É preciso ter muito cuidado com as pessoas que deixamos entrar em nossas vidas

Pessoas são uma merda. À primeira vista, a maioria parece sem graça, mas existem sempre aquelas que parecem ter a maior graça do mundo – e, talvez, essas sejam as mais perigosas.

Muitas das nossas grandes alegrias são inspiradas por pessoas que nos fisgam de um jeito rápido. A velocidade com que elas preenchem nossas memórias com bons momentos é tão acelerada que logo passamos a criar expectativas para que eles se multipliquem ad infinitum. Empatia, concluímos.

Mas, cuidado! Não se engane pela sensação gostosinha que esse encontro provoca na barriga, porque, a partir disso, podem ocorrer duas tragédias: indivíduos dessa categoria podem acabar sendo provisórios na sua vida ou – pior! – fazer questão de nunca desaparecer. Nunca mesmo.

Do primeiro mal já sofri muito. Minha lista de decepções com melhores amigos que pareciam eternos é seis vezes maior que a de caras que deixaram meu coração em caquinhos. E, na boa, eu sempre fico triste quando essas pessoas começam a dar sinais de que não são pra sempre. Eu sofro real. Mas vida que segue! Afinal, sempre existirão novos amigos e novos amores.

Eu só não sabia que um dia ia calhar de esbarrar com alguém do segundo grupo, do tipo que cisma em fazer parte da sua vida até mesmo quando não quer de fato estar nela. É por isso que eu digo: é preciso ter muito cuidado com as pessoas que deixamos entrar em nossas vidas. Coração partido e amigos que evaporam não são nada perto de parasitas que não te deixam em paz.

Uma vez eu conheci um rapaz que disse que me amava rápido demais. Eu demorei a acreditar, mas aí quando eu resolvi dizer que amava ele também, o descarado em questão decidiu transformar minha vida em um inferno. E não é exagero. Eu realmente fui parar em um lugar muito terrível dentro da minha cabeça devido às coisas que ele me dizia.

Detalhes à parte, um dia ele começou a namorar e eu achei que finalmente fosse ter paz. Que ingênua! Mais de um ano se passou, o namoro segue firme, mas alguma coisa completamente babaca dentro da criatura mais desprezível que eu conheci faz com que ele insista em tentar voltar para dentro da minha cabeça.

Após meio ano sumido, há menos de um mês, ele tentou contato comigo por um perfil falso no Snapchat – aplicativo que não grava registros de conversas – e pediu pra me ligar. Jurou que, se eu ouvisse seu desencargo de consciência, nunca mais tentaria contato.

Concordei na esperança tola de ser verdade. Na primeira ligação, ele foi controlado. Falou sem parar, eu disse “ok, segue sua vida”, desligamos. Ligou de novo. Dessa vez, eu implorei para me deixar em paz de uma vez por todas e ele desligou na minha cara quando começou a chorar. E nunca mais apareceu. Até a manhã de hoje, quando adicionou uma das minhas melhores amigas no Facebook.

Eu não sei qual era a intenção dele ao fazer isso. E, de verdade, eu nem quero saber. Eu só quero que finalmente chegue o dia que não haja um rastro sequer dessa pessoa no meu caminho. Eu posso até continuar temendo a memória da agonia terrível que vivenciei no início do ano passado. A existência dessa pessoa, no entanto, para mim é insignificante.

Já deixei de escrever neste espaço sobre esse assunto por medo de que ele tentasse alguma retaliação. Agora faço questão de deixar aqui pública e registrada a minha imensa e veraz vontade de que ele desapareça de uma vez por todas. Essa insistência em recuperar sua relevância está tão chata quanto aquela coceirinha inofensiva que dá no dedão do pé. A gente até tira o sapato para se livrar dela, mas é só para poder focar nas coisas – e pessoas – que realmente importam.

Enfim, meus amigos, repito mais uma vez: cuidado com as pessoas que vocês deixam entrar em suas vidas, as mais desnecessárias custam a cair fora.