ó, acontece!

Se mostrava muito forte, mas era a menina mais sensível que já conheci. Por trás do sorriso, tinha sempre uma lágrima guardada pelos nãos que a vida lhe deu. Chorava baixinho no quarto para ninguém perceber. O resto do tempo encarava seu destino de peito aberto e cabeça erguida. Não ia dar esse gostinho ao mundo, de tê-la aos prantos por desilusão. A dor que sentia, só ela sabia. Nem por isso era menos doce. Fazia questão de plantar sorrisos por aí. Apreciava as pequenas e grandes alegrias e nunca gargalhou sem sinceridade. Das companhias aproveitava cada gota, mas a solidão lhe provocava soluços. Um dia conheceu um rapaz que lhe tirou da melancolia. Ele tinha a mesma leveza em espirito que a menina flutuava por aí. Não usava de desculpas e nem fugia de suas vontades. Tinha sede de viver. Tinha coragem de ser feliz. Ouvi dizer por aí que ainda vivem de alegria. Que o choro é companhia rara e que lágrimas não brotam mais sem que sejam convidadas. Ouvi dizer que encontraram amor e que nele se encontraram. Agora, olham para a mesma janela e colorem a rotina com aquarela.