O meu 2016 começa agora

2016

A vida tem dessas. Depois de ondas enormes de felicidade, é preciso lidar com dolorosos períodos de descontentamento. E foi isso que me aconteceu nesse início de ano.

2015 foi um ano completamente transformador e sem nenhum traço de tédio. Eu me mudei de cidade, fiz novos amigos incríveis, enfrentei dois engrandecedores desafios profissionais, participei de eventos espetaculares e fui muito, muito feliz. Tão feliz que ignorei com facilidade as diversas pedras que iam surgindo no meu caminho. Até que a conta chegou.

A intensidade foi tanta que 2015 não terminou no dia 31 de dezembro. Durante os três primeiros meses do que vocês já chamavam de 2016, eu me encontrei em um enorme abismo de finalizações. Basicamente, fui engolida por minha própria ansiedade enquanto experienciava o termino de dois elementos de grande importância na minha vida.

Nesse tempo, precisei suportar os derradeiros meses do projeto ao qual entreguei todo o meu sangue ao longo do ano que se passou, enquanto tentava segurar minhas apreensões em relação ao meu futuro como jornalista. Ao mesmo tempo, precisei lidar com a mente complicado do meu atual ex, que não tinha coragem de me deixar partir, mas também não queria mais ficar ao meu lado.

Por mais que eu pareça forte e já tenha sobrevivido a muitos desastres emocionais, dessa vez, eu fiquei sem forças. Perdi a fome pela primeira vez na vida em janeiro, chorei durante todas as noites de fevereiro e, ao longo de março, tentei controlar as lágrimas que insistiam em saltar dos meus olhos durante o horário de trabalho.

Eu me perdi de mim. Não vou negar que dei algumas risadas sinceras nos últimos três meses, mas a enorme nuvem de desesperança que me rodeava ofuscava as boas lembranças assim que os acontecimentos empolgantes chegavam ao fim.

A minha sorte é que, na vida, longos períodos de sofrimento também costumam ser automaticamente substituídos por ondas de felicidade em abundância. E parece que esse novo mar, agora, está começando a molhar os meus pés. Enfim os resquícios de 2015 ficaram para trás. Finalmente o meu 2016 vai começar.

Pode vir, ano novo! Estou mais forte do que nunca.


Mixtape #25 – Brota flor

Flor faz brotar mais flor ♡ uma mixtape a essas mulheres, miúdas e infinitas, férteis sementes, sagradas, vindas da terra e feitas de vida.

01- Coletivo ANA – Ana | 02-  Ana Cláudia Lomelino – mãeana | 03- Alceu Valença – Anunciação | 04- Coletivo ANA – Parto | 05- Caetano Veloso – Boas Vindas | 06- Ana Cláudia Lomelino – colo do mundo | 07- Nando Reis – Espatódea | 08- The Temptations – My Girl  | 09- Ellie Goulding – Your Song | 10- Maria Rita – Cria | 11- Adriana Calcanhotto – Ciranda da Bailarina | 12 – Adriana Calcanhotto – Saiba  | 13 – Os Tribalistas – Anjo da Guarda | 14 – Gal Costa – Estratosférica | 15 – Toquinho – Aquarela


8 coisas que você pode fazer contra a corrupção no Brasil sem caminhar ao lado de corruptos

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Contexto: discussão na internet sobre as manifestações do último 13 de março. Chega-se à conclusão de que há corrupção dos dois (que são mais que dois, mas enfim) lados, e então fui questionada: OK, então, de acordo com seu (que era meu) raciocínio, o correto é não fazer nada (pelo país, etc.)?

Me senti motivada a fazer, portanto, uma lista com uma série de coisas que você (qualquer pessoa) pode fazer pelo Brasil (sem bater na tecla do não fure fila, não tenha carteirinha falsificada), ao invés de ser usado numa marcha de corruptos contra a corrupção.

 

  1. SE LIGUE NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DESTE ANO

Sim, 2016 é ano de eleições municipais.

1.1. Não vá votar no cunhado do seu tio porque sua tia pediu, sem ter a menor noção de qual o projeto político dele; não vá dar um Google perneta no dia anterior à eleição e escolher o rosto que mais te simpatizou; tenha a responsabilidade de procurar saber qual candidato ou candidata é mais condizente com o que você quer para sua cidade e ESCOLHA ELE OU ELA DE FATO. Não apenas engula o candidato ou candidata de pessoas próximas a você. Escolha alguém que te faça sentir representado (essa pessoa existe, você só não pode ter preguiça de procurar), de quem você vá lembrar o nome e se sentir impelido a acompanhar, saber, cobrar.

