Muito bom isso de sentir o agora

Eu gosto assim. Desse jeito de agora. Com minha bochecha direita encostada no seu peito esquerdo. Eu gosto do cheirinho que tem a sua nuca, mesmo quando o banho já está quase vencendo. Eu gosto assim, exatamente assim. Com sua mão esquerda na minha cintura, enquanto a minha mão esquerda mexe na sua orelha direita.

É raro esse sentimento de perceber que estamos exatamente onde gostaríamos de estar. Em geral, ficamos confortáveis com os espaços e situações que ocupamos na nossa rotina. Podem não ser os melhores do mundo, mas a vida segue e a gente não raciocina sobre aquilo. Mas momentos como este, agora, não são corriqueiros. “Caralho, era exatamente aqui que eu queria estar” é algo que eu só sinto quando estou aqui, no seu peito esquerdo. Ou quando consigo reunir mais de 15 amigos no mesmo evento, é verdade.

É… Acho que comparar a alegria que toma conta da parte mais quentinha do meu coração quando sinto a sua pele grudada na minha com a felicidade que bate quando reúno a minha galera pode ser a coisa mais romântica que eu já defini na vida. Mesmo que não haja romance nenhum nisto aqui. Mesmo que seja só nós dois, deitados olhando para o teto, sem pensar que é amor, mas sabendo que é uma delícia independentemente do que seja.

Faz bem te ter aqui. Debaixo da mesma coberta que eu, com seu braço esquerdo em volta de mim todinha, enquanto o meu braço direito fica para trás para impedir que a gente se sufoque. Eu prefiro assim. Com meu nariz encostando na sua nuca e sentindo o seu cheiro de sempre. Mesmo que dure apenas cinco minutos. Nem que seja pela última vez.

Na dúvida, ame. Apenas não se deixe afogar.

na duvida ame

Quando eu te vi pela primeira vez, eu tive certeza que estava diante do homem mais bonito do mundo. Certeza absoluta. Por isso, tive medo quando você se mostrou tão interessado em sair comigo pela primeira vez. Um homem tão bonito assim não poderia estar realmente atraído por mim. Então eu fugi.

No entanto, o destino sabe muito bem onde nos reencontrar quando tentamos desviar dele e, repentinamente, você reapareceu. Meses depois. Mais lindo do que nunca. E, dessa vez, eu resolvi dar uma chance para nós dois. Um encontro, afinal, que mal faz?

Você era ainda melhor do que eu pensava. Sua empolgação em defender as suas ideias, o seu olhar carinhoso ao me observar, seu modo de se vestir tão diferente do meu. E logo ali, na primeira cerveja, eu me apaixonei. Intensamente, bizarramente, inesperadamente.

Fui dormir torcendo para que a gente se visse outra vez. Logo. O mais rápido possível. Assim, imagine a minha felicidade quando, no dia seguinte, você disse que, por você, a gente já se via naquela noite. Um sorriso imenso se tatuou no meu rosto. Porém, preferi esperar mais um dia. Ir com calma.

Uma noite depois, já estávamos juntos outra vez. O que se passava dentro de mim era tão impetuoso, tão assustadoramente real que, a cada segundo ao seu lado, eu sentia mais medo por carregar tão forte sentimento no meu peito. Das outras vezes em que havia me sentido assim, meu coração se estraçalhou tão seriamente que nunca me recuperei cem por cento.

Não demorou muito para você dizer que me amava. Levado pelos vários copos de cerveja, pensei. A minha vontade era de te beijar até acabar o ar dos meus pulmões e colar a minha pele na sua de uma forma que a gente não se soltasse nunca mais. No entanto, meus traumas me fizeram responder que era melhor a gente ir mais devagar. E hoje sei que, naquele dia, eu te matei um pouquinho por dentro.

O tempo foi passando e eu fui tendo cada vez mais certeza: eu não poderia mais viver sem você. Te imaginei ao meu lado em todos os momentos futuros da minha vida, me imaginei ao seu lado em todos os desafios que você precisasse enfrentar. Ia ser eu e você para sempre. Eu só não tinha coragem de demonstrar isso. Sabia que, uma vez aberto o meu coração, não tinha volta e você poderia fazer o que quisesse com a minha alma. Era melhor me certificar que, pela primeira vez na vida, eu pisava em terra firme.

