Mariana

Mariana desistiu de sofrer e decidiu nunca mais amar. Não era questão de capricho, era mais de necessidade. O amor nunca foi muito bom com ela. Batia na sua porta, implorava pra ficar e, quando Mariana enfim se rendia, o amor ia embora e deixava a saudade no lugar.

Mariana sofreu por três vezes. Três vezes bem sofridas. Tentou tampar a dor com brigadeiro, secar as lágrimas com rímel e afastar a saudade com cerveja. A dor aumentou, o rímel borrou e a saudade fez com que Mariana ligasse implorando para que o amor voltasse. De nada adiantou. Até vinha um amor diferente, mas que logo fazia tudo igual.

Mariana então se fechou. Decidiu nunca mais deixar o amor entrar. Nem que ele batesse duzentas vezes bem forte, nem que prometesse ser diferente. Trancou-se e jogou a chave fora. Tão longe, mas tão longe, que o amor ficou sabendo e nunca mais tentou voltar. Para que insistir em uma menina tão medrosa? Foi ela desistir do amor, que o amor também desistiu dela.

Mariana parou de amar, parou de chorar, parou de cantar. A vida ficou sem graça. O céu deixou de ser super azul, o por do sol perdeu três tons de rosa e mocinha nunca mais se pegou rindo sozinha. O mundo ficou chato, chato, chato e Mariana quis amar novamente. Tentou então reabrir seu coração. Fez tanta força que se rompeu por inteira.

Mariana hoje sofre de coração desocupado. Ele está lá, escancarado, mas o amor não volta mais. Aliás, o amor foge! Pode ser que agora seja ele quem esteja com o pé atrás, ressentido e acanhado. Vai ver agora é ele o medroso da história. Está fugindo de si mesmo.

O amor também não sorri mais.