1.2. Escolhido o candidato ou candidata, ENGAJE-SE NA CAMPANHA DELE OU DELA. Os últimos tempos tem nos mostrado que política é um assunto para todos, não é mesmo? Afeta a vida de todo mundo. Um dos maiores geradores de corrupção na política brasileira é o financiamento privado de campanhas: uma empresa coloca grana na campanha de alguém, e depois quer uma contrapartida que vem por meio de favores e benefícios dados pela máquina pública (uma vez que a pessoa em questão foi eleita). Nada justo, né? A reforma política (assunto de mais logo) propõe o fim do financiamento privado de campanhas. Quando você ajuda na campanha do seu candidato ou candidata (pela internet, ajudando a panfletar, a divulgar ações e ideias, conversando com pessoas próximas a você, etc) você retira o poder das empresas e o volta para os cidadãos – que é onde ele sempre deveria estar.

1.3. AINDA DÁ TEMPO DE SE FILIAR! Para se candidatar a vereador/a ou prefeito/a, é necessário ser filiado/a a algum partido. Isso pode ser feito até 06 meses antes das próximas eleições – o que, esse ano, significa até 02 de abril. Você pode procurar o partido com o qual mais se identifica, se filiar, e por que não? Se candidatar. Política não é assunto só para homem velho branco. Política também é para jovens, de todas as raças, todos os gêneros, todas as classes.

 

A gente tem essa ferramenta maravilhosa que é a internet em mãos. Façamos bom uso dela.

 

  1. SE DEDIQUE A CAUSAS ESPECÍFICAS

A essa altura, acho que já percebemos que somos todos contra a corrupção, não é mesmo? Nem a pessoa que mais difere do seu pensamento político a defende ou a quer para o país. Então vamos passar dessa fase, e partir para o que queremos para o Brasil, o que não está bom e como podemos melhorar? Não vale mais dizer só que é “contra a corrupção”. É a mesma coisa que dizer “estou respirando”. Estamos todos juntos nessa. Pare e pense o que te incomoda no seu dia-a-dia como cidadão, e parta para a ação nesse sentido.

2.1. Por exemplo: se você não suporta as condições do transporte público, procure movimentos que tem discutido e atuado na área. Em BH existe o Tarifa Zero, que promove reuniões abertas a todas as pessoas e age junto à Justiça e ao poder público por melhorias na mobilidade. O Tarifa Zero e o Movimento Passe Livre existem em diversas outras cidades.

2.2. Se você se preocupa com a educação, dê uma olhada na agenda dos sindicatos de trabalhadores da área. Eles estão sempre lutando por melhorias. Em Minas Gerais, por exemplo, o SindUte batalha há anos pelo pagamento do piso salarial nacional aos professores. São promovidas manifestações, audiências públicas na Assembleia, reuniões e outros atos e, como bem estamos aprendendo, a pressão popular faz toda diferença para chamar atenção ao que está sendo pedido e discutido.

2.3. Se você quer se engajar, mas não sabe exatamente onde nem como, tenha calma e procure os movimentos organizados. Você será bem-vindo em todos eles. Em Belo Horizonte, o Cidade que Queremos (iniciativa nos moldes do Podemos, da Espanha, entre outras inspirações) tem realizado reuniões abertas desde o começo de 2015, discutindo e pensando propostas para várias questões relacionadas à cidade: segurança pública, meio ambiente, cultura, utilização do espaço público, etc. Você pode somar em alguma das áreas, ou só acompanhar as reuniões, reafirmando que a política é feita e vivida por todos os cidadãos.

 

  1. DEFENDA A REFORMA POLÍTICA

 

Pode ser que sua revolta maior e suprema seja mesmo contra a corrupção. E agora? Como já entendemos que a corrupção não é exclusividade de um partido, ou seja, se trocarmos A por B, na atual conjuntura, a corrupção permanece, é necessário pensar (e combater) a corrupção em um nível mais profundo.

Voltamos, portanto, à reforma política. É importante ressaltar, inclusive, que enquanto o país se paralisa em torno do pedido de impeachment da presidenta eleita, outras votações da agenda política não avançam. Ou seja: estamos parados reclamando da corrupção (de maneira hipócrita, uma vez que a pseudo-reclamação parte de pessoas corruptas), enquanto impedimos que as soluções reais para o problema da corrupção sejam discutidas e votadas. (Um pacote de medidas anticorrupção anunciado pela presidenta Dilma no ano passado, por exemplo, continua engavetado na Câmara. Ele foi proposto, mas os deputados parecem estar muito ocupados fazendo algo mais importante do que colocá-lo na pauta.)

 

3.1. Pelo fim do financiamento privado de campanhas, que, como já foi dito, é uma das maiores origens da corrupção no Brasil. É este financiamento que gera a eterna troca de favores entre empresas e políticos, deixando os interesses da população em último plano (se uma concessionária de ônibus financia a campanha de um prefeito, ao calcular o preço da passagem no transporte público, o prefeito vai beneficiar a mobilidade do cidadão ou os lucros da empresa referida?). Nota de curiosidade: a presidenta Dilma Rousseff vetou o financiamento privado de campanhas, que havia sido aprovado (por manobra do deputado Eduardo Cunha) pelo Congresso.