Com as comemorações de fim de ano, precisamos nos afastar por um tempo. Ambos já tínhamos feito planos para aquela época antes de nos conhecermos. Eu fui para a minha cidade, você foi para a praia. O que era para ter sido apenas duas semanas de saudade, transformou o nosso amor em desespero. Para os dois. A minha insegurança, à essa altura, havia te contagiado e você perdeu as forças que, com muito esforço, tentava manter para ter confiança de que tudo daria certo. Ficamos ambos vulneráveis. Fracos.

Era paixão demais, fazendo os receios e a distância transformaram os nossos diálogos em enormes falhas comunicativas. Eu não te entendia e você interpretava tudo o que eu dizia de outra maneira. Cansada de sofrer e com medo de os nossos bate bocas nunca terminarem, resolvi dar um fim a nossa história. “Você tem certeza isso?”, você me perguntava sem parar. Não. Nenhuma. Mas respondi que sim.

Os dias seguintes se passaram com a mesma velocidade com que uma missa se arrasta. Você mandando mensagens: saudades. Eu tentando ao máximo não me sentir afetada pelas suas palavras: vai passar. Então descobri que você já estava com outra pessoa. Na praia, as paixões se incendeiam rápido, não é mesmo? Ela era uma menina tão cheia de inocência e vulgaridade que se meteu em lugares do seu Facebook que me pertenciam. Fiquei possessa.

Fui ao perfil dela e encontrei, sem nenhuma dificuldade, as suas palavras. Te amo, você dizia. Te amo. Meu coração explodiu. Enquanto meu sangue se espalhava sobre todo o meu corpo, minha cabeça dizia “Eu sempre soube que isso ia acontecer. Não devia ter caído nessa. Como posso ter sido tão estúpida?” repetidas vezes, sem parar. Me culpei intensamente por um problema seu, não meu. Uma fraqueza sua.

No entanto, o que você não sabia era seu poder de me deixar assim. Eu nunca deixei claro o quanto eu te amava. Sempre tentei te manter o mais longe possível dos meus sentimentos. Por mais carinhosa que eu fosse, você não conseguia perceber o amor que eu sentia. Foi necessário ver meu coração destroçado por sua causa para compreender toda a imensidão que havia dentro de mim.

Foi preciso me destruir por dentro para você perceber o meu amor. Por isso te perdoei. Demorou alguns dias, até eu limpar todo o sangue que havia sobre mim. Contudo, quando você se mostrou tremendamente arrependido e simultaneamente machucado com aquela situação, decidi relevar. Com isso tudo, percebi que o medo não nos protege de nada, só da felicidade, e me empenhei em retomar a nossa história. Catei os pedaços do meu coração e te entreguei todos eles para que pudéssemos ser felizes.

Não aconteceu. Nós nos machucamos de um jeito tão visceral que os meses seguintes só serviram para nos destruir ainda mais. Dessa vez, eu tentei ser mais paciente. Era sua vez de estar inseguro. Suportei seu desprezo, aceitei todos os sinais de afeto. Me entreguei completamente, de um jeito que não me entregava assim desde os meus 14 anos, quando me apaixonei pela primeira vez.

Defini: eu era sua e você era meu. Nada ia nos separar. Eu aguentaria todos os seus maus momentos até que você voltasse a ser o cara que não tinha medo de me amar. Tentei ser forte. Perdi a fome. Fui dormir todas as noites chorando. E não me importei. O fato de você me amar e de eu sentir o mesmo com a mesma intensidade bastava.

Nós, muito em breve, voltaríamos a ser feliz. Eu tinha certeza disso. Seria uma felicidade tão grandiosa que o céu nunca mais ficaria escuro durante o dia e as noites seriam cada vez mais estreladas. Uma felicidade tão imensa que qualquer um que a presenciasse seria feliz para sempre também. Uma felicidade nossa, só nossa, que mudaria o mundo.

No entanto, assim como eu aprecio a alegria, você é encantado pela melancolia. Não consegui vencer o seu amargor pela vida e percebi que continuar nessa batalha não te faria mais contente, apenas me deixaria mais infeliz. Isso seria uma derrota para nós dois. Foi, então, que decidi ir embora. Por mais que eu quisesse ficar. Para sempre. A vida toda. Precisei partir. De uma vez por todas. Para o bem de nós dois.

