudei de cidade, fiz novos amigos incríveis, enfrentei dois engrandecedores desafios profissionais, participei de eventos espetaculares e fui muito, muito feliz. Tão feliz que ignorei com facilidade as diversas pedras que iam surgindo no meu caminho. Até que a conta chegou.

A intensidade foi tanta que 2015 não terminou no dia 31 de dezembro. Durante os três primeiros meses do que vocês já chamavam de 2016, eu me encontrei em um enorme abismo de finalizações. Basicamente, fui engolida por minha própria ansiedade enquanto experienciava o termino de dois elementos de grande importância na minha vida.

Nesse tempo, precisei suportar os derradeiros meses do projeto ao qual entreguei todo o meu sangue ao longo do ano que se passou, enquanto tentava segurar minhas apreensões em relação ao meu futuro como jornalista. Ao mesmo tempo, precisei lidar com a mente complicado do meu atual ex, que não tinha coragem de me deixar partir, mas também não queria mais ficar ao meu lado.

Por mais que eu pareça forte e já tenha sobrevivido a muitos desastres emocionais, dessa vez, eu fiquei sem forças. Perdi a fome pela primeira vez na vida em janeiro, chorei durante todas as noites de fevereiro e, ao longo de março, tentei controlar as lágrimas que insistiam em saltar dos meus olhos durante o horário de trabalho.

Eu me perdi de mim. Não vou negar que dei algumas risadas sinceras nos últimos três meses, mas a enorme nuvem de desesperança que me rodeava ofuscava as boas lembranças assim que os acontecimentos empolgantes chegavam ao fim.

A minha sorte é que, na vida, longos períodos de sofrimento também costumam ser automaticamente substituídos por ondas de felicidade em abundância. E parece que esse novo mar, agora, está começando a molhar os meus pés. Enfim os resquícios de 2015 ficaram para trás. Finalmente o meu 2016 vai começar.

Pode vir, ano novo! Estou mais forte do que nunca.

Perdi o medo do futuro

medo

Hoje, enquanto caminhava para o supermercado, fui criticando as calçadas da cidade de São Paulo e percebi, que apesar delas serem tortas, quebradas, terríveis e terem me feito passar uma semana de muletas após torcer o pé, eu estou perdidamente apaixonada por minha vida nesta cidade. Posso, inclusive, afirmar que tenho sido extremamente feliz.

Desse pensamento, parti para outro. Essa “minha vida neste cidade”, atualmente, se resume a procurar um apê fixo – está tudo incrivelmente caro ou insanamente pequeno – e um emprego, já que meu curso na Abril acabou e eu ainda não tenho um novo destino. Ou seja, o cenário atual da minha vida não parece nada promissor.

O fato é que, apesar dos pesares, pela primeira vez na vida, eu não estou com medo. Percebi isso, ainda ali, entre as calçadas desreguladas e mal cuidadas da minha nada barata atual vizinhança. Aquele sentimento desesperador de que tudo vai dar errado, não me acompanha mais. Finalmente, eu estou tranquila quanto ao meu futuro. Ufa!

Quando eu estava entrando na pré-adolescência, minha mãe me mudou de colégio e eu tive a certeza de que aquele era o fim da minha vida. Sai do meu conforto, do dia a dia com meus amigos de anos, do lugar onde eu conhecida todo mundo e tirava total em todas as provas, para a escola com mais playboy por metro quadrado de Belo Horizonte.

Na nova escola, eu acabei fazendo amigos, mesmo sem querer. Muitos amigos. No entanto, passei três anos com medo das provas de matemática e mais três tendo pesadelos com os exames de física. Foram seis anos sofrendo a cada semestre, a cada nota abaixo da média, a cada vez que meus pais precisavam assinar meus boletins.

Chegado o terceiro ano do Ensino Médio, veio o terrível vestibular. Foi uma época pavorosa. Engordei 8kg de tanta ansiedade. Ja que eu tinha me decido por um curso que não agradava o meu pai, o mínimo que eu precisava fazer era entrar na faculdade que ele queria, a UFMG. A minha vida podia não ter acabado quando me mudaram de escola, mas, dessa vez, ela chegaria ao fim caso meu nome não aparecesse entre os selecionados, de 2010, da Federal.