 

3.2. A reforma política tem vários pontos, que você pode conferir nesse infográfico do G1: Entenda a reforma política

 

  1. RESPEITE OS MOVIMENTOS QUE ESTÃO NA RUA ANTES DE VOCÊ

 

Se você está muito orgulhoso/a de ter ido às ruas no último domingo e ter feito valer seu direito de manifestação e liberdade de expressão (inexistentes num regime militar, aliás), respeite os outros movimentos que ocupam as ruas. Não vale achar que quando você está lá tudo é lindo e válido, mas quando são os outros é baderna, gente desocupada que atrapalha seu trânsito e humor. A rua é um espaço para manifestação de todos, e movimentos como o dos Trabalhadores sem Teto e dos LGBTT tem tanto direito de ocupá-la como você.

 

  1. CHEQUE AS INFORMAÇÕES QUE LÊ E COMPARTILHA

 

Essa vem acompanhada de um por favor, por favorzinho: não saia repetindo tudo que lê e ouve por aí. Cheque as informações, procure mais de uma fonte. Acredite: não é porque é jornal tal que ele está falando a verdade – “a verdade”, em si, sequer existe. Existem pontos de vista, interesses, subjetividades. Seu pai, seu chefe, seu colega, seu jornal da hora do almoço, nenhum deles está acima do bem e do mal. Então leia, ouça, assista, até conseguir enxergar quais são os fatos presentes ali. Não é porque você é governista que vai ler o Brasil 247 e tomar aquilo como verdade absoluta; e nem seja a oposição que só se baseia em Revista Veja e Jornal Nacional, por favor. Você não está enriquecendo o debate. Ao se ver pensando ou reproduzindo algo, relembre: de onde isso veio? Eu posso afirmar isso? Ou estou apenas repetindo o que veio não sei de onde? Precisamos ser responsáveis pelo que afirmamos, pelo que compartilhamos. Há muita desinformação sendo disseminada, de todos os lados. Não sejamos usados. Nada que uma busca mais caprichada e atenta no Google não resolva. Ninguém ganha com informações falsas, maldosas, que enganam e manipulam.

 

+++

 

Tudo muito bonito, tudo muito bacana, mas nem todo mundo tem tempo, ânimo ou vontade de sair de casa para ir sacar a política lá fora. Então, assim como a última dica (e as outras também, na verdade), aqui vão ações extras, para fazer do conforto do sofá mesmo (o que não é uma atitude cidadã menor):

 

  1. CHEQUE AS INFORMAÇÕES QUE LÊ E COMPARTILHA

 

É sério. Desinformação é mais perigoso que DST. Você não está lendo errado: a dica aparece duas vezes, porque merece destaque.

 

  1. TENHA AUTOCRÍTICA (numa relax, numa tranquila, numa boa)

 

Se tem tanta gente falando em justiça seletiva, em golpe, em volta da ditadura militar, pare e pense: será que não tem nada a ver mesmo? Todas essas pessoas, entre artistas, cientistas políticos, jornalistas, jornaleiros, historiadores, professores, gente à toa, estão todos viajando? A minha verdade é tão grande que eu não posso cogitar o que o outro está dizendo? Mais um problema que o Santo Google resolve. Procure as semelhanças entre o cenário político atual e o do golpe de 1964. Veja como agia e como age a mídia, a oposição, a elite. Chegue às suas próprias conclusões (mas muita calma, humildade e leitura de multifontes até chegar lá).

 

  1. EXPRESSE SUA OPINIÃO

 

As redes sociais são cada vez mais ouvidas. Os partidos e políticos estão nos lendo, sim. Com grandes poderes vem grandes responsabilidades, então além de saber muito bem o que você está escrevendo e defendendo, saiba também que é seu direito – contando que não fira o direito e a identidade de mais ninguém. Jogue limpo nas redes, use argumentos, não xingamentos. Cheque o que escreveu antes de enviar, não empobreça nem personalize o debate. Ninguém ganha com isso. Se precisar, o Humaniza Redes te ajuda a colaborar para um universo virtual mais justo, limpo e democrático.

 


Eu só queria chegar em casa e dormir, mas esbarrei com você no meio do caminho

Depois de uma segunda-feira pesada, daquelas que o tempo passa tão rápido quanto discursos de colação de grau e as obrigações são tão divertidas quanto arrancar o siso, tudo o que eu queria era me teletransportar para casa. Estalar os dedos na redação e – plim! – surgir deitada na minha cama. Contudo, como mera mortal que sou, precisei pegar o metrô e suas baldeações para chegar ao meu apartamento.