Agora estou aqui completamente sem você. O meu coração nunca tinha ficado tão pequeno. É a primeira vez que amo com cem por cento de reciprocidade, porém de uma forma tão destrutiva. Nós ainda nos pertencemos, eu tenho certeza disso. Só não vamos mais ficar junto. E o motivo não poderia ser mais surreal: somos extremamente apaixonados um pelo o outro. Um sentimento tão absurdo que não soubemos como cuidar dele sem nos afogar.

Preferi subir em meu barco e partir antes que não houvesse mais nenhum traço de contentamento em meu corpo. Espero que agora seja mais fácil para você subir em seu barco também, pois única coisa que me faria mais feliz do que viver ao seu lado, seria você finalmente encontrar algum tipo de felicidade. Boa sorte.

Saudades. Te amo.

* imagem do filme “Mr. Nobody”. 

Não preciso que você esteja em casa para que eu me sinta novamente ao seu lado

Processed with VSCOcam with f2 preset

Eram cinco da manhã, eu não fazia a menor ideia do que estava fazendo, mas fiz. Entrei no seu apartamento como quem entra na casa dos pais que moram em outra cidade. Em momento nenhum me senti uma intrusa. Afinal, mesmo oito meses após o fim do nosso namoro, eu ainda tinha a chave. Bastou destrancar as fechaduras e, voilá, seu universo estava de volta à minha frente.

A parede da sala continuava verde esmeralda do jeitinho que a gente pintou. Seu sofá se manteve com o mesmo tecido desgastado de sempre. Suas revistas espalhadas pela mesa de centro, aquele poster minimalista do Homem Aranha pregado perto da cozinha, seus sapatos usados amontoados no canto esquerdo à porta de entrada para não contaminar o resto do apartamento com a sujeira da rua. Tudo continuava igual.

Você não estava em casa, mas isso não me pareceu ser um problema. Tomei um copo d’água, escovei os dentes com a sua escova e me joguei na sua cama. Na cama que quase foi nossa, que praticamente tem a marca do meu corpo no lado direito do colchão por termos passado tanto tempo deitados nela. Adormeci.

Na manhã seguinte, acordei com um sorriso no rosto. Alegria de quem acorda com cheiro de café espalhado pela casa, apesar de não ter aroma algum realmente vindo da cozinha. Só aquele cheiro de sempre pairando pelo ar, aquele cheiro todo seu. Bálsamo. O meu cheiro favorito no mundo todo durante seis anos. Quer dizer, talvez ele ainda seja meu predileto até hoje. Nunca inspirei nada tão alegre.

Olhei ao meu redor, observei cada canto do seu quarto e fiquei pensando sobre nós. Não sei como passei tanto tempo sem contato com sua vida. Notícias suas sempre chegam, é claro. Acho que minha lista de amizades não se renovou muito desde o nosso término. Parece que a sua também não. Alguém sempre comenta que esteve com você “outro dia”. Só eu nunca mais vi você.

Por quê? Não entendo o motivo de estarmos tão afastados. Nós éramos deliciosamente compatíveis. Nosso fim não foi dramático. Você decidiu que precisava focar no fim da sua dissertação de mestrado. Eu decidi que não tinha mais paciência para assistir Netflix quase todas as noites do final de semana. Sentia falta do barulho das pessoas conversando no bar, de dançar até minhas pernas bambearem, de observar o dia chegando enquanto a cidade se iluminava.

Você precisava ficar mais quieto. Isso eu compreendi. Eu só não quis ficar te assistindo concentrado no computador, quando meu corpo e minha mente estavam cheios de energias ansiosas para serem dispersas pelo mundo. Eu precisava vivenciar esse meu momento. Você precisava se focar no seu. Decidimos que o jeito mais tranquilo disso não nos desgastar era pararmos de nos ver. E paramos.

Sua dissertação foi um sucesso, ouvi dizer. Parabéns. Muitos parabéns! Não mandei recado, presente ou mensagem, porque, assim que fiquei sabendo, minha vontade foi de vir correndo até seu apartamento. Quis te encher de beijos, dizer “eu sabia!”, chorar de felicidade, te abraçar tão apertado, mas tão apertado, que eu nunca mais ia querer soltar. Então não vim.

