Mulher com câncer terminal realiza sonho e se casa antes de morrer

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Nos últimos tempos, várias mulheres com câncer tem realizado o grande sonho de se casar antes de morrer. Desesperadas por estarem em estágio terminal da doença, se vestem de noiva, convidam os queridos mais próximos e, dentro mesmo do hospital, vão ao encontro do amor de suas vidas para selar a união. Já aconteceu em Manaus, em várias cidades dos EUA, e, agora, na China.

Não querendo meter o meu dedo nos sonhos de ninguém, mas já metendo: sério mesmo, mulherada? Entre todas as maravilhas que o mundo tem a lhes oferecer, vocês querem gastar os poucos minutos de vida que lhes resta casando com homens que já são seus companheiros? Dentre tantas opções, o que mais lhes apetece é vestir vestido branco, véu e grinalda e registrar perante a lei a união com aquele com quem já estão unidas há muito tempo? Poxa…

Cada vez que leio uma chamada dessas, ao invés de me emocionar, sinto um cadinho de desesperança. Casamento é legal, é uma festividade interessante, um ritual muito bonito, mas é mesmo – ainda – o grande sonho da maioria das mulheres? O MELHOR dia de suas vidas? (Afinal, existe “o melhor” dia de nossas vidas? Não são vários os dias extremamente especiais?)

O que me assusta não é o tal do grande amor ser tão valorizado, e sim esse desespero que muitas, muitas mulheres tem em poder dizer “eu me casei”. Se fosse o meu caso, o que me faria feliz de verdade seria experimentar comidas que não conhecia, ou viajar para um lugar com paisagens de tirar o fôlego.

Cada um sonha com o que quer, eu sei, mas que mundo mais interessante seria este em que vivemos se as manchetes de casamentos urgentes fossem substituídas por outras mais estimulantes: “americana toca guitarra em festival para 200 mil pessoas e realiza último sonho antes de morrer” ; “baiana em estado terminal lança livro com fotos que tirou ao longo da vida em viagens pelo mundo” ; “paranaense com câncer faz sua última apresentação de ballet: ‘foi uma despedida linda’, comemora”. Que vida mais interessante essas mulheres poderiam ter tido se sonhassem com algo maior do que com arrumar um marido.

O WhatsApp está me afastando dos meus amigos

whatsapp

Em janeiro de 2012 eu realizei um sonho: ter WhatsApp. Finalmente eu poderia conversar de graça pelo celular. Com os grupos, matei uma saudade antiga: a dos chats em grupo do MSN. Eles foram a melhor parte da minha adolescência. Eu passava as madrugadas rindo das bobagens provocadas pela falta de sono às 4 da manhã. Também foi nesses chats que me apresentaram algumas das minhas bandas favoritas, bem como aconselhei muitos corações partidos e tive, várias vezes, o meu coração consolado.

Lá em 2012, os grupos do WhatsApp funcionavam quase assim como os do MSN. A diferença é que a conversa rolava a qualquer hora do dia. Eles eram o meu consolo por não poder ver a maior parte dos meus amigos todos os dias. Eu podia estar com eles mesmo sem estar e a gente continuava se conhecendo diariamente. Era até chato quando alguém ainda não tinha smartphone. A pessoa ficava de fora de todas as decisões do grupo e era sempre a última a saber que fulano de tal passou no concurso, conheceu o amor da vida ou estava há uma semana sem falar com os pais.

No WhatsApp de 2012, os amigos conversavam. Falavam e ouviam. Aconselhavam. Comemoravam. Conviviam. Hoje, no WhatsApp de 2014, em que todos os meus amigos estão finalmente conectados, sinto-me cada vez mais sozinha em meio a tanto blá blá blá. Uns só aparecem para pedir conselhos e falar da própria vida (a esses dei o apelido de “egochatos”), outros parecem ter seus preferidos para interagir e só respondem quando eles aparecem. É muito comum o grupo estar parado há 12 horas, então você fala alguma coisa e, um minuto depois, alguém puxa um assunto completamente diferente ignorando e fazendo todos ignorarem o que foi dito por você. E isso não é pessoal. Acontece com todo mundo.

Ainda – raramente – acontecem algumas conversas como as de 2 anos atrás. Todo mundo interagindo, se ouvindo, se gostando. Tento responder a todos e fico triste pra danar quando entro e tem 200 mensagens não lidas por eu não ter participado da conversa. Mas, na maioria das vezes, me arrependo de ter dito qualquer coisa. Já que, na maioria das vezes, quase ninguém dá bola. Uma fala entra depois da outra e ninguém se ouve.

A sensação que me dá, quando a gente finalmente se encontra, é de que não nos conhecemos mais. E talvez não se conheça mesmo. Pelo menos ao vivo fica claro que a gente ainda se gosta de verdade e que esse amor tem grandes chances de durar para sempre. Mesmo que no WhatsApp eu não goste mais tanto de vocês.

Só agora

Não era outono, nem fazia frio, mas eu fiquei carente de você. Fiquei carente da sua mão quente na minha nuca, da sua risada descontrolada e do tanto que você fica lindo quando tenta ficar sério. Fiquei carente de você e só de você. Como naquela terça-feira que você invadiu a minha casa, sedento de mim, e eu estava interessada mesmo era em assistir televisão.