Eu imaginava o quanto meu pai ficaria decepcionado caso eu não conseguisse. Não ia pagar uma faculdade particular, não ia me dar mais um tostão que não fosse para o cursinho. Adeus cinema, adeus amigos, adeus reparos no computador. E, mesmo se ele pagasse, como eu poderia aceitar qualquer dinheiro vindo dele depois de desaponta-lo tanto? No fim, deu tudo certo, e nós nunca vamos saber se esse meu drama tinha fundamento.

Como as aulas de jornalismo só começavam em agosto, terminada a escola, passei um semestre tentando tirar carteira de motorista. Foram quatro tentativas. Mandei bem na primeira vez, e não passei. Nas outras três, deixei o medo me dominar e dirigi chacoalhando mais que o bumbum da Carla Perez durante os anos 1990. Eu não sabia dirigir, eu estava jogando fora o dinheiro do meu pai, eu era um desastre. Eu passei.

À essa altura, eu já tinha entrado na faculdade. Nesse tempo, tive medo de não conseguir ir de intercâmbio, medo de não decidir qual área do jornalismo eu queria seguir, medo de me apaixonar e jamais conseguir curar meu coração depois de mais uma decepção, medo de nunca mais me apaixonar, medo de não conseguir estágio, medo de me afastar dos meus amigos da escola até parar de ter notícias deles, medo de pedir dinheiro para o meu pai. Medo de tudo, muito medo. Sobrevivi. Quase tudo deu certo, e o que não deu, deu certo também.

No fim da faculdade, tive medo de não conseguir emprego. Conseguido o emprego, tive medo de não entrar no Curso Abril. Terminado o Curso Abril, já não tenho mais medo de nada. A vida jamais esteve tão boa. O futuro nunca me pareceu tão incrível, mesmo ainda não tendo forma. Estou mais segura do que nunca. Segura das minhas decisões, segura de que vou conseguir tudo o que eu quero. E, se não for assim, eu descubro outro querer. Eu encontro outros caminhos. Só sei que, de São Paulo, ninguém me tira. Só se for para ir mais longe.

Apaixonada por histórias de amor

apaixonadaporhistoriasdeamor

Hoje eu parei de trabalhar para assistir Malhação. O motivo, bobo para a maioria, mas importantíssimo para mim, era que a virada dramática na história do meu casal favorito da temporada tinha começado no fim do capítulo anterior. Uma tragédia! A menina descobriu que o início do namoro – um dos mais fofinhos e divertidos de todas as temporadas (e olha que eu acompanhei quase todas) – tinha começado com uma mentira. O bafafá, o chororô e a tentativa de reconciliação, aconteceriam hoje e eu não podia perder. Eu, na verdade, torcia para que os autores desistissem de fazer essa história ser revelada para ela, já que a relação dos dois tava linda demais de ser admirada. Não foi assim, e lá estava eu, às 17h45 de uma quarta-feira, interrompendo a apuração de uma reportagem para ver drama romântico em Malhação.

Chegando em casa, terminei de ler Simplesmente Acontece, o livro que eu só comprei porque decidi que o filme homônimo vai ser o meu favorito do ano e que eu não podia chegar despreparada ao cinema. Comprar esse livro, aliás, foi a primeira coisa que eu fiz ao chegar em São Paulo. Desde que eu assisti o trailer pela primeira vez, no fim de janeiro, estou ansiosa pela estréia do filme no dia 5 de março. Primeira porque assisti uma segunda vez, uma terceira, uma quarta… A história é sobre dois melhores amigos que se gostaram a vida inteira – desde crianças – e nunca se declararam um para o outro por medo do outro não sentir o mesmo. O filme é melhor que o livro, eu aposto, porque, apesar de delicioso, o livro não tem sotaque inglês, e sotaque inglês sempre deixa tudo melhor. De tanto assistir comédia romântica, virei profissional no gênero. Saco muito do assunto e não vou estar enganada quanto a essa love story.