Guardei minhas vontades de um jeito que não fui capaz de armazenar os desejos que senti 5 meses antes, quando te deixei ali, parado em frente à porta aberta desse apartamento, me olhando como se nunca mais fosse me ver, mas com um semblante de quem preferia me contemplar sempre quando quisesse. Quase o tempo todo, como sempre foi. Saí, não olhei para trás. Porém, essa imagem nunca saiu da minha cabeça.

Enfim, cá estou, às 14 horas e quarenta e três minutos, do domingo de hoje, escrevendo esta carta de dentro da sua cozinha enquanto tomo uma caneca de café com um pouquinho de leite. (A propósito, estou usando aquela azul com desenhos de nuvens que sempre me encantou por sua imensidão)

Não sei onde você está, com quem passou a noite e quais atividades você normalmente tem feito aos domingos à tarde. Isso não importa. O que eu sei é que a porta se manteve aberta para mim. Você não trocou a fechadura e seu apartamento continua tendo cara de nosso — o meu também não perdeu muito esse aspecto. Talvez as coisas entre nós nunca mais sejam como foram, talvez elas nunca tenham deixado de ser.

Eu continuo a mesma menina que gosta de ler com a perna enroscada na sua, aprecia flores encontradas na calçada e sente saudades de morar em Madrid. Pelo que comentam sem prestar muita atenção na minha presença, você não abandonou o hábito de preparar, todas as sextas-feiras, café da manhã para o porteiro, e continua adorando comprar CDs dos seus artistas favoritos, mesmo não tendo aparelho para reproduzi-los.

Até onde eu sei, são grandes as chances de que a gente continue sendo inebriante compatíveis. Seria perfeito se você me desse a chance de conferir se isso é verdade. A chave do meu apartamento você ainda tem, notei que continua dependurada no mesmo lugar na sala, então é só aparecer por lá quando der na telha. Caso sinta vontade.

Estarei involuntariamente te esperando.

Banda do Mar para mim é privilégio

bandadomar

Sou fã tardia de Los Hermanos. Em um fim de tarde de 2007, tocou “Sentimental” no carro da minha irmã e minha vida ganhou eternamente mais poesia. Lembro do meu susto ao perceber que outras pessoas conseguiram traduzir em música a minha respiração. Menos de dois meses depois, a banda se separou.

Sem probabilidade de vê-los se apresentando ao vivo, continuei navegando por suas músicas. Os caras sabiam descrever a essência dos meus sentimentos como ninguém. Os caras mandavam muito. Fiquei perdidamente encantada.

As músicas do Amarante combinavam mais com a minha energia de garota de 16 anos, mas, um tempo depois, vi a música mais chata da dupla Sandy & Junior se transformar completamente através da voz e do violão de Marcelo Camelo. “As Quatro Estações” foi salva por um mestre. Quis Camelo para sempre na minha vida.

No meio disso tudo, conheci a Mallu Magalhães. Uma menina de cabelo mal cortado e um jeito mais estranho que o meu. Desengonçadamente encantadora, não tinha o menor jeito para dar entrevistas. Não era preciso. Sua música folk-rock-loka era o suficiente e eu adorava tchubirabar com Mallu.

Mallu esta que pouco tempo depois gravou uma canção com ninguém mais, ninguém menos que o mestre, Marcello Camelo. “Janta” era minha canção favorita do primeiro disco solo do hermano, “Sou”, maravilhoso do início ao fim. Não era a toa que “Janta” me envolvia tanto. A música era um flerte quase óbvio entre os meus melhores artistas de 2008 e, pouco depois do lançamento do disco, os dois assumiram o romance.

De lá pra cá, fui em vários shows do Camelo, em shows da Mallu e até mesmo em shows da Los Hermanos – abrindo para o Radiohead no Rio, arrasando no SWU e me fazendo arrepiar em Belo Horizonte. De lá pra cá, só gostei mais e mais dos dois, fosse juntinhos ou separados. A música de Mallu melhorou com a produção de Camelo, Camelo se deixou ser mais criativo na companhia de Mallu. Até que surgiu a Banda do Mar.

Que presente para esse louco 2014! Que presente para a minha vida! Marcelo e Mallu se juntaram em uma banda só e ainda chamaram um português bom de batida para fazer parte. Banda do Mar, a minha nova banda favorita. Uma banda que coloca Marcelo Camelo para dançar já no primeiro clipe, uma banda que junta muito do que eu gosto bastante e me fez lembrar que aqui dentro ainda pulsa um coração apaixonado.