Foi então que, como se o dia já não tivesse sido desgastante o suficiente, no meio do caminho, esbarrei com você. Ou melhor, com uma lembrança sua. Te vi ali, na plataforma da Consolação, com a blusa social toda amarrotada, me esperando com a maior cara de sono do mundo. Mesmo visivelmente cansado, seu rosto abriu um sorriso enorme ao me ver. Essa cena poderia salvar o meu dia, se não fosse apenas uma recordação da última vez que você sorriu com sinceridade pra mim. Quatro meses atrás.

Logo o metrô chegou e eu, enfim, voltei para casa sem mais fortes emoções. A noite correu bem, até meu corpo exausto finalmente cair na cama e minha mente resolver, outra vez, te visitar no passado. Naquele dia, o meu plano original era ir a uma festa com meus amigos. Eu nem estava com tanta vontade, queria mesmo era passar a última noite em sua companhia antes de ficarmos duas semanas separados por causa das festas de fim de ano. Porém, você sabe, não sou do tipo que desmarca compromissos.

Então, imagine a minha alegria quando, em comum acordo, eu e meus amigos decidimos cancelar a balada. A primeira coisa que fiz foi te mandar uma mensagem pedindo para me encontrar. Você nem hesitou. Saiu na mesma hora de onde estava e foi me ver. E essa foi a última vez que você me encontrou de imediato, sem se questionar se realmente deveria ir.

Se eu tivesse consciência que aquela seria uma noite de últimas vezes tão importante, com certeza teria te aproveitado melhor. Ao invés disso, passamos a noite discutindo por bobagem, dormimos emburrados um com o outro e, assim, destruímos de vez qualquer possibilidade de sermos felizes juntos. Nós nem percebemos isso, mas foi naquele dia que tudo mudou.

Eu viajei, você viajou. O tempo afastados só piorou tudo. Depois disso, você nunca mais aceitou os meus convites com prontidão. Eu, desesperada, tentei tapar os buracos que cavamos tão profundamente dentro de nós com as nossas inseguranças durante aquelas duas semanas separados. Não funcionou. Eles já estavam entranhados demais e, com o passar das semanas, só se multiplicaram.

Lembrar de tudo isso não faz sentido nenhum agora que, depois de doloridas idas e vindas, o “eu e você” enfim acabou. É bem provável a gente nunca mais se encontre e, toda vez que penso nisso, eu choro um pouquinho. Sua ausência ainda me machuca. Já você, imagino, conseguiu seguir em frente. Nunca mais me ligou de madrugada, nem respondeu às últimas mensagens que mandei.

Eu venho tentando fazer o mesmo, virar a página. Alguns dias são melhores que outros, confesso. E sei que daqui a quatro anos esse sofrimento provavelmente não fará o menor sentido. No entanto, em uma segunda-feira desestimulante como esta, tudo o que eu queria era me encontrar com você na plataforma da Consolação e te dar um abraço tão intenso e demorado quanto as nossas ansiedades. Daquele jeito que fizemos tantas vezes em dias de semana atribulados.

Você não faz ideia de quantos dias ruins foram salvos por noites alegres em sua companhia. No momento, porém, só depende de mim me fazer feliz. Sempre foi assim, afinal. Seu cabelo comprido e suas camisas sociais fazem tanta falta quanto eu imaginava, mas vai passar, eu sei. Toda vez passa. Agora é melhor eu dormir que já são quase três da madruga e essas reflexões não vão me levar a nada. A boa notícia é: amanhã é um novo dia. Melhor que hoje, eu espero. Um pouco mais sonolento, talvez. Definitivamente, sem você.


Amigo seu é coisa séria pois é opção do coração

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Meus irmãos passaram a vida mudando de cidade em cidade, acompanhando pai e mãe. A gente sempre tinha que se adaptar à nova rua, nova vizinhança, nova escola. Uma estratégia de sobrevivência nos ensinou a criar pequenos universos particulares, que poderíamos carregar no bolso, independente de qual fosse o novo destino.

Hoje vejo que o universo do meu irmão foi erguido com tijolos de lealdade, cristais de bom coração, um balde de Lego inteiro de só querer-bem-com-sinceridade. Ele, desde que sei, é daqueles que carrega os poucos e bons, e vai com eles até o fim – não importa se primavera ou se tempestade.

No bolso, hoje sei que o Lucas levou principalmente a si mesmo. Ele nunca deixou de se ser, na escola pública ou na particular, no interior ou na capital, no quintal de cimento, na varanda de ardósia ou no gramado visitado por ETs.

Quando menino, Lucas pegava as caixas de madeira onde se vendiam uvas e as transformava em violão (com gominhas amarelas sendo as cordas) ou em arco e flecha (com o qual ele atacava mansões de marimbondo e nos deixava presos em casa o dia inteiro, esperando a raiva animal passar). Hoje, barbado, casado, ele compra madeira e constrói os próprios móveis.