Tudo isso para dizer que, ainda no ônibus, no caminho entre a editora Abril e meu lar provisório, eu comecei uma reflexão sobre eu mesma, meu coração e meus pensamentos. Cheguei à conclusão de que eu amo as histórias de amor como quem adora filmes de fantasia e aventura. Não “adora” do mesmo jeito que eu adorava Peter Pan aos 13 anos e deixava a janela do meu quarto aberta para no caso dele aparecer para me salvar de virar adolescente. Eu adoro histórias de amor da mesma forma que alguém gosta de Jornada nas Estrelas ou de Senhor dos Anéis. Eu não acredito que nada disso vá acontecer na minha vida, mas sou encantada pelas narrativas causadas pelo amor – sejam elas ficcionais ou não.

Alguns gostam de futebol, outros são alucinados por Rock n’ Roll. Já ouvi falar de gente nova que lê tudo sobre os anos 1950 e de gente velha que fica com o coração acelerado toda vez que compra revistas de histórias em quadrinhos. Algumas pessoas não param de falar sobre aviões, mesmo não podendo pilotá-los por serem daltônicas. Tem gente que passa o dia inteiro vendo imagens de gatinhos na internet. Alguns são lunáticos por dinossauros e fósseis, outros nunca saírem do Brasil, mas sabem tudo sobre cultura japonesa. Cada um tem seu assunto assunto favorito, o meu são as histórias de amor.

Eu adoro fazer aniversário

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Quando pequena descobri que eu tinha nascido no mesmo dia do meu aniversário. Eu fiquei maravilhada. Como eu podia ter nascido exatamente no dia mais legal de todos os dias existentes? A única coisa que me chateava era quando, no dia seguinte da minha festa de aniversário, minha mãe respondia que ainda faltava um ano para o próximo. Um ano? Um ano é tempo demais, mamãe.

Agora, vinte e três aniversários (exatamente no mesmo dia que eu nasci) depois, eu ainda fico abaladíssima em ter que esperar mais 365 dias para soprar as velinhas e receber abraços especialmente apertados. Um ano parece não passar nunca.

E por que aniversariar é tão bom? Eis a minha lista de motivos:

– Minha irmã e minha mãe invadem o meu quarto meia noite para entregarem abraços e colarem um sorriso na minha cara que durará o dia inteiro;

– O dia fica com cara de parque de diversões e a água com gosto de felicidade;

– O moço do correio sempre aparece com algumas flores enviadas por gente que quer me ver muito feliz mesmo não podendo me dar um abraço pessoalmente e elas enfeitam o meu quarto por semanas;

– Eu consigo reunir minhas pessoas preferidas na mesma hora, no mesmo local, comendo os mesmos docinhos e compartilhando as mesmas danças (eu adoro ver minhas galeras interagindo);

– Um monte de gente bacana pensa em mim e me deseja um tantão de sentimentos e acontecimentos extremamente deliciosos do fundo do coração;

– Amigos queridos que não vejo há muito tempo aparecem para me lembrar que nós vamos ser importantes um na vida do outro pelo resto de nossas vidas;

– Minha mini biblioteca pessoal, minha maleta de maquiagem e meu pseudo armário são atualizados por amigos e familiares de extremo bom gosto;

– Eu ganho um monte de cartas e cartões mágicos que me farão viajar no tempo daqui há 20 anos quando eu abrir minhas caixas de cartas;

– Atualizo as minhas fotos usando uma roupa linda, abraçando queridos maravilhosos, e exibindo um sorriso do tamanho do meu coração (para também viajar no tempo daqui há 5, 10, 30 anos);

– Percebo que se tem tantas pessoas engajadas em me fazer sentir especial nesse dia é porque eu devo ser especial para elas de alguma maneira. E ser especial para alguém é bonito demais;

– Etcetera ………………..

Obrigada humanidade por adorar celebrações. Eu também adoro. Obrigada meus pais pela vida. Obrigada o mundo todo por me fazer querer viver cada dia mais. Obrigada a todos que fazem da minha vida uma das vidas mais bem vividas de toda a história das vidas e por me darem tantos motivos para amar comemorar o bendito dia em que eu nasci. Ano que vem a gente se reúne de novo. Enquanto isso, comemoro emocionadíssima o dia de vocês, os próximos 364 melhores dias da vida que só perdem para 30 de agosto.