Anunciado o show em Belo Horizonte, com dois meses de antecedência, fui uma das primeiras a comprar o ingresso. Apesar da ansiedade, confesso que eu não tinha a mínima noção do quanto eu seria feliz na noite do dia 30 de novembro. Foi surreal.

Os dois estavam plenamente sorridentes dividindo o palco, felicidade que irradiava diretamente na gente-público. Músicas da Banda do Mar, dos discos solos de ambos e do Los Hermanos se juntaram no setlist mais gostoso que já ouvi tocar. Os três usavam uma roupa preta de malha sem nada especial, mas pareciam vestir o céu do mundo inteiro. Estavam maravilhosos.

A cada música, um misto muito louco de sentimentos. Eu chorava enquanto sorria, sorria enquanto gritava, e cantava, cantava muito, todas as músicas, sem parar. E, durante as quase duas horas de apresentação, eu fui feliz para sempre. E talvez eu ainda seja.

bandadomar2

Trechos (de músicas tocadas) favoritos no meu coração:

“Eu tenho céu de abril
Pra desentristecer
Serei o que sobrar de mim
Sem nada a perder” – Me Sinto Ótima

“Se eu estou aqui é por acaso
E pra te ver passar” – Solar

“Uma vida inteira pra viver
Ou um só segundo pra lembrar” – Pode Ser 

“O teu olhar abriga o universo”- Mia

“Olha, menininha, eu tenho que dizer
Tudo o que eu faço é só por você
Aonde você for
O que você quiser, eu dou

Mas olha, menininha, eu peço por favor
Tudo o que eu faço é pelo seu amor
Cê sabe como é, por baixo desse véu
O que você quiser” – Faz Tempo 

“Posso estar só
Mas sou de todo mundo” – Doce Solidão

“Pode falar, não me importa
O que tenho de torta
Eu tenho de feliz” – Velha e Louca

“Eu sei que é complicado amar tão devagarinho
E eu também tenho tanto medo” Olha Só, Moreno

“Eu, eu quero me bordar em você.
Quero virar sua pele,
Quero fazer uma capa,
Quero tirar sua roupa.” – Sambinha Bom

“Meu bem, você pra mim é privilégio” – Seja Como For

“Trago nesses pés o vento
Pra te carregar daqui
Mas você sorri desse jeito
E eu que já perdi a hora e o lugar
Aceito.” – Vermelho

“Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá”  – Janta

“Prefiro assim com você
Juntinho sem caber de imaginar
Até o fim raiar” – Morena

São muitas, mas não são todas. Obrigada Marcelo, Mallu & companhia por tudo e mais.

As três melhores serenatas da história do cinema

Todo mundo se acha sabichão. Um acredita que tem o direito de escolher as 10 melhores séries de TV de todos os tempos, outros se sentem especialistas dignos de selecionarem os 50 melhores restaurantes do mundo todo, tem gente até que se arrisca a publicar uma lista com as cinco melhores posições sexuais para engravidar. Já que é assim, eu também quis compartilhar meu conhecimento. Sou sabichona em comédia romântica e é isso que eu tenho a oferecer a vocês:

As três melhores serenatas da história do cinema

1.
Música “Can’t take my eyes of you”
Intérprete: Heath Ledger
Filme: “10 coisas que eu odeio em você”

10things

Durante a aula de educação física de Kate (Julia Stiles), uma voz misteriosa e maravilhosa surge dos alto-falantes do ginásio. “You are just too good to be true, caaan’t take my eeeeyes of you”. Todos param de jogar o que quer que estivessem jogando e olham ao redor à procura do responsável por esse momento sublime. “You’d be like heaven to touch”. E então surge Patrick (Heath Ledger) – “I wanna hoooold you so much” – descendo completamente seguro de si o cano que suporta os alto-falantes de onde saem a sua voz.

“At long last love has arrived”. Ele é lindo. “And I thank God I’m alive”. Ele usa o cabelo todo bagunçado. “You’re just too good to be true”. Ele é o maior bad boy da escola. “I can’t take my eeeeyes off you”. Ele aponta para Kate – que normalmente finge não estar nenhum pouco interessada nele – com a testa toda enrugada em sinceridade e um sorriso que dá vontade de subir a arquibancada e arrancar um beijo daquela boca linda.

