2015: um segundo por dia

Mudar para São Paulo. Começar a trabalhar na empresa que sempre sonhei. Dividir um apartamento ao lado do metrô com duas amigas. Casamento da minha irmã. Conhecer pessoas incríveis. Ter experiências inesquecíveis. 2015 foi extremamente sensacional. E aqui vai um vídeo de agradecimento a esse ano que foi um marco fundamental na minha vida:

O lugar mais aconchegante do mundo

Eu sempre quis ter um canto meu. Divi o quarto com a minha irmã mais velha por muitos anos na casa da vovó, até ganhar individualidade, aos 9 anos de idade, com a mudança para a nossa própria casa. Desde então, a parede já foi coberta por posters de banda de rock, fotos tiradas por mim, adesivos de libélulas, tinta das mais variadas cores — um de cada vez, ou tudo misturado. Minha cama nunca passou mais de quatro meses na mesma posição, bem como todo o resto da mobília e apetrechos.

Em Londres, tive cinco quartos durante os seis meses que fiquei por lá em 2011.

1) Cubículo de 2m² em casa de família desconhecida – duração: 2 semanas;

2) quarto cheio de poeira e fotos da mesma família desconhecida – duração: 2 semanas;

3) sofá no quarto de casal de uma polonesa amiga da amiga da amiga da minha irmã – duração: 2 semanas;

4) quarto dividido com duas italianas desconhecidas em Portobello Road – duração: 3 meses;

5) flat dividido com amiga paulista, cama e fogão coexistiam no mesmo espaço – duração: 1 mês e meio.

Voltei de lá mais apegada ao meu quarto mineiro do que nunca, mas louca de vontade de ter meu próprio apartamento. Enquanto sair da casa dos meus pais não era uma opção, fui transformando o meu canto no lugar mais aconchegante do mundo.

Em janeiro deste ano, estava me organizando para mudar para São Paulo, e senti que, aos poucos, esse espaço iria deixar de ser tão meu. Resolvi, então, fotografá-lo para eternizá-lo. Assim, aos 30 e poucos anos, encontrarei essas imagens e me lembrarei do quanto fui feliz ali, com meus pensamentos, minhas músicas e meus livros.

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Sexta-feira passada (19.06.2015), fui para Belo Horizonte, deitei nessa cama com cobre-leito de florzinhas, e desabafei com a minha mãe sobre estar assustada — apesar de muito feliz — com as mudanças da vida. Eu vim morar em São Paulo, minha irmã vai se casar em setembro e formar outra família, e talvez fique impossível de algum dia sentarmos os quatro novamente no sofá para assistirmos a novela juntos. Assim que ela apagou as luzes e saiu do quarto, fui surpreendida pelos adesivos de estrelas fosforescentes, que eu mesma colei, transformando o meu teto em céu. E, nessa hora, eu soube que ficaria tudo bem.

Meu quarto mineiro é realmente o lugar mais aconchegante do mundo.