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As melhores pessoas do mundo reunidas  na mesma hora, no mesmo local, comendo os mesmos docinhos e compartilhando as mesmas danças no dia 30 de agosto <3

Uma história meia boca que não é da conta de ninguém

Eu adoro ficar em casa. Ler. Dançar na frente do espelho. Fazer bagunça na cozinha. Bodar. Bodar. Bodar. Adoro. O único problema é que, em alguns momentos da minha vida, eu faço isso demais. Por exemplo, agora que acabei de mudar o meu status de estudante para desempregada. Ficar em casa é tipo minha nova função. A galera enlouquecida com o fim de semestre, e eu extasiada com o poder do cochilo pós leitura pós almoço. Depois de duas semanas nesse ritmo, decidi que é hora de visitar museus, procurar umas pautas, correr pelos campos, abraçar paredes grafitadas. Se não fosse um detalhe: segunda-feira eu tiro o siso. Ou seja, nem a academia pré almoço eu vou poder frequentar e minha vida vai ser sorvete, bodar, bodar, açaí, bodar. Queria, então, um final de semana de despedida. Sexta-feira foi ótimo! Mas sábado… Passei o dia chamando todo mundo que eu conheço pra sair comigo (mentira, chamei só meus grupos de amigos do WhatsApp) e não consegui ninguém. Para piorar minha situação, estava passando “Homem Aranha 2” enquanto meus amigos respondiam que tinham mais o que fazer do que sair comigo – ou simplesmente não respondiam. O filme é tão ruim e ser a única sem ter mais o que fazer é tão horrível que eu fiquei deprimida. Meu ânimo só melhorou quando minha irmã ligou avisando que estava vindo para casa e ia alugar uns DVD’s. Agora o sábado ia valer a pena, eu e meu cunhado íamos ver filmes enquanto minha mãe e minha irmã dormiam depois de comerem a maior parte da pipoca. Só que, em uma casa com três televisões de igual qualidade, minha mãe decidiu assistir à novela das nove justamente na única TV que tem aparelho de DVD. Como eu já li, já dancei na frente do espelho, já baguncei a cozinha, e já bodei, bodei, bodei o sábado inteiro, vim fazer a única coisa que me restava: escrever essa ladainha.

Boa noite.

ps. Se você leu esse texto até o fim é porque está numa situação de tédio pior do que a minha, então fica aqui a dica da única coisa interessante que fiz o dia inteiro: assisti aos vídeos do Rafucko. Esse cara definitivamente transforma qualquer bodada em algo útil para a cabeça.

Mixtape #15 – Clara

Todo sentido do mundo sem fazer sentido nenhum. A mixtape e a menina.

01- Barão Vermelho – Porque a Gente é Assim | 02- Juan Magan – Verano Azul| 03- Legião Urbana – Tempo Perdido | 04- Los Hermanos – Conversa de Botas Batidas | 05- Major Lazer ft. The Partysquad- Original Don  | 06- Rent – Take Me or Leave Me | 07 –  Mc Andinho – Arrasou  | 08- NeverShoutNever – Trouble | 09 – Beyoncé – Love On Top | 10 – The Beatles – Sg Peppers Lonely Hearts Club Band

Apesar de adulta (para reler aos 50)

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Comecei este ano com muito medo de morrer. Com a morte vem o fim de tudo o que batalhamos. E para que batalhar, se vamos morrer? Não existe resposta confortável e isso vinha me deixando muito melancólica ultimamente. Conversando com a minha terapeuta, chegamos a seguinte conclusão: isso tudo é medo de virar adulta. É verdade, eu tenho pavor de crescer. Odiei precisar fazer 13 anos e agora estou apavorada com isso de formar na faculdade, procurar um emprego, ganhar minha independência. E se todos os meus planos não passarem de imaginação? E se eu virar um adulto ressentido que diz “na sua idade eu também tinha essa ilusão”? Tenho horror a essas possibilidades. Pior que morrer de corpo e alma, é morrer só de alma.

Como não posso salvar o futuro neste exato momento, nem amanhã ao acordar, resolvi fazer uma lista de coisas que eu gostaria de fazer antes dos cinquenta, e a primeira delas é continuar viva. Se, aos cinquenta, eu voltar aqui para ler essa lista, é porque eu ainda valho a pena. Se não, eu espero estar sendo feliz ao meu novo modo, apesar de apática (ou desmemoriada). E que eu vá além.