“Pam nã, pam nã, pam ná, pam pam”. A banda da escola entra em ação. Trombones, pratos, flautas e boa vontade se unem na melodia da música originalmente interpretada por Frankie Valli. Enquanto isso, Patrick, que normalmente está muito ocupado tentando manter sua fama de mau, se esparrama pela arquibancada com uma dancinha não menos charmosa que seu sorriso.

E começa o refrão! “I looove you baaaaabyyyyy”. Patrick canta, Kate olha para os lados para ver se é com ela mesmo, Patrick corre pela arquibancada, Kate sorri, Patrick continua cantando, Kate continua sorrindo. Patick senta devagarzinho enquanto solta a frase final. “Let me looooove yoooooooou”.

Dois seguranças da escola aparecem. Ele tenta fugir enquanto é aplaudido por todos. A banda continua tocando. Os seguranças caem, ele corre cheio de graça, um segurança quase o alcança, ele dá um tapinha na bunda do outro, ele é pego. Patrick é levado para a detenção. Kate se apaixona de vez. E eu também.

2.
Música: “Guantanamera”
Intérprete: Rodrigo Santoro
Filme: “A Dona da História”

adonadahistoria

Carolina (Débora Falabella) já está deitada de camisola, quando uma voz deliciosa, acompanhada por uma batida magnífica de violão, invade o seu quarto. “Yo soy un hombre sinceeeero, de donde crecen las palmaaas”. Ela se levanta e vai até a varanda – já sabendo de quem se trata – para também ouvir com os olhos. “Y antes de morir me quieeeeeero echar mis versos del aaaalma”.

Lá está seu amado Luís Cláudio (Rodrigo Santoro), todo vestido de branco, com cara de comunista sonhador, invadindo o seu quintal sem autorização. “Guantanamera, guajira guantanamera”. Carolina sorri apaixonada. “Guantanameeeeeera”. Luís Cláudio, aos seus olhos e ouvidos, se multiplica. “Guajira guantanamera”. Lá está Luís Cláudio tocando violão e cantando, lá está Luís Cláudio tocando atabaque, lá está Luís Cláudio tocando maracas.

“Cultivo una rosa blanca”. Surge um quarto Luís Cláudio logo atrás de Carolina. “En junio como en enero”. Ele começa a beijar o seu pescoço. “Cultivo una rosa blanca”. Ele passa a mão pela sua calcinha. “En junio como en enero”. E Luís Cláudio insiste no pescoço de Carolina com a boca mais cheia de vontade já vista no Rio de Janeiro.

A essa altura, Carolina já deve estar completamente molhada, porque, confesso, eu estou. Mas a cena continua. “Para el amigo sinceeeeeeero”. A mão de Luís Cláudio passeia por debaixo da camisola de Carolina. “Que me da su mano franca”. Carolina perde o ar. Eu já estava sem ar há muito tempo. A música segue para o fim. Guantanamera, guantanemera. E resta, a mim e a Carolina, acalmar nossos corações.

{Depois desse filme, eu nunca mais consegui esquecer o Rodrigo Santoro}

3.
Música: “I’ll be there for you”
Intérprete: Ashton Kutcher
Filme: “De repente é amor”

derepenteéamor

Quando Oliver (Ashton Kutcher) resolve aparecer na porta de Emily (Amanda Peet) para, entre tantos encontros e desencontros, finalmente pedir que eles fiquem juntos, meu rosto já está tão cheio de lágrimas que não tenho como analisar, muito menos descrever, essa cena. Só gostaria deixar registrado que no momento em que ele larga a guitarra, abre os braços e aumenta a voz para a frase “I’ll pray to God to give me one more chance, girl”, a minha vontade é de pular de onde quer que eu esteja diretamente para seus braços e ser a Emily pelo resto da minha vida. Sem mais enrolação, sem mais saudades.

{“When you breathe I wanna be the air for you” é outra frase dessa música do Bon Jovi – que eu nunca havia parado para prestar atenção até assistir esse filme pela primeira vez – que ganhou destaque em meu coração}

Conexão

“A Dona da História” é meu filme favorito entre todos os filmes do mundo.

“Dez coisas que eu odeio em você” e “De repente é amor” são os filmes que eu assistia quase todo final de semana com a minha melhor amiga quando eu tinha uns 17 anos.

Eu nunca havia percebido essa conexão musical entre eles. Vai ver é por isso eu gosto tanto dos três!

