A melhor decisão da minha vida

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Eu tinha dezesseis anos quando me disseram que era hora de começar a decidir com o que eu gostaria de trabalhar pelo resto da minha vida. Eu tinha dezesseis anos, muitas paixões e pouquíssima noção de qual profissão poderia me fazer feliz. Minha irmã estudava engenharia química, meu pai era um ex-engenheiro civil dono de lojas e minha mãe havia acabado de fechar sua confecção de roupas para dar aulas de Yoga. Observando minha família eu percebi que, no fim, a faculdade nem sempre define todo o nosso futuro. Percebi também que eu não queria ser nem engenheira, nem empresária, nem professora de Yoga. Eu precisava encontrar o meu próprio caminho.

Com o vestibular à vista, passei tardes e tardes refletindo sobre quais atividades me atraíam. Na escola, eu adorava as aulas de história, redação e artes. Fora dela, eu já havia feito diversos cursos. Canto e guitarra eram as aulas extras da época, mas, apesar da clave de sol tatuada no ombro direito e da minha enorme força de vontade, eu sabia que não tinha talento para música. Tentei olhar mais para trás e pensei nos meus dez anos de balé e jazz. Eu adorava! Mas, realmente, para mim a dança não passava de um hobby.

Indo mais fundo, lembrei das minhas aulas de teatro e do meu antigo sonho de ser atriz. Mais que atuar, eu adorava teatro, cinema e televisão. Cinema e televisão! Boa! Seria o máximo estudar cinema ou algo relacionado à TV. Eu também adorava fotografia e sonhava secretamente em ser escritora. Finalmente! Agora eu tinha possibilidades um pouco mais concretas.

Enquanto essas ideias rondavam minha cabeça e meu coração, dei de cara com a página que – eu ainda não sabia – mudaria a minha história. “Quer fazer parte da Galera Capricho?”, dizia o anúncio estampado na Revista Capricho, minha favorita na época. “Por que não?”, pensei. Preenchi o formulário sem botar muita fé e acabei me esquecendo do assunto.

Um tempo depois, recebi um telefonema da Karol Pinheiro, na época estagiária da revista e “mãe” da Galera. Eu e outras noventa e nove meninas havíamos sido selecionadas entre mais de 12 mil candidatas para talvez ser umas das 30 integrantes da Galera Capricho. No fim, depois de conversar com todas por telefone, ela acabou se decidindo não por 30 meninas, mas por 33, e uma delas era eu! E foi assim, entrando para a Galera Capricho, que começou o meu encanto pelo jornalismo.

Ajudar os repórteres da Revista nas mais diversas atividades me fez perceber que, como jornalista, eu não precisava abandonar o cinema, a televisão e a fotografia. Melhor: eu poderia escrever sobre eles. E também sobre muitos outros temas. A cada matéria, um mundo novo a descobrir.

Ingressei, então, no curso de Comunicação Social da UFMG e meu entusiasmo pelo jornalismo aumentou ainda mais. Quanto mais eu conhecia sobre a profissão, mais eu queria fazer parte dela. Ser jornalista, afinal, não se tratava apenas de conhecer mais sobre o mundo, mas de fazer o mundo se conhecer melhor.

Porém o golpe fatal da paixão veio mesmo durante as “Jornadas de junho”. Percebendo a dificuldade em acompanhar as manifestações no Rio e em São Paulo e imaginando que o mesmo aconteceria em Belo Horizonte, eu e alguns amigos criamos uma página no Facebook para centralizar as informações de quem estava nas ruas presenciando tudo, a “BH nas Ruas”.

A página hoje tem quase 95 mil seguidores e foi modelo para muitos outros coletivos de cobertura colaborativa surgirem ao redor do Brasil. Chamamos a atenção não só do público, mas também de profissionais e estudiosos da área que ficaram curiosos para entender como a nossa cobertura funcionava. Nós também ficamos maravilhados com a nossa criação e a experiência acabou virando livro.

E foi assim, dormindo pouco, mas fazendo um trabalho de extrema relevância para a minha cidade, para o meu país e para a minha formação, que eu percebi que não poderia mais viver de outra forma: eu seria jornalista pelo resto da minha vida. Essa foi a melhor decisão que já tomei.

* Texto aprovado na primeira fase de seleção do CAJ 2015 (Curso Abril de Jornalismo). Selecionada, fui entrevistada e definitivamente aprovada. Em janeiro, estou indo para São Paulo vivenciar 45 dias intensos de muito aprendizado e alegria.