Que nos próximos 28 anos, eu consiga: publicar uma reportagem de quatro páginas em uma revista que tenha fãs, ter uma sessão de crônicas em algum lugar com leitores e salário, morar em cinco cidades diferentes, conhecer Barcelona, contar histórias para meu filho, filha, filhos antes de dormir, respeitar a individualidade desses filhos e ter o diálogo aberto com eles sobre todo tipo de assunto. Gostaria também de não me afastar da minha irmã, ter paciência com os meus pais e suas manias cada vez mais marcantes, amar alguém de um jeito melhor do que amei na adolescência (mesmo não durando para sempre), ter, pelos menos, três melhores amigos das antigas ao meu lado.

Coisa que eu já faço e gostaria de continuar fazendo até e depois de lá: colocar as mãos nos pés com as pernas esticadas, observar o céu e sentir-me alumbrada, comer brigadeiro com pipoca, amar cachorro quente, tirar fotos, editá-las e revelá-las, ser eclética nas amizades, nas músicas e nos costumes, ficar contente ao tomar café, cantar a plenos pulmões enquanto dirijo, dançar na rua quando a música for muito boa, ir ao cinema sozinha satisfeita com a companhia de uma coca-cola 500ml, escrever.

Mais do que tudo, eu quero respeitar os sonhos dos mais novos – bem como os dos mais velhos – e quero poder ajudar a todos que me pedirem socorro. Seria também extremamente interessante se minha ansiedade continuasse diminuindo, sem que eu perdesse a paixão pela vida. Dito isso, agora eu posso viver em paz. Meus pensamentos ganharam o mundo. Pelo menos o mundo de quem se importa o suficiente para ter lido até aqui. Sei que essa Clara está a salvo dentro de vocês. Espero que ela também se salve dentro de mim.

Bichos soltos do amor

bichossoltosdoamor

Tenho um amigo que chama cada amiga por um título especial: rainha, duquesa, musa, diva… Só eu e a Caca que ele nunca conseguiu encaixar na nobreza. Vai ver é porque não usamos salto alto, nem gostamos de pentear o cabelo. Vai ver tem a ver com uma porção de outras coisas e nenhuma delas é essa. Vai saber.

Outra amiga, querendo nos consolar por não termos berço de ouro, disse que somos as bichos soltos do amor. Porra. Bichos soltos do amor? Cadê o glamour nisso? Cabe nem um pouquinho de finesse dentro da gente? Nem um fiozinho? Vai ver que não. Ou melhor, vai ver que demais.

Pensei melhor e percebi alegria nessa definição. Tem coisa mais linda, mais delicada, mais encantada que esse tal de amor? Tem não. E viver de amar o mundo, não é o combustível mais nobre de todos? Vai ver esse trem de bicho solto do amor tem mais a ver com a gente mesmo. Vai ver não. É isso mesmo. Vem daí a nossa riqueza.

De uma sala cheia, a gente quer todos os pensamentos. Queremos conhecer cada alma, nos encantar por cada pessoa. Nós adoramos amar gente nova. E amar gente velha. E amar esquinas. E amar saudades. A gente ama até aquele amor que doeu de tudo, mas nos foi história. Adoramos amar quem nunca nos amou e amar quem vai nos amar para sempre. Amamos ideias, amamos opiniões. Amamos conflitos, amamos edredom, amamos cabelo cacheado. Bebemos um copo cheio de amor todos os dias pela manhã e, quando o copo está seco, até passamos mal. Fechamos a cara. Azedamos o café. Sem amor, a gente não funciona. Sem dar amor, a gente endurece. Do amor viemos, nele vivemos e, por causa dele, jamais morreremos.

A gente se preocupa mais em dançar do que em tapar a calcinha, preferimos dividir um copo de cerveja com um estranho que ficar sem prosear, adoramos experimentar comidas diferentes em cidades diferentes feitas por pessoas diferentes. O batom borra, o perfume perde espaço para o suor, e nosso sorriso só aumenta. A gente gosta de viver até a última gota. Até a última pessoa. Até acenderem a luz.

Ô coisa boa ser assim. Cabelos ao vento e coração cheio de vontade de conhecer e compartilhar. Tiramos a sorte grande por sermos, por natureza e sem precisar de coroação, bichos soltos do amor. Nosso berço é de confetes.