Precisei te deixar

deixarEu precisei ir embora. Enquanto eu te esperava tomar banho, percebi que se eu ficasse mais um minuto naquela cama eu iria querer ficar nela para sempre. E eu nunca fui muito boa com para sempres. Se eu te visse mais uma vez, eu ia querer te ver todos os dias da minha vida, por isso não me despedi.

Ali deitada, fiquei imaginando você saindo do banho com o melhor de todos os cheiros, o cabelo todo molhado e aquela cara de felicidade. Aquela mesma cara de ontem e de anteontem e de todos os dias desde que a gente se conheceu. O sorriso mais lindo do mundo, o olho quase fechando de tanta alegria…

Quando percebi, eu já estava de pé, enfiando na mochila as minhas coisas que aos poucos se espalharam pelos cantos do seu apartamento. Naquele momento, eu me dei conta do quanto as nossas vidas estavam entrelaçadas. Senti que se elas se entrelaçassem por mais alguns minutos, não teria como desembolar. Nunca mais. A gente ia ficar preso um na vida do outro e eu não consegui raciocinar até que ponto isso seria positivo.

Fiquei com medo e vim embora. Medo de ser feliz demais. Medo de tanta tranquilidade. Muito medo. Eu acho que eu percebi a imensidão de tudo o que estava acontecendo entre nós dois e fiquei com medo de me perder nisso tudo. Isso tudo que eu nunca saberei descrever, mas que me fazia sorrir até no trânsito engarrafado. Isso tudo que eu talvez sempre tenha sonhado em ter, mas que era bonito demais para preencher a vida toda.

Vim embora. Trouxe a sua camiseta do The Smiths comigo. Não te ter nem um pouquinho mais talvez me deixasse devastada além da conta, então a tomei como companhia. Espero que você não sinta tanta falta dela. Espero não sentir tanto a sua falta. E que a gente sobreviva.

Reencontro

reencontro

Fazia dois anos que eles não se viam. Dois anos. Dois anos parece pouco tempo quando não é com a gente. Quando é, dizem, parece uma eternidade. Os primeiros meses não seguem a diante e, nos seguintes, a demora do reencontro dá lugar à uma ausência sempre presente. Até que, sem perceber, somos libertados dessa ausência e a vida segue. Segue solta, com cara de oportunidades. Pelo menos foi assim com Clarice e Matheus.

Assim até o dia que se reencontraram. Inesperadamente, na festa de aniversário de um amigo do Matheus que namorava a prima de Clarice. Eles não sabiam dessa coincidência até coincidentemente terem aparecido sábado, 18 de outubro, às 17h, na casa de Alessandro. Alessandro, amigo de Matheus há 8 meses e namorado de Renata, prima de Clarice, há 5. Renata não sabia da amizade, Alessandro não sabia do romance, mas essa história é sobre Clarice e Matheus que não se viam há dois anos e se reencontraram por acaso na entrada do banheiro de uma festa de aniversário.

A última vez que tinham se visto foi para se despedirem. Depois de 7 meses dividindo o sofá em noites de chuva, viajando para festivais de cinema e experimentando a maior quantidade de petit gateau já experimentada na história dos amantes de petit gateau, Clarice foi morar com a mãe em Nova York. Por mais que precisasse do Matheus, ela precisava mais de um emprego. E a verdade é que ela nem tinha consciência dessa necessidade afetiva&espiritual até ver ele saindo pela porta de seu apartamento depois de passarem uma tarde quarta-feira se despedindo. Na quinta embarcou para a cidade que nunca dorme, onde ficou por um ano e oito meses até ser transferida de volta para sua cidade natal. Ao voltar, pensou em Matheus, mas seria muita loucura se ele ainda pensasse nela, nem que fosse de vez em quando como ela ainda pensava nele. Muita loucura depois de muito tempo distantes, então Clarice não o avisou que estava voltando para o apartamento de porta azul e cheiro de canela.

Na quinta-feira depois da despedida, Matheus comeu o petit gateau favorito de Clarice sozinho, na sexta à noite choveu e seu sofá vazio fez a saudade aumentar. Dois anos depois, ainda pensava, mesmo que de vez em quando, como seria se Clarice tivesse ficado, ou como seria se ele também tivesse partido. Pensava rápido e sem autorização dele mesmo, pois sabia que “e ses” não mudam nada, nem fazem feliz. Já não tinha vontade de saber sobre a vida dela, há mais de um ano não conversavam por Facebook, também tinha parado de seguir as atualizações da ex-namorada, mas, uma vez ou outra, sentia sua falta.