Lucas (nunca só) cuidava de um bando de cachorros da rua; ocupou uma fábrica de uniformes abandonada e uma casa em ruínas para fazer delas abrigo para os cães. Todos tinham nome e carinho e Pepita, quando teve filhotes (na fábrica), só deixava o Lucas se aproximar. Pepita, Hannah, Eros. Hoje, morando na sua nova casa e pagando seu aluguel, ele faz do seu lar, lar dos animais também. Maggie, Beemo, Link, Kheera, Ragnar.

A gente brincava muito de Lego e ele estava sempre embrenhado em ferramentas; hoje, trabalha projetando peças no papel e no computador. A gente montava um laboratório na garagem para dissecar cogumelos e outras formas de vida; hoje ele tem sua própria loja virtual para vender coisas nerds. A gente saía jogando milho e feijão pelos vasos de planta, querendo ver tudo brotar; hoje ele tem planos de ter uma horta em casa, que eu sei que vai vingar.

Ao invés do tradicional futebol, meu irmão fez capoeira, xadrez e ponto cruz. Ao invés do violão, teve um pandeiro e uma gaita. Quando os jovens pediam uma moto aos pais, meu irmão implorava por um cavalo. Ele que me levou para acampar (não sem me fazer medo), para cachoeiras (não sem fazer bullying pelo meu medo), para o que tem para lá dos muros-seguros.

Ele é dono de um coração que vai de Belo Horizonte até Curitiba, passando por Sete Lagoas, Manaus, Pouso Alegre, Goiânia e mais umas quebradas por aí. Incapaz de fazer um malzinho que seja a qualquer pessoa que seja. Incapaz de não ser leal, de não se dedicar, de não ser bom. De não ser ele, enfim.

Do meu irmão, você sempre vai ouvir o riso. Ele vai falar só quando sentir vontade. Mas o riso – o riso vai sair forte, inteiro, de verdade. Do desenho que você nunca viu, de um caso de anos atrás, de qualquer besteira com o pai. O riso vem e ocupa o ar, a casa, o peito. Vem pelos olhos dele que brilham, passando pelas sardinhas até transbordar, como bolas de gude desaguando de um bolso recheado.


#ViajoSozinha

Aos 18 anos, viajei para Buenos Aires com 3 amigas. Aos 19, éramos 12 mulheres conhecendo Punta del Este. Aos 20, visitei algumas amigas na Europa sozinha, enquanto morava em Londres sozinha, dividindo apartamentos com pessoas desconhecidas. Minha última viagem internacional foi um retorno a Baires. Fiquei hospedada no mesmo albergue da primeira vez, sozinha. ‪#‎viajosozinha‬ sim, moro em SP com duas amigas, sempre andei pra cima e pra baixo desacompanhada. Isso jamais deveria ser justificativa para assassinato/estupro, mas, infelizmente, se eu fosse violentada, a sociedade colocaria culpa na minha independência. Porém, minha liberdade ninguém me tira, nem mesmo o medo. Que as mulheres tenham cada vez mais coragem de ir e vir, e que os homens aprendam que não somos vidas descartáveis. A luta continua, todos os dias. Viva o dia 8 de março, viva as mulheres!

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Em memória das argentinas Maria José Coni, 22 anos, e Marina Menegazzo, 21 anos, assassinadas no Equador enquanto faziam um mochilão pela América Latina. Vocês não serão esquecidas. 

Maria José Coni, de 22 anos e Marina Menegazzo de 21


Me vê cinco

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O tema é recorrente nas mesas de bar. Todo amigo tinha uma opinião para me dar a respeito: experimenta. É perigoso. Você vai adorar. Cuidado para não viciar.

Tentaram me alertar de que eu poderia me encantar e querer sempre mais. Dali pra frente, eu sairia em busca; ia pesquisar diferentes origens, com diferentes níveis de força. Eu não ia parar.

“Você vai nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas, mesmas comidas e bebidas, mas vai sentir falta de algo. Vai querer mais daquela experiência. Vai ver que as coisas como eram antigamente já não têm a mesma graça para você.”

Fala-se disso, sim, mas pouco, deveriam falar mais! Avisar que às vezes bate com mais força do que a pessoa está preparada. Que é difícil se recuperar. Às vezes leva tempo, às vezes deixa sequelas – ou a pessoa traumatizada.

Não foi por falta de aviso. Me disseram que era um caminho sem volta. Estavam todos certos. Tudo isso realmente aconteceu quando eu comecei a me envolver com pimenta.


Na dúvida, ame. Apenas não se deixe afogar.

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Quando eu te vi pela primeira vez, eu tive certeza que estava diante do homem mais bonito do mundo. Certeza absoluta. Por isso, tive medo quando você se mostrou tão interessado em sair comigo pela primeira vez. Um homem tão bonito assim não poderia estar realmente atraído por mim. Então eu fugi.

