E se?

Embora difícil de acreditar, João era um cara solitário. Vivia rodeado de amigos, atolado de compromissos, mas sentia falta dela. Ela que ninguém imaginava, mas que tomou João por completo naquela quinta-feira de verão.  Era esse seu segredo: queria a ter sempre por perto desde que se cruzaram naquela festa movimentada. Sempre. E por isso mesmo, só se permitia a tê-la de vez em quando. Já tinha sentido parecido, só nunca tinha sentido assim. Era a primeira vez que João precisava tanto de alguém tão específico. E tinha medo, muito medo, sem nem perceber. Talvez não de ser rejeitado,  mas de ser aceito. Era tudo natural demais. Nas poucas vezes que a via, parecia que ela nunca tinha saído dalí. Se passasse realmente a sempre estar, talvez nunca mais saísse. E se, de tanta companhia, a solidão fosse embora até demais? E se fosse apenas impressão? E se ela não pensasse nele nem mesmo nos sábados mais frios? E se ele não a fizesse nem um pouquinho da falta que ela lhe fazia? E se…

Argh

Eu estou totalmente perdida no mundo. Não que alguém não esteja. Mas isso do mundo ser grande demais e eu ter toda a vida pela frente resolveu me atormentar na última semana. Não tenho idéia do que eu quero da vida. Se queria estar aqui, onde quero estar amanhã. Se quero namorar, se quero morar sozinha, se quero ser jornalista. Não sei de nada. Estou completamente perdida na minha própria vida.

Sempre tive planos para o futuro. Pensava que aos 20 anos eu já estaria no terceiro namorado, teria feito curso de fotografia, terminado o espanhol e deixado as pernas torneadas. Acreditava que aos 20 eu já estaria a caminho de ser alguém. Mas sem namorado, fotografia e espanhol médios e sem pernas torneadas, percebi que não adianta planejar. A vida acontece como quer. Desde então, não consigo fazer plano nenhum.

E quando digo planos, não digo metas. Digo anseios. Motivação. Não consigo me imaginar daqui a 10 anos, cinco anos, um ano. Não consigo imaginar nem mesmo como vai ser semana que vem. Que emprego vou ter, se minhas aulas vão voltar. Se algum dia vou ganhar dinheiro, se vou morar aqui para sempre. Em BH, no Brasil. Se um dia o amor vem, se eu ainda quero esse tál de amor. Não sei. E não sabendo, não prevendo, não pretendendo, o presente fica desnorteado. Gosto de deixar a vida me levar, mas seguir os sonhos ajuda a completar os degraus.

Estou em um ponto emocionalmente que ou eu sento e choro ou eu tomo alguma atitude. Mas não sei que atitude tomar. Não sei o que eu quero para saber todo o resto. Talvez eu quisesse ser super corajosa e desprendida. Arrumar minhas malas e ir para um lugar maior. Aí lá começar uma nova vida. Não uma nova vida programada de seis meses. Uma nova vida completa. Novos círculos de amigos, novos lugares para frequentar, novos caminhos para trilhar. Não que eu não goste do que eu tenho, eu só não sei se com isso eu vou chegar em algum lugar.

E eu tenho mania de intensidade. Quero chegar em um lugar legal pra caralho. Quero ter uma vida insanamente sentida. Quero gargalhar de doer a barriga pelo menos 3 vezes por semana, suspirar de paixão pelo menos duas vezes ao ano e andar de patins na beira da lagoa todos os dias enquanto o sol se põe. Eu quero companhias que tenham mania de intensidade. Que apreciem suspiros apaixonados, gargalhadas descontroladas e que achem o por do sol uma das coisas mais bonitas possíveis de se viver.

Os sentimentos eu já sei quais quero ter, mas, em que encontrá-los, é a minha angústia. As vezes tenho medo de nunca alcançar a satisfação, mesmo que já a tenha alcançado algumas vezes. Tenho medo de não voar alto, de ficar presa a várias coisas com as quais eu talvez não me importe e de ser uma velha frustrada.

É, é esse meu problema. Eu nunca quis crescer. Sempre ouvi os adultos reclamando de não serem o que desejaram ser. Já ouvi muita gente suspirar e rir do que sentiam na juventude. “Eu era tão ingênuo!”. Não quero ser um desses. Não quero me amargurar. Não quero pensar no que sinto agora como tolice. Vai ver é por isso que eu parei de imaginar o futuro: medo de não alcançar as expectativas mais uma vez. Medo de não ter mais a vida toda pela frente. Medo de não ser feliz.

W.O.

Desisto! O jogo perdeu a graça, pode liberar as respostas. É, cansei de esperar para ver o resultado, cansei de tentar adivinhar qual é. Alguém aí sabe qual é? Não vale chutar, dar opinião torta, me fazer sentir errada de graça. Estou errada? Tem certo? Adianta eu mudar alguma coisa? Não, né? As coisas vem quando tem de vir. Aliás, tem hora para as coisas virem? Tem? Vai ver que para uns nunca vem. Vai ver que tem gente que espera a vida toda em vão. É destino? Atitude? Força de vontade? Desprendimento? Merecimento?

Não me venha com o clichê da falta de graça que seria viver se tivéssemos todas as respostas. Tem graça para uns, outros ficam loucos. Fiquei louca. Sou ansiosa de nascimento, não adianta me dizer para acalmar. Só me diz se um dia vem, se não vem, se depende de mim. Só me diz se tem resposta. Que a espera já me fez desistir de mim.

Mais uma vez de novo

A magia acaba para todo mundo. Um dia a ficha cai, nem que seja por alguns minutos. Minutos que te fazem sentir patética por ter pena de si mesma. Minutos cruéis que muita gente chama de drama. Chamam de drama porque é fácil quando a dor é dos outros. E dói pra cacete essa porra.

Queria mandar um grande vai se foder para o mundo. É que quando se pensa demais na vida, conclui-se que em nada há sentido. Tem de estar bem humorada para encontrar a resposta de todas as coisas. Amor, o agora, a felicidade. E sem resposta, a gente fica descrente. E com resposta, a gente fica esperançosa. E haja esperança para tanto tempo. E haja tempo para curar tanta dor. E haja felicidade para tanta vida. E haja vida, muita vida!

E haja sentido.
Para este texto, para a vida.
Por favor, haja sentido.

Há muito tempo

Não é nada, ao mesmo tempo que é tudo. Preciso demais, ao mesmo tempo que não preciso nenhum pouco. E quero, quero, quero, e não quero mais por meses. E espero, e desisto. E passa, passa, passa e nada acontece. Vai e vem para elas, eu fico. Fico, fico, fico. Canso. Dói, passa, penso, preciso, quero. Quero muito, e não quero nunca mais. E acredito, e tenho medo.