Dois anos depois. 18 de outubro. Aniversário do Alessandro. Se reencontraram. Na entrada do banheiro. Clarice tinha deixado o cabelo crescer, Matheus já não usava mais a barba. Ela parecia mais magra, ele parecia mais bronzeado. As alturas continuavam as mesmas, no tamanho exato para se encaixarem. E como queriam se encaixar. E como se desejaram naquele momento. Como se o desejo pouco desejado dos últimos meses tivesse virado um desejo enorme, um desejo só. Clarice ficou sem fala, Matheus sem ação. Respiraram fundo.

“Quanto tempo!”
“Como você está?”
“Não sabia que você estava no Brasil”
“Pois é, fazem quatro meses que fui transferida”
“Hmm…”
“É…”
“Bem, bem vinda de volta”
“Obrigada”
.
.
.
.
.
“Err… Preciso ir ao banheiro, depois conversamos”
“Tá, tá bom…”

Clarice desistiu de ir ao banheiro, Matheus ficou por lá um tempo ajeitando as ideias. Ao longo da festa, trocaram olhares desviados e quase-sorrissos, mas nenhum abraço. Voltaram para casa com uma ausência maior que a da despedida. Clarice quis chorar, Matheus quis telefonar. Respiraram fundo.

Julieta-pés-gelados

julieta

Julieta adora sol e adora frio. Dias azuis abaixo dos 20˚C a fazem muito feliz. Por esse motivo, o mês de maio é seu favorito. Outono no sul do mundo e primavera na outra metade, então fica assim – céu azul e vento fresco – em quase todas as cidades que ela já foi. Só tem um problema: abaixo dos 20˚C seus pés ficam gelados. Não tem meia, nem chocolate quente que os aqueça. Uma boa desculpa para ficar enrolada nas cobertas ou deitada com os pés no sol. Coisas que Julieta adora fazer. Como não dá para ficar assim o dia todo, meias e chocolate quente são suas únicas opções na maior parte do tempo. Por isso Julieta adora meias e canecas. Tem uma coleção.

Teve só uma época abaixo dos 20˚C que ela não precisou usar sapatos. Nem coberta. Nem banho quente. Nem nada. Seus pés ficaram quentinhos uma estação inteira mesmo não sendo verão. Mas desses dias só ela e o Caio entendem, só eles sabem descrever. Já faz um bom tempo, mas a lembrança ainda os esquenta de vez em quando. Foi ele quem lhe deu sua primeira caneca. Era maio, fazia 18˚C e não tinha uma nuvem no céu. Um dos melhores dias da vida de Julieta. Quase tão bom quanto o dia em que ela ganhou seu primeiro salário e comemorou comendo coxinha com catupiry.

O (des)encontro perfeito

badAlgumas pessoas nos são suficiente por três dias, assim como você na minha vida. Não por cansaço, mas porque tem felicidade que cumpre seu ciclo muito rápido.  Duas noites e dois dias. Noites longas, dias curtos. Muitos passos e salgadinhos da lanchonete da esquina. Uma alegria enorme em te ter no mesmo colchão, no mesmo chuveiro, na mesma estação. Uma alegria de três dias, que não faz falta, mas fez história. História de dois pedaços que nunca mais se encontrarão. Pelo menos, não no mesmo endereço. Nem na mesma sintonia.

Que namoro é esse?

namorarpq

Marcela brigava com Jorge todos os dias.
Bruna vivia reclamando das grosserias do Matheus.
Ana Maria morria de preguiça da família do Leandro.
Sabrina não comia direito porque Simão ameaçou terminar caso ela engordasse.
Flávia chorava muito toda vez que Juliano ficava dias sem dar notícias.
Helena perdeu o prazer pelo sexo depois de seis meses com Fernando.
Marina não confiava quando Daniele saía sem ela.
Joana ficava triste toda vez que Alemão implicava com suas amigas.
Amanda deixou de conhecer Amsterdã porque Roberto preferiu ir para o Marrocos com os amigos assistir ao mundial.

Carla não entendia por que elas continuavam namorando.