No entanto, o destino sabe muito bem onde nos reencontrar quando tentamos desviar dele e, repentinamente, você reapareceu. Meses depois. Mais lindo do que nunca. E, dessa vez, eu resolvi dar uma chance para nós dois. Um encontro, afinal, que mal faz?

Você era ainda melhor do que eu pensava. Sua empolgação em defender as suas ideias, o seu olhar carinhoso ao me observar, seu modo de se vestir tão diferente do meu. E logo ali, na primeira cerveja, eu me apaixonei. Intensamente, bizarramente, inesperadamente.

Fui dormir torcendo para que a gente se visse outra vez. Logo. O mais rápido possível. Assim, imagine a minha felicidade quando, no dia seguinte, você disse que, por você, a gente já se via naquela noite. Um sorriso imenso se tatuou no meu rosto. Porém, preferi esperar mais um dia. Ir com calma.

Uma noite depois, já estávamos juntos outra vez. O que se passava dentro de mim era tão impetuoso, tão assustadoramente real que, a cada segundo ao seu lado, eu sentia mais medo por carregar tão forte sentimento no meu peito. Das outras vezes em que havia me sentido assim, meu coração se estraçalhou tão seriamente que nunca me recuperei cem por cento.

Não demorou muito para você dizer que me amava. Levado pelos vários copos de cerveja, pensei. A minha vontade era de te beijar até acabar o ar dos meus pulmões e colar a minha pele na sua de uma forma que a gente não se soltasse nunca mais. No entanto, meus traumas me fizeram responder que era melhor a gente ir mais devagar. E hoje sei que, naquele dia, eu te matei um pouquinho por dentro.

O tempo foi passando e eu fui tendo cada vez mais certeza: eu não poderia mais viver sem você. Te imaginei ao meu lado em todos os momentos futuros da minha vida, me imaginei ao seu lado em todos os desafios que você precisasse enfrentar. Ia ser eu e você para sempre. Eu só não tinha coragem de demonstrar isso. Sabia que, uma vez aberto o meu coração, não tinha volta e você poderia fazer o que quisesse com a minha alma. Era melhor me certificar que, pela primeira vez na vida, eu pisava em terra firme.

Com as comemorações de fim de ano, precisamos nos afastar por um tempo. Ambos já tínhamos feito planos para aquela época antes de nos conhecermos. Eu fui para a minha cidade, você foi para a praia. O que era para ter sido apenas duas semanas de saudade, transformou o nosso amor em desespero. Para os dois. A minha insegurança, à essa altura, havia te contagiado e você perdeu as forças que, com muito esforço, tentava manter para ter confiança de que tudo daria certo. Ficamos ambos vulneráveis. Fracos.

Era paixão demais, fazendo os receios e a distância transformaram os nossos diálogos em enormes falhas comunicativas. Eu não te entendia e você interpretava tudo o que eu dizia de outra maneira. Cansada de sofrer e com medo de os nossos bate bocas nunca terminarem, resolvi dar um fim a nossa história. “Você tem certeza isso?”, você me perguntava sem parar. Não. Nenhuma. Mas respondi que sim.

Os dias seguintes se passaram com a mesma velocidade com que uma missa se arrasta. Você mandando mensagens: saudades. Eu tentando ao máximo não me sentir afetada pelas suas palavras: vai passar. Então descobri que você já estava com outra pessoa. Na praia, as paixões se incendeiam rápido, não é mesmo? Ela era uma menina tão cheia de inocência e vulgaridade que se meteu em lugares do seu Facebook que me pertenciam. Fiquei possessa.

Fui ao perfil dela e encontrei, sem nenhuma dificuldade, as suas palavras. Te amo, você dizia. Te amo. Meu coração explodiu. Enquanto meu sangue se espalhava sobre todo o meu corpo, minha cabeça dizia “Eu sempre soube que isso ia acontecer. Não devia ter caído nessa. Como posso ter sido tão estúpida?” repetidas vezes, sem parar. Me culpei intensamente por um problema seu, não meu. Uma fraqueza sua.

No entanto, o que você não sabia era seu poder de me deixar assim. Eu nunca deixei claro o quanto eu te amava. Sempre tentei te manter o mais longe possível dos meus sentimentos. Por mais carinhosa que eu fosse, você não conseguia perceber o amor que eu sentia. Foi necessário ver meu coração destroçado por sua causa para compreender toda a imensidão que havia dentro de mim.

Foi preciso me destruir por dentro para você perceber o meu amor. Por isso te perdoei. Demorou alguns dias, até eu limpar todo o sangue que havia sobre mim. Contudo, quando você se mostrou tremendamente arrependido e simultaneamente machucado com aquela situação, decidi relevar. Com isso tudo, percebi que o medo não nos protege de nada, só da felicidade, e me empenhei em retomar a nossa história. Catei os pedaços do meu coração e te entreguei todos eles para que pudéssemos ser felizes.

