Ficar apaixonada é um cu

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Uma amiga cismou que queria um texto com esse título, um lettering com esses dizeres ou uma tatuagem enorme nas costas anunciando a sua descoberta da semana: ficar apaixonada é um cu. Enquanto tomava Toddyinho e comia bolinho recheado de chocolate, ela desabafava. Achei graça. Acabei ficando com isso na cabeça pelo resto da semana.

Voltei a pensar em um monte de histórias das quais fazia tempo eu não me lembrava. Dos domingos chorando desconsolada porque ele combinava de sair comigo, mas só me ligava às sete da noite para decidir o programa. Da esperança agoniada a cada mensagem que chegava no meu celular. Do desespero de quando não chegava nada. De ficar com outras pessoas, sem ter a mínima vontade, só porque ele devia estar ficando também. De não saber se ele sentia pelo menos 10% daquela loucura toda que tomava conta do meu peito. E de como isso tudo se repetia quando um novo ele aparecia na minha vida.

Faz uns cinco anos que não me sinto assim. Não sei se amadureci, se ganhei autoconfiança, ou se simplesmente perdi a paciência para homens que não me passam segurança. O fato é que eu nunca mais me apaixonei. Posso até ter achado graça da minha amiga tomando Toddyinho e xingando o próprio sentimento, mas não era nada engraçado quando acontecia comigo. Ficar apaixonada realmente é um cu. A boa notícia: não dura para sempre. Ou melhora, ou passa. Boa sorte.