Ainda é tempo de ser feliz em 2016?

clara-novais

Eu não gostei de 2016. Este, definitivamente, não foi um ano de alegrias. Além das desgraças e más notícias que dominaram o mundo, minha vida também não teve um saldo muito positivo. Posso dizer, com todas as letras, que não vou sentir a menor saudade quando ele acabar.

Veja, enquanto resmungo, tenho plena consciência dos meus privilégios e que milhares de pessoas achariam um ano repleto de brigadeiro e maratonas de séries o paraíso. Sei que levo uma vida boa e sou muito grata por isso – todos os dias. Porém, a verdade é que eu não fui feliz.

Calma, não é o caso de se preocupar comigo. Eu estou bem. Eu só não estou feliz. É claro que ocorreram momentos de alegria e satisfação, mas as noites indo dormir com lágrimas nos olhos foram maioria absoluta em relação àquelas em que pus a cabeça no travesseiro com um leve sorriso no rosto.

A maior conquista deste ano – que seria o ponto mais positivo de todos mesmo se 2016 tivesse sido incrível – foi ter realizado um sonho de adolescência: comecei a trabalhar em uma revista feminina. E não em uma revista feminina qualquer, mas na maior do país. Essa é uma vitória que vale por várias boas notícias. Eu sei. No entanto, além das pessoas queridas que conheci, ela foi a minha única razão concreta de felicidade.

Passei a metade do ano sufocada em um relacionamento que mais parecia um aquário repleto de água e completamente vedado. Perdi a fome pela primeira vez na vida, achei que talvez estivesse ficando louca, e não fui forte o suficiente para me desprender disso. Precisou que ele partisse para outra e desaparecesse para que eu conseguisse seguir em frente.

No meio disso, o projeto ao qual eu dediquei cada gota de energia do meu corpo em 2015 chegou ao fim. Sem feedback, sem justificativa. Precisei me despedir sem saber o motivo e isso talvez tenha me doído mais que as ligações transtornadas do meu ex no meio da madrugada. Não. Pensando bem, definitivamente, me doeu mais. Juntou os dois e eu perdi a motivação para qualquer coisa que não fosse assistir a The Good Wife.

Quando, finalmente, eu parecia forte o suficiente para seguir em frente, nada demais aconteceu. O melhor momento do meu segundo semestre foi meu aniversário. Nisso, devo dizer, tenho muita sorte. Consegui lotar duas comemorações: uma em SP e outra em BH. Nessa hora, a gente vê o quanto de pessoas nos querem bem e isso é tudo na vida. Porém, desde então, 3 meses se passaram e nada demais aconteceu. Parece que minha vida está em stand by, o que significa que a minha maior emoção neste tempo foi assistir a 7 temporadas e um reboot de Gilmore Girls.

E eu não sou do tipo que fica sentada no sofá – apesar de passar muito tempo por lá – esperando as coisas acontecerem. Eu vou atrás. Interajo com desconhecidos, visito lugares inéditos e sei muito bem me divertir comigo mesma. Sou do tipo que caminha dançando na rua enquanto houve música, planeja os encontros da galera e sabe valorizar os pequenos instantes da vida.

Veja bem, a verdade é que, depois de um início de ano infinitamente merda, eu esperava algum tipo de compensação neste final. Alguma surpresa, algo transformador. Não sei se 2016 tem energias para esse tipo de coisa ou se gastou ela toda sendo um ano sofrido para a maioria das pessoas. Aliás, não sei se alguém realmente foi feliz neste ano. Olho ao meu redor e o que vejo são indivíduos exaustos que batalharam muito para levantar da cama ao longo dos últimos meses.

De qualquer forma, não quero que este ano seja uma grande mancha preta com dois ou três pontinhos de glitter dourado em minha vida. Eu gosto de olhar para trás e sentir saudade. Eu aprecio as vinte e quatro horas do dia. Por isso, selo aqui um acordo comigo mesma: o ano ainda tem 31 dias até acabar, dá tempo de virar o jogo. Um mês inteiro para 2016 valer a pena. São 31 oportunidades de chegar em 2017 mais inspirada. Bora aproveitar?

O meu 2016 começa agora

2016

A vida tem dessas. Depois de ondas enormes de felicidade, é preciso lidar com dolorosos períodos de descontentamento. E foi isso que me aconteceu nesse início de ano.

2015 foi um ano completamente transformador e sem nenhum traço de tédio. Eu me mudei de cidade, fiz novos amigos incríveis, enfrentei dois engrandecedores desafios profissionais, participei de eventos espetaculares e fui muito, muito feliz. Tão feliz que ignorei com facilidade as diversas pedras que iam surgindo no meu caminho. Até que a conta chegou.

A intensidade foi tanta que 2015 não terminou no dia 31 de dezembro. Durante os três primeiros meses do que vocês já chamavam de 2016, eu me encontrei em um enorme abismo de finalizações. Basicamente, fui engolida por minha própria ansiedade enquanto experienciava o termino de dois elementos de grande importância na minha vida.

Nesse tempo, precisei suportar os derradeiros meses do projeto ao qual entreguei todo o meu sangue ao longo do ano que se passou, enquanto tentava segurar minhas apreensões em relação ao meu futuro como jornalista. Ao mesmo tempo, precisei lidar com a mente complicado do meu atual ex, que não tinha coragem de me deixar partir, mas também não queria mais ficar ao meu lado.

Por mais que eu pareça forte e já tenha sobrevivido a muitos desastres emocionais, dessa vez, eu fiquei sem forças. Perdi a fome pela primeira vez na vida em janeiro, chorei durante todas as noites de fevereiro e, ao longo de março, tentei controlar as lágrimas que insistiam em saltar dos meus olhos durante o horário de trabalho.

Eu me perdi de mim. Não vou negar que dei algumas risadas sinceras nos últimos três meses, mas a enorme nuvem de desesperança que me rodeava ofuscava as boas lembranças assim que os acontecimentos empolgantes chegavam ao fim.

A minha sorte é que, na vida, longos períodos de sofrimento também costumam ser automaticamente substituídos por ondas de felicidade em abundância. E parece que esse novo mar, agora, está começando a molhar os meus pés. Enfim os resquícios de 2015 ficaram para trás. Finalmente o meu 2016 vai começar.

Pode vir, ano novo! Estou mais forte do que nunca.