Não aconteceu. Nós nos machucamos de um jeito tão visceral que os meses seguintes só serviram para nos destruir ainda mais. Dessa vez, eu tentei ser mais paciente. Era sua vez de estar inseguro. Suportei seu desprezo, aceitei todos os sinais de afeto. Me entreguei completamente, de um jeito que não me entregava assim desde os meus 14 anos, quando me apaixonei pela primeira vez.

Defini: eu era sua e você era meu. Nada ia nos separar. Eu aguentaria todos os seus maus momentos até que você voltasse a ser o cara que não tinha medo de me amar. Tentei ser forte. Perdi a fome. Fui dormir todas as noites chorando. E não me importei. O fato de você me amar e de eu sentir o mesmo com a mesma intensidade bastava.

Nós, muito em breve, voltaríamos a ser feliz. Eu tinha certeza disso. Seria uma felicidade tão grandiosa que o céu nunca mais ficaria escuro durante o dia e as noites seriam cada vez mais estreladas. Uma felicidade tão imensa que qualquer um que a presenciasse seria feliz para sempre também. Uma felicidade nossa, só nossa, que mudaria o mundo.

No entanto, assim como eu aprecio a alegria, você é encantado pela melancolia. Não consegui vencer o seu amargor pela vida e percebi que continuar nessa batalha não te faria mais contente, apenas me deixaria mais infeliz. Isso seria uma derrota para nós dois. Foi, então, que decidi ir embora. Por mais que eu quisesse ficar. Para sempre. A vida toda. Precisei partir. De uma vez por todas. Para o bem de nós dois.

Agora estou aqui completamente sem você. O meu coração nunca tinha ficado tão pequeno. É a primeira vez que amo com cem por cento de reciprocidade, porém de uma forma tão destrutiva. Nós ainda nos pertencemos, eu tenho certeza disso. Só não vamos mais ficar junto. E o motivo não poderia ser mais surreal: somos extremamente apaixonados um pelo o outro. Um sentimento tão absurdo que não soubemos como cuidar dele sem nos afogar.

Preferi subir em meu barco e partir antes que não houvesse mais nenhum traço de contentamento em meu corpo. Espero que agora seja mais fácil para você subir em seu barco também, pois única coisa que me faria mais feliz do que viver ao seu lado, seria você finalmente encontrar algum tipo de felicidade. Boa sorte.

Saudades. Te amo.

* imagem do filme “Mr. Nobody”. 


Alguém também me ensinou a roer as unhas, mas isso não sei quem foi

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Uma vez escrevi que  “não sou nada mais que uma peça no colorido quebra-cabeça que é a minha história”. Eu queria dizer disso tudo (e tod@s) que, ao longo da vida, vão fazendo a gente ser quem é.

Lá estão os aparelhos ideológicos do estado, sim, sempre. A Escola ensinando a obedecer, a Igreja ensinando a aceitar sem questionar, a Família ensinando a ser correto – seja lá o que isso signifique na prática. Em várias culturas, países, tradições diferentes, como grandes verdades universais. Mas a realidade é que é da ordem do imprevisível e incontrolável quais serão as marcas que realmente seguirão conosco. Elas surgem despretensiosas, em qualquer hora do recreio, mas não se vão quando o sinal volta a tocar.

Durante os anos de 2000 e 2001, morei em Goiânia com minha família. Tive uma amiga incrível, com quem criei o jornal CPS, que significava Crianças Para Sempre. Nós tínhamos 8 ou 9 anos de idade. Lá pelos 19, fui procurá-la no Facebook, e qual não foi minha surpresa ao descobrir que ela, assim como eu, estudava Jornalismo? Nunca mais nos vimos. Eu poderia falar que o jornalismo foi a grande marca do nosso encontro na vida, mas seria uma mentira descabida. O jornal era só mais uma das nossas trocentas brincadeiras inventivas.

A herança-bônus da Larissa para mim foi um dia de aula em que a professora (tia Sandra, se não for invenção minha) disse: “que gracinha essa Larissa. Toda vez que entrego um papel para ela, ela fala ‘obrigada’.” Eu e Larissa éramos suadas, descabeladas, descalças; nunca inteiramente limpas, caladas ou comportadas. Mas esse cuidado do fundo do ser dela me tocou – e foi para sempre. A bala Chita no sinal vermelho, o troco, o panfleto. Todos esses ‘obrigadas’ nasceram de Larissa e passaram a morar comigo também.

Em Sete Lagoas, na passagem do ensino fundamental para o médio, conheci uma figura memorável em vários sentidos (tão querida que carregamos, eu, ela e mais outras preciosidades, um coração tatuado coletivamente no pulso). Débora leva em torno de si algumas dezenas de boas e divertidas características. Mas, de novo, há algo dela que carrego no cotidiano, no todo dia que meu ser é.