Não houve mão que me esquentasse, risada que me encantasse e rosto tão bonito quanto que me satisfizesse. Quis você de um jeito tão nosso que chegou até a doer. Quis chegar perto, te encher de beijos e ganhar cafuné como se fosse domingo à tarde. Mas era segunda e não tinha você. Não tinha como já há muito tempo. Amor velho, saudade nova.

O pior é saber que nunca mais terá. Não terá você nas minhas fotos de aniversário, muito menos nos finais de semana sem programação. Não terá você como tanto já tive. Nunca mais. Nem por um segundo extra, nem como recordação. Nosso tempo já se foi por completo. Faz tempo, mas eu só notei agora. Só senti agora.

Vai ver é porque só agora me permiti sentir. Só agora me abri para o que já se foi. Involuntariamente. De uma maneira que chega a ser ensandecidamente enlouquecedora. Quando o verão já não é mais colorido e a vontade que dá é de passar o dia trancada no quarto. Com ou sem você.

Tarde demais, mais uma vez.

Tatiana

Tatiana não amava há 987 dias. Era vista, pelos outros e por si própria, como uma coitada. “Que ela pare de esperar, pois quando menos se espera…” – alguns diziam. Seus amigos alegavam que era culpa dela por se fechar demais. Pobre Tatiana, culpada de sua própria solidão!

Cansou de tanto não amar e decidiu reverter a situação. Aceitou a condição de culpada, jogou o medo fora e resolveu cair nos braços de algum rapaz. Saiu com aquele esquisitinho, só porque ele convidou. Puxou assunto com o bonitinho como quem não queria nada, na esperança de mais uma vez. Tentou, tentou, tentou. Não fugiu mais de nenhum mocinho, enfrentou todas as possibilidades de peito aberto. Sem grude, sem desespero, apenas livre de si própria.

O tempo passando, a cabeça leve e todas as oportunidades sendo atendidas, e a menina continuava só. Houve quem tivesse raiva da solidão de Tatiana. Uma moça com tantas qualidades, sozinha há tanto tempo… O mundo só podia estar errado! “Vai ver ela tem chulé” – alguns proclamavam na tentativa de uma explicação. Mas não era de chulé que ela sofria.

“Tem sempre um pé torto para um chinelo velho”, “Um dia ele aparece!” – Não para Tatiana. Ele nunca chegou, nunca ligou, nem mandou bilhetes. Tatiana não se apaixonou, não apaixonou, apenas encantou. Encantou enlouquecidamente mais de uma dúzia de rapazes, mas nunca ficou sabendo. Não era culpada de sua sina, afinal. Era apenas destinada a ela.

Hoje Tatiana vive em um apartamento lindo de viver! Todo colorido, todo pintado de poesia. Fotos na parede registram um mundo extraordinário vivenciado por nossa garota, a cozinha tem sempre comida cheirosa e gostosa, e o sofá é o mais delícia da região! Só a paixão que nunca quis entrar por ali. Houve noites calorosas, palavras ardentes, carinhos tortos. Mas amor, amor mesmo, nunca entrou por sua porta. E não era sua culpa, não era culpa de ninguém, era apenas sua realidade.

Tatiana, 38, ainda sonha.

Quando só restam as fotos

Tem gente que está há um tempão em nossas vidas e não passa de boa companhia, mas você conseguiu ir além e virar uma das pessoas mais importantes da minha vida. Não sei em que esquina essa mudança ocorreu, mas chegou uma hora que eu simplesmente desaprendi a viver sem você. Desaprendi a não ter meu pedaço masculino, aquele pedaço que eu nem sabia que existia, mas que se tornou bem maior do que qualquer um podia imaginar.
 
Esse tipo de amizade que aparece em nossas vidas para suprir a carência, para dar as mãos, para convidar para o cinema e ter quem nos faça cafuné. Esse tipo de amizade que ninguém acredita que é real, nem mesmo a gente, mas que basta enquanto a solidão insiste em nos pegar pela cabeça e tudo que a gente quer é ter alguém para dançar juntinho. Esse tipo de amizade que dura pouco, mas parece que vai durar para sempre.  Foi esse o significado desse meu pedaço que eu já nem tenho mais.
 
E dói perder um pedaço nosso. Dói na primeira vez, dói na segunda e vai doer sempre. É que depois que o pedaço vai embora, sobra aquele vazio, só o vazio. Então logo o vazio é preenchido pela carência e a saudade do amigo que se foi vira só lembrança. Vira lembrança que nem aquela amizade que parecia ser eterna,  e durou apenas o espaço de tempo necessário para um dos dois ter aquele seu vácuo encarregado de  realizar as maiores alegrias preenchido.
 
E é disso que é feita a vida, das pessoas que chegam e que partem. A vida é feita de ciclos, alguns eternos, alguns que se completam. A vida é assim e pronto! Não adianta tentar agarrar tudo que a gente ama pelos dedos, as pessoas simplesmente se vão do mesmo jeito que chegam  e o que nos resta é aceitar. É aceitar e olhar as fotos de um tempo que foi bom, mas que não volta nunca mais.