O lugar mais aconchegante do mundo

Eu sempre quis ter um canto meu. Divi o quarto com a minha irmã mais velha por muitos anos na casa da vovó, até ganhar individualidade, aos 9 anos de idade, com a mudança para a nossa própria casa. Desde então, a parede já foi coberta por posters de banda de rock, fotos tiradas por mim, adesivos de libélulas, tinta das mais variadas cores — um de cada vez, ou tudo misturado. Minha cama nunca passou mais de quatro meses na mesma posição, bem como todo o resto da mobília e apetrechos.

Em Londres, tive cinco quartos durante os seis meses que fiquei por lá em 2011.

1) Cubículo de 2m² em casa de família desconhecida – duração: 2 semanas;

2) quarto cheio de poeira e fotos da mesma família desconhecida – duração: 2 semanas;

3) sofá no quarto de casal de uma polonesa amiga da amiga da amiga da minha irmã – duração: 2 semanas;

4) quarto dividido com duas italianas desconhecidas em Portobello Road – duração: 3 meses;

5) flat dividido com amiga paulista, cama e fogão coexistiam no mesmo espaço – duração: 1 mês e meio.

Voltei de lá mais apegada ao meu quarto mineiro do que nunca, mas louca de vontade de ter meu próprio apartamento. Enquanto sair da casa dos meus pais não era uma opção, fui transformando o meu canto no lugar mais aconchegante do mundo.

Em janeiro deste ano, estava me organizando para mudar para São Paulo, e senti que, aos poucos, esse espaço iria deixar de ser tão meu. Resolvi, então, fotografá-lo para eternizá-lo. Assim, aos 30 e poucos anos, encontrarei essas imagens e me lembrarei do quanto fui feliz ali, com meus pensamentos, minhas músicas e meus livros.

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Sexta-feira passada (19.06.2015), fui para Belo Horizonte, deitei nessa cama com cobre-leito de florzinhas, e desabafei com a minha mãe sobre estar assustada — apesar de muito feliz — com as mudanças da vida. Eu vim morar em São Paulo, minha irmã vai se casar em setembro e formar outra família, e talvez fique impossível de algum dia sentarmos os quatro novamente no sofá para assistirmos a novela juntos. Assim que ela apagou as luzes e saiu do quarto, fui surpreendida pelos adesivos de estrelas fosforescentes, que eu mesma colei, transformando o meu teto em céu. E, nessa hora, eu soube que ficaria tudo bem.

Meu quarto mineiro é realmente o lugar mais aconchegante do mundo.

PVSC 4.0: estamos de cara nova!

Em novembro de 2012, a Camila começou a escrever aqui com a Clara – que deu luz ao Para Ver Se Cola em 2007. Em novembro de 2013, as duas resolveram picotar os cabelos e se livraram de centímetros de fios para ganhar beijos de ar. Em outubro de 2014, Camila foi rodar um filme no sertão nordestino. Em janeiro de 2015, Clara foi morar em São Paulo. Mudar sempre foi prazer, trajeto e sina em nossas vidas. Não somos mais as mesmas do início desta parceria – mas algo nos mantêm unidas dentro dos diferentes eus que nos tornamos a cada dia. É com alegria (e o love de sempre) que anunciamos pequenas mudanças em nosso blog – suficientes para renovar cores, ares e amores deste tão querido espacinho.

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Um beijo forte e um abraço bem apertado nas responsáveis pelas imagens lindas que agora estampam os nossos perfis no blog. A Mari Prados foi quem fez as fotos e a Maria Cândida quem cuidou da produção. Duas amigas tão queridas quanto talentosas. Obrigada, meninas. 

Mulher com câncer terminal realiza sonho e se casa antes de morrer

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Nos últimos tempos, várias mulheres com câncer tem realizado o grande sonho de se casar antes de morrer. Desesperadas por estarem em estágio terminal da doença, se vestem de noiva, convidam os queridos mais próximos e, dentro mesmo do hospital, vão ao encontro do amor de suas vidas para selar a união. Já aconteceu em Manaus, em várias cidades dos EUA, e, agora, na China.

Não querendo meter o meu dedo nos sonhos de ninguém, mas já metendo: sério mesmo, mulherada? Entre todas as maravilhas que o mundo tem a lhes oferecer, vocês querem gastar os poucos minutos de vida que lhes resta casando com homens que já são seus companheiros? Dentre tantas opções, o que mais lhes apetece é vestir vestido branco, véu e grinalda e registrar perante a lei a união com aquele com quem já estão unidas há muito tempo? Poxa…

Cada vez que leio uma chamada dessas, ao invés de me emocionar, sinto um cadinho de desesperança. Casamento é legal, é uma festividade interessante, um ritual muito bonito, mas é mesmo – ainda – o grande sonho da maioria das mulheres? O MELHOR dia de suas vidas? (Afinal, existe “o melhor” dia de nossas vidas? Não são vários os dias extremamente especiais?)

O que me assusta não é o tal do grande amor ser tão valorizado, e sim esse desespero que muitas, muitas mulheres tem em poder dizer “eu me casei”. Se fosse o meu caso, o que me faria feliz de verdade seria experimentar comidas que não conhecia, ou viajar para um lugar com paisagens de tirar o fôlego.

Cada um sonha com o que quer, eu sei, mas que mundo mais interessante seria este em que vivemos se as manchetes de casamentos urgentes fossem substituídas por outras mais estimulantes: “americana toca guitarra em festival para 200 mil pessoas e realiza último sonho antes de morrer” ; “baiana em estado terminal lança livro com fotos que tirou ao longo da vida em viagens pelo mundo” ; “paranaense com câncer faz sua última apresentação de ballet: ‘foi uma despedida linda’, comemora”. Que vida mais interessante essas mulheres poderiam ter tido se sonhassem com algo maior do que com arrumar um marido.