O meu 2016 começa agora

2016

A vida tem dessas. Depois de ondas enormes de felicidade, é preciso lidar com dolorosos períodos de descontentamento. E foi isso que me aconteceu nesse início de ano.

2015 foi um ano completamente transformador e sem nenhum traço de tédio. Eu me mudei de cidade, fiz novos amigos incríveis, enfrentei dois engrandecedores desafios profissionais, participei de eventos espetaculares e fui muito, muito feliz. Tão feliz que ignorei com facilidade as diversas pedras que iam surgindo no meu caminho. Até que a conta chegou.

A intensidade foi tanta que 2015 não terminou no dia 31 de dezembro. Durante os três primeiros meses do que vocês já chamavam de 2016, eu me encontrei em um enorme abismo de finalizações. Basicamente, fui engolida por minha própria ansiedade enquanto experienciava o termino de dois elementos de grande importância na minha vida.

Nesse tempo, precisei suportar os derradeiros meses do projeto ao qual entreguei todo o meu sangue ao longo do ano que se passou, enquanto tentava segurar minhas apreensões em relação ao meu futuro como jornalista. Ao mesmo tempo, precisei lidar com a mente complicado do meu atual ex, que não tinha coragem de me deixar partir, mas também não queria mais ficar ao meu lado.

Por mais que eu pareça forte e já tenha sobrevivido a muitos desastres emocionais, dessa vez, eu fiquei sem forças. Perdi a fome pela primeira vez na vida em janeiro, chorei durante todas as noites de fevereiro e, ao longo de março, tentei controlar as lágrimas que insistiam em saltar dos meus olhos durante o horário de trabalho.

Eu me perdi de mim. Não vou negar que dei algumas risadas sinceras nos últimos três meses, mas a enorme nuvem de desesperança que me rodeava ofuscava as boas lembranças assim que os acontecimentos empolgantes chegavam ao fim.

A minha sorte é que, na vida, longos períodos de sofrimento também costumam ser automaticamente substituídos por ondas de felicidade em abundância. E parece que esse novo mar, agora, está começando a molhar os meus pés. Enfim os resquícios de 2015 ficaram para trás. Finalmente o meu 2016 vai começar.

Pode vir, ano novo! Estou mais forte do que nunca.

quantos filmes sobre natal existem e por quê não estamos falando mal deles

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a praça da liberdade tinha algo de alienígena com a noite e com todas as luzes. eu não tinha cachorro nem filho nem idoso pra desfilar. eu não tinha par. na ida, ainda era dia e consegui desviar – dos sorrisos, das fezes, dos brinquedos, da água, de ser atropelada pelo carrinho de pipoca ou de bebê ou pelo trenzinho. à noite, num segundo pensar, a alienígena era eu. não se deve fumar na frente das crianças. não se deve dar esse desgosto aos mais velhos. não se deve correr assim em tempos de férias. não se deve fumar.

uma faixa de pedestre e informações demais ao meu redor. família, natal, ano novo, cachorro quente, bumerangue de laser. só mais uma faixa de pedestre e eu estaria livre.

“você tá esperando alguém?”, ela perguntou. “não”, respondi. “e você?”, eu deveria ter perguntado. “não se deve ser assim tão sozinha”, ela deve ter pensado.

“moça, é que faz muito tempo que eu não fico sozinha, sem primo, sem coca-cola, sem cloro, sabe? e eu só tô gostando”, eu quis falar. mas enchi a boca de rúcula e brie e mate e brownie. e a cabeça de pensar. será que eu e minhas amigas nos encontraremos na meia idade no cinema num domingo de fim de ano? será que eu vou ser a única sem plástica? a gente vai ter bom humor? ou bom humor-forçado? uma delas inventava uma história para me justificar. “ela deve morar sozinha e acabou de chegar de viagem. de certo visitava os pais”.

a moça ao lado continuava querendo conversar. tomou sua primeira budweiser. 5,5% de álcool, me contou.

não se deve fumar.

Para 2015: resoluções e soluções

para2015

Eu não ia fazer grandes planos para 2015, já que o maior plano da minha vida está começando a se realizar e finalmente estou saindo da casa dos meus pais para traçar o meu próprio caminho. Mas a lista veio vindo por conta própria, sem pedir licença. Decidi, então, registrá-la. São poucas coisas, mas grandiosas.

– Ser menos ansiosa.
Já melhorei bastante nesse aspecto ao longo da vida, mas essa ainda é a maior causa das minhas angústias. Quero viver até a última gota e, por isso, passo muito tempo pensando sobre o futuro e checando ao longo do processo para que tudo seja perfeito. As coisas não são perfeitas, nem precisam ser. Aos poucos a vida é linda.

– Aprender francês.
A poesia de Amélie Poulain e Édith Piaf me fizeram apaixonar pela língua francesa. Depois vieram outros filmes, outros cantores, amigos franceses e suíços que me deixaram ainda mais encantada pela sonoridade e pelos sentimentos que o francês carrega. Quero compreender as músicas que cantarolo, quero apreender detalhes perdidos pela tradução dos filmes, quero incrementar a conversa com uma de minhas melhores amigas. O básico já ajudaria bastante.

– Dar menos atenção aos grupos WhatsApp.
Perco muito tempo respondendo todos os meus amigos, e mais tempo ainda não respondendo propositadamente por ter sido ignorada anteriormente. Preciso valorizar mais as relações diretas e menos a coletividade. A solidão é enorme quando há muita gente em volta.

– Dar mais atenção aos meus pais.
Estou saindo de casa e nossa relação não será mais desgastada pelo dia a dia. Excelente oportunidade para escutá-los mais. Não só o que eles dizem, mas o que gostariam de dizer.

– Me estabelecer em São Paulo.
Meu caminho é para a frente.

– Escrever mais.

Valendo!

Mixtape #21 – Obrigada, 2014

Ano de céus, de sóis, de seres. De ser, se formar; de amar e deixar para trás; de amar e seguir em frente – sempre (:

01- Pena de Pavão de Krishna – Aflorou | 02-  Banda do Mar – Me sinto ótima | 03- Eddie Vedder – Rise | 04- Muse – Feeling good | 05- Caetano Veloso – It’s a long way | 06- Belchior – Sujeito de sorte | 07-  Martinho da Vila – Aquarela Brasileira | 08- The Radio Dept. – Strange things will happen | 09- Megan Trainor Covers – Shake it off | 10- Doces Bárbaros – Fé cega, faca amolada