Dando nome a alguns dos adjetivos, Débora é hilária e charmosa ao sentir raiva de alguém. Eis que um dia ela sentenciou: “Que raiva, nem me cumprimentou pelo nome!”. E assim, simples como a chuva que cai, eu percebi que o nome importa. Descobri que eu me sentia bem ao ser cumprimentada pelo meu nome, e que provavelmente também faria esse bem às pessoas que assim eu cumprimentasse.

A lição de Débora varia de duas a quatro sílabas. Não deve somar um décimo de segundo, nem um mililitro de saliva. Mas, a cada vez que eu a utilizo (em todos os dias em que falo), é luz e delícia no peito. É olhar para alguém, por mais distante que esse alguém seja, e dizer (sem dizer): ei, te conheço, te reconheço, você para mim importa, seu sorriso importa, o deus que está em mim saúda o deus que está em você. Três sílabas, 0.08 segundos, muito menos saliva do que eu gasto cuspindo no ferro de passar roupa para ver se ele já está quente.

E agora chegamos ao meu aprendizado duplo, que eu só soube que aprendi depois de passar numa prova que nunca fiz. Por gentileza pura e gratuita, a Bárbara, uma estudante da mesma faculdade que eu, resolveu me falar que eu sabia abraçar, que eu abraçava “de verdade”. E eu pensei “uai, maizé?”.

A primeira coisa que me veio à cabeça foi o abraço da minha irmã. Eu costumava falar que ela tinha os braços de um grilo… até que ela te abraça com a força que a Terra usa para girar todos os dias. Quando a gente se encontra e a Lívia vem com aquele abraço, ela une corpo, alma, espírito, mente, coração, todos os órgãos, chackras, neurônios, sentimentos, tudo ali, naquele espaço, naquele tempo, naquele encontro, naquele abraço. Nenhum centímetro do perispírito divaga por qualquer outro lugar. É só ali, naquele amor, que se quer estar. O abraço dela é o maior dos gestos silenciosos a gritar: estamos junt@s, e isso é maravilhoso, eu não queria estar em nenhum outro lugar, que bom que aqui estamos, deixa eu te esmagar!

Fernanda, minha segunda professora de abraço na escola com E minúsculo, sem boletim nem diploma, me deu a primeira (não)aula no dia em que nos conhecemos. Eu estava tentando uma vaga de estágio no programa em que ela era produtora e repórter, e tinha certeza que a entrevista tinha sido um fracasso. Como pegava mal eu tentar sair derretendo discretamente pela janela do sexto andar, fui até a portaria do prédio para ir embora, e Fernanda me acompanhou. Antes de ir, ao lado da roleta, ela me deu um abraço que tenho certeza que foi na alma também. Eu pensei: “é, acho que até mereço um abraço desse, depois desse desastre de entrevista”. Mal sabia eu que aquele abraço iria se repetir diariamente, pelos dez meses em que juntas trabalhamos. Mal sabia eu que o abraço da Fernanda é uma tatuagem que ela sai distribuindo pelo mundo, a encher os caminhos de sentido, de força, de fé, de afeto.

Aprendi a tabuada, a olhar para os dois lados antes de atravessar a rua, a teoria da agulha hipodérmica e também uma porção de coisas belas, intangíveis e infinitas – que ninguém teve a intenção de me ensinar. Pólens que abelhas deixaram cair em seus voos e (obrigada ao ar, ao vento, ao céu) floresceram em mim. Eu sou feita de uma porção de pessoas normais, que sentem raiva, brigam e às vezes jogam papel no vaso. Levo de presente o que elas tem de mais humano e incrível – que são elas mesmas, em seus pequenos e despretensiosos detalhes.

Às mestras da minha vida, obrigada pelas sementes. Por onde flor, vocês vão comigo.


Mixtape #24 – Buenas vibras

2016 chegou e o que a gente quer para ele (logo, para tod@s nós) é: boas energias. Bom astral. Força na caminhada. Simbora! ♡

Foto: Eliza Guerra | para Flora de Série

01- Maria Bethânia – Agradecer e Abraçar | 02-  Banda do Mar – Dia Clarear | 03- Músicas do Espinhaço – Mão do Sol | 04- Alice Caymmi – Tudo que for leve | 05- Caetano Veloso – Odara | 06- Arnaldo Antunes – Põe fé que já é | 07- Siba e a Fuloresta – Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar | 08- Chico Buarque, Zélia Duncan, Dado Villa-Lobos, etc – O Trono do Estudar  | 09- Elza Soares – Maria da Vila Matilde | 10- Beyoncé – Formation | 11- Clarice Falcão – Survivor | 12 – Tiago Iorc